Ano Ímpar › 21/02/2017

Terça Feira – 7ª. Semana Comum

16831837_1228841040534452_7253561121559875114_nAmados irmãos e irmãs
“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvido e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”.
Esta citação do livro do Eclesiástico é sempre oportuna em especial quando nos deparamos com situações pessoais ou comunitárias onde somos provados na doença, nas dívidas, nos relacionamentos e perseguições; isto porque neste momento a primeira reação é partir para o embate ou então desistir.
O Senhor vem em nosso auxílio não com soluções prontas, mas sim com ensinamentos que nos fortalecem como, por exemplo, quando diz: “Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação”. Se suportarmos com paciência sairemos fortalecidos.
Em Deus devemos ser resilientes e não resistentes; pois o resistente é duro e quebra ao passo que o resiliente enverga, dobra, mas não quebra e depois volta a posição normal. O que nos mantém resiliente é a permanência em Deus e o que assegura esta permanência é a oração, o jejum e a caridade. Se não for assim, se depositarmos nossa esperança nas coisas do mundo teremos falsa sensação de segurança, seremos resistentes e quebraremos, rompendo nossa união com Deus.
As três condições que citamos para permanecer em Deus é a chave para seguirmos o precioso ensinamento que Jesus nos dá no Evangelho de hoje, senão vejamos: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos… Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me enviou”. Para servir alguém na gratuidade (caridade) como fez Jesus, é preciso se tornar servo dos pequeninos. Temos a tendência de servir os grandes (poder econômico e político) e desprezar os pequenos e é por isto que Jesus toma uma criança, pois na época de Jesus mulheres e crianças eram tão desprezadas que nem na conta do censo entravam.
Outro perigo que este Evangelho aponta é o da busca de se ser o maior, de ocupar cargos e de ter prestígio e isto vale não só para as coisas do mundo, mas também para nossas comunidades onde muitos de nós ali permanecemos não por causa de Jesus, mas sim do cargo ou ministério que ocupa.
Santo Agostinho bispo e doutor da Igreja no Sermão 340 A para uma ordenação episcopal nos ensina que “Todo aquele que está à cabeça do povo deve em primeiro lugar não esquecer que é o servo de todos, e nunca desdenhar deste serviço, uma vez que o Senhor dos senhores (1Tm 6,15) se dignou pôr-se Ele próprio ao nosso serviço.
Por isso, entre outras virtudes dos responsáveis pela Igreja, o Apóstolo Paulo recomenda-nos a da humildade (1Tm 3,6). Quando o Senhor procurou com palavras fortalecer os seus Apóstolos na humildade, disse-lhes, evocando o exemplo da criança. Foi assim que Ele serviu e que quer que também nós sirvamos: dando a sua vida para nos resgatar. Quem de entre nós pode resgatar quem quer que seja? Fomos resgatados da morte pela sua morte e pelo Seu sangue. Nós, que estávamos caídos por terra, fomos reerguidos pela sua humildade. Agora, devemos fazer a nossa parte pelos seus membros, porque fomos constituídos como tal: Ele é a cabeça, nós o corpo (Ef 1,22-23). Por isso nos exorta o Apóstolo João a imitá-lo, dizendo: “Jesus deu a sua vida por nós; assim também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos” (1Jo 3,16).
Peçamos ao Senhor que nos dê um coração de crianças para que sejamos acolhedores como Ele foi.
Rezemos com o Salmista: Afasta-se do mal e faze o bem, e terás tua morada para sempre. Porque o Senhor Deus ama a justiça e jamais ele abandona os seus amigos. Os malfeitores hão de ser exterminados, e a descendência dos malvados destruída. A salvação dos piedosos vem de Deus; ele os protege nos momentos de aflição. O Senhor lhes dá ajuda e os liberta, defende-os e protege-os contra os ímpios e os guarda porque nele confiaram. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Eclesiástico 2,1-13
Salmo: 36/37
Evangelho: Marcos 9,30-37

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