Ano Ímpar › 04/04/2017

Terça Feira – 5ª. Semana da Quaresma

17796865_1272064322878790_1979192972300666441_nAmados irmãos e irmãs
“Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou. Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado”. Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
A Cruz é a maior e mais explícita declaração de amor de Deus pela humanidade. Deus é amor e somente um amor grandioso como o de Jesus, foi capaz de tão grande sacrifício, a nosso favor.
A cruz é para o mundo símbolo do fracasso e de vergonha, porém, para os seguidores de Jesus olhar para o lenho da cruz é olhar para a glória da ressurreição. Olhar para a Cruz e exaltá-la não é uma apologia a dor e ao sofrimento; mas sim um gesto de olhar para a cena que revelou a mais absoluta fidelidade do Filho ao Pai.
O Papa Francisco ensina que o crucifixo não é um ornamento, não é uma obra de arte, com tantas pedras preciosas, como se vê por aí: o Crucifixo é o Mistério do ‘aniquilamento’ de Deus, por amor. Aquela serpente, que no deserto profetiza a salvação, está elevada, e quem quer que a olhe será curado. Isso não foi feito com a varinha mágica de um deus que faz coisas. Foi feito com o sofrimento do Filho do Homem, com o sofrimento de Jesus Cristo! Se nós quisermos conhecer o amor de Deus, olhemos para o crucifixo: um homem torturado, um Deus esvaziado da divindade, sujo pelo nosso pecado.
São Bernardo, monge cisterciense e doutor da Igreja na Meditação sobre a Paixão 6, 13-15; PL 184, 747 nos ensina: Que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (Gl 6,14). A cruz é a tua glória, a cruz é a tua soberania. Eis que tens a soberania sobre os teus ombros (Is 9,5). Quem carrega a cruz carrega a glória. É por isso que a cruz, que atemoriza os infiéis, é para os fiéis mais bela que todas as árvores do Paraíso. Cristo temeu a cruz? E Pedro? E André? Pelo contrário, desejaram-na. Cristo avançou para ela como um noivo que sai de seu aposento e se lança em sua carreira (Sl 18,6): Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer (Lc 22,15). Ele comeu a Páscoa sofrendo a sua Paixão, quando passou deste mundo ao Pai; na cruz, comeu e bebeu, inebriou-se e adormeceu. Quem poderá agora temer a cruz? Senhor, poderei dar a volta ao céu e a terra, ao mar e às planícies, que nunca Te encontrarei senão na cruz. É nela que dormes, nela que apascentas o teu rebanho, nela que repousas à hora do meio dia (Ct 1,7). Sobre esta cruz, aquele que está unido ao seu Senhor canta suavemente: Vós sois, Senhor, para mim um escudo; vós sois minha glória, vós me levantais a cabeça (Sl 3,4). Ninguém te procura, ninguém te encontra, senão na cruz. Cruz de glória, enraíza-te em mim, para que eu seja encontrado em ti.
A missão de Jesus atinge o ápice na cruz do calvário, quando então se revela, não do jeito como os Judeus imaginavam, dando uma volta por cima, descendo da cruz e impondo seu domínio e poder, mas o Cristo agonizante da cruz revela o poder do amor de Deus e esta revelação só será compreendida por quem o aceita e nele professa a Fé. Na glória da cruz a comunhão entre o Pai e o Filho. Apesar de toda rejeição e abandono o Pai estará sempre com seu Filho, permanecerá com ele na paixão e na morte.
No livro dos Números lemos: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo”. Ressaltamos aqui em primeiro lugar que é Deus mandando fazer imagem e imagem de uma serpente e esta cena para nós é a prefiguração da mesma crena do calvário onde suspenso foi no madeiro aquele para o qual todos que olharem serão curados e libertos de todo o mal.
Rezemos com o Salmista: As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Números 21,4-9
Salmo: 101/102
Evangelho: João 8,21-30

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