Ano Ímpar › 21/05/2019

Terça Feira – 5ª. Semana da Páscoa

Amados irmãos e irmãs

“Levantai-vos, vamo-nos daqui”! Isto nos diz Jesus porque a paz que Ele oferece não é a paz para ficar sentado na sombra e água fresca. Esta paz de sombra e água fresca é a paz do mundo que para alguns significa ausência de problemas, despreocupação, é não ter nenhuma contrariedade ou aborrecimento, é ter autonomia.
Que outra Paz o mundo pode nos oferecer que não seja esta? Dentro da Igreja temos uma paz perigosa sendo pregada como paz interior que é tão nociva como a paz do mundo. Muitos a chamam de paz interior e está reservada para alguns privilegiados que estão em plena comunhão com Deus e são como que arrebatados deste mundo. Vivem totalmente alienados da realidade. Professam a fé em um Deus que os livra de todo e qualquer sofrimento e como vemos este Deus é bem diferente do Deus de Jesus, que foi condenado e morreu em uma cruz.
A Paz que Jesus nos oferece a partir do nosso batismo é a que nos possibilita viver com Ele em eterna comunhão tendo consciência de que essa situação não nos torna imunes aos sofrimentos inerentes ao ser humano, como muitos pensam.
O grande mérito de viver esta paz é estar rodeado de problemas e sofrimentos e mesmo assim cantar a glória de Deus numa utopia que choca o mundo; mas este cantar não é somente com palavras e hinos, mas principalmente cantar com uma vida comprometida com a luta por justiça o que fará de nós verdadeiras testemunhas como Paulo que na leitura de hoje foi apedrejado e julgou isto como paz de Deus.
A exemplo de Jesus que procurou evitar que sua partida para junto do Pai, a sua morte, (sua páscoa) fosse motivo de perturbação; nós cristãos também devemos encarar nossa morte e a morte dos que nos são caros não como motivo de desespero; mas sim como sinal de nossa esperança, nossa páscoa definitiva e a verdadeira paz prometida por Jesus.
São (Padre) Pio de Pietrelcina, capuchinho nos ensina que: “O Espírito de Deus é espírito de paz; mesmo quando cometemos os mais graves pecados, Ele faz-nos sentir uma dor tranquila, humilde e confiante, devido, precisamente, à sua misericórdia”. Ao invés, o espírito do mal excita, exaspera e faz-nos sentir, quando pecamos, uma espécie de cólera contra nós; e, no entanto o nosso primeiro gesto de caridade deveria justamente ser para conosco mesmo. Portanto, quando és atormentado por certos pensamentos, tal agitação não te vem nunca de Deus, mas do demônio; porque Deus, sendo espírito de paz, só pode dar-te serenidade.
Na leitura dos Atos dos Apóstolos vemos o apedrejamento de Paulo e isto nos leva a refletir sobre o quanto os primeiros sofreram para que o Evangelho pudesse chegar até nós. Também devemos olhar para este fato todas as vezes que julgarmos que estamos sofrendo pelo motivo de sermos cristãos. Não pode ser qualquer picuinha de sacristia o motivo de nos afastarmos da Igreja. Pense nisso.

Rezemos com o Salmista: Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração. Que a minha boca cante a glória do Senhor e que bendiga todo ser seu nome santo, desde agora, para sempre e pelos séculos. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 14,19-28
Salmo: 145
Evangelho: João 14,27-31

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