Ano Par › 16/01/2018

Terça Feira – 2ª. Semana Tempo Comum

terçaAmados irmãos e irmãs
“O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado; e, para dizer tudo, o Filho do homem é senhor também do sábado.”
Poderíamos diante deste Evangelho colocar como tema central a fome. Quantos hoje não passam fome por causa de normas e regras. Aqui na comunidade nós acolhemos peregrinos dos mais diversos lugares e que aqui chegam necessitando de uma passagem rodoviária para seguir viagem; mas antes um bom banho, um prato de comida e uma cama para repousar. Jesus neste Evangelho estava na mesma situação de peregrino e por ser sábado ninguém preparava comida (tinham preparado na véspera).
Nós na Comunidade Missionária Divina Misericórdia evitamos ao máximo colocar exigências antes de atender as necessidades básicas. Muitas pessoas nos criticam dizendo que estamos alimentando “vagabundo”; que antes de darmos comida deveríamos ver os documentos, a cidade de onde é, etc. Nós preferimos ficar com Jesus para quem o homem estava acima destas questiúnculas.
Os fariseus eram tão legalistas quanto à questão sabática que parecem nem ter se preocupado com a questão de quem era o proprietário da lavoura de milho. Esqueceram-se da fome e da propriedade da lavoura para ferrenhamente criticar Jesus e os apóstolos por causa da observância do sábado.
Hoje parece não ser muito diferente quando vemos milhares de pessoas na África (Etiópia e Somália) e em outros lugares morrerem de fome enquanto os fariseus modernos se reúnem no ar condicionado da ONU (Organização das Nações Unidas) para decidir como enviar alimentos; a burocracia emperra tudo e olha que não precisamos ir longe; pois nós da Comunidade Missionária Divina Misericórdia somos testemunhas oculares das milhares de toneladas de grãos (feijão, arroz, milho, soja, etc.) que estragam (caruncham) nos galpões da famigerada CONAB ( Companhia Nacional de Abastecimento) ; enquanto sabemos que no sertão nordestino tem muita gente comendo fubá com água.
São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja em suas Homilias sobre o Evangelho de São Mateus, n° 39 nos ensina: A lei do sábado era, no início, da maior importância, pois ensinava os judeus a serem pacíficos e cheios de humanidade para com o seu próximo; a crerem na sabedoria e na providência de Deus Criador. Quando Deus lhes deu a lei do sábado, fê-los compreender que apenas queria que eles se abstivessem de todo o mal: No decurso desse dia, não realizareis trabalho algum, salvo a preparação do alimento para todos (Ex 12,16 LXX). No Templo, havia mais trabalho nesse dia santo do que nos outros dias. Deste modo, a sombra da Lei preparava a luz da verdade plena (cf Cl 2,17).
Cristo terá então abolido uma lei tão útil? De modo nenhum: levou-a ainda mais longe. Deixara de ser necessário ensinar deste modo que Deus era o Criador de tudo o que existe, e formá-los na amabilidade para com os outros, pois eram agora convidados a imitar o amor de Deus pelos homens segundo esta palavra: Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso (Lc 6,36). Deixara de ser necessário fixar um dia de festa para aqueles que eram convidados a fazer da sua vida uma festa: Celebremos a festa, escreve o apóstolo Paulo, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da pureza e da verdade (1Cor 5,8).
Que necessidade havia de uma lei do sábado para o cristão, que passa sua vida numa celebração contínua e sempre a pensar no céu? Sim, irmãos, celebremos este sábado celeste e contínuo.
Na leitura do primeiro livro de Samuel vemos que após o Senhor despojar Saul da realeza imediatamente envia Samuel à casa de Jessé para ungir o novo rei. “Samuel se encanta com a beleza e o porte físico de um dos filhos de Jessé e imagina ser ele o escolhido, mas o Senhor lhe diz: O homem vê a face, mas o Senhor olha o coração”! Depois de passar um a um os filhos presentes e nenhum ser escolhido foi em Davi que recaiu a escolha e, a partir daquele momento, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi.
Rezemos com o Salmista: Outrora vós falastes em visões a vossos santos: “Coloquei uma coroa na cabeça de um herói e do meio deste povo escolhi o meu eleito”. Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. Estará sempre com ele minha mão onipotente, e meu braço poderoso há de ser a sua força. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 1 Samuel 16,1-13
Salmo: 88/89
Evangelho: Marcos 2,23-28

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