Ano Par › 17/07/2018

Terça Feira – 15ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãs
“Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e a cinza”.
Que tal se ouvíssemos Jesus dizer: Ai de ti Ribeirão Preto, ai de ti Batatais, ai de ti Brasil…
As cidades de Tiro e Sidônia, habitada por pagãos, ainda não haviam tido essa experiência com Jesus, não o conheciam, nada sabiam das escrituras ao passo que Coroazim e Betsaida eram testemunhas dos feitos do Senhor. Jesus não está condenando estas cidades, mas fazendo um apelo veemente à conversão.
No caso do Brasil poderíamos dizer que temos a Igreja com os sacramentos, a Palavra Viva de Deus em nossas liturgias, a Santa Eucaristia, presença real do Senhor e temos total liberdade religiosa para anunciar a Palavra, mas e daí como está sendo tudo isto na prática cotidiana.
O beato João Paulo II na encíclica Redemptoris missio, §§ 38-39 nos ensina “Quem vos ouve é a Mim que ouve, e quem vos rejeita é a Mim que rejeita”. A época em que vivemos é, ao mesmo tempo, dramática e fascinante. Se, por um lado, parece que os homens vão ao encalço da prosperidade material, mergulhando cada vez mais no consumismo materialista, por outro lado, manifesta-se a angustiante procura de sentido, a necessidade de vida interior, o desejo de aprender novas formas e meios de concentração e de oração. Não só nas culturas densas de religiosidade, mas também nas sociedades secularizadas, procura-se a dimensão espiritual da vida como antídoto à desumanização. A Igreja tem em Cristo, que se proclamou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6), um imenso patrimônio espiritual para oferecer à humanidade.
A Igreja deve ser fiel a Cristo, já que é o seu Corpo e continua a sua missão. É necessário que ela caminhe pela mesma via de Cristo, via de pobreza, obediência, serviço e imolação própria até à morte, da qual Ele saiu vitorioso pela sua ressurreição (Vat II, Ad gentes 5). A Igreja tem, portanto o dever de fazer todo o possível para cumprir a sua missão no mundo e alcançar todos os povos; e tem também o direito, que lhe foi dado por Deus, de levar a termo o seu plano. A liberdade religiosa, por vezes ainda limitada e cerceada, é a premissa e a garantia de todas as liberdades que asseguram o bem comum das pessoas e dos povos. É de se auspiciar que a autêntica liberdade religiosa seja concedida a todos, em qualquer lugar, tratando-se de um direito inalienável de toda a pessoa humana.
Por outro lado, a Igreja dirige-se ao homem no pleno respeito da sua liberdade (cf Vat II, Dignitatis humanae, 3-4; Paulo VI, Evangelii nuntiandi, 79-80; João Paulo II, Redemptor hominis, 12); a missão não restringe a liberdade, pelo contrário, favorece-a. A Igreja propõe, não impõe nada; respeita as pessoas e as culturas, detendo-se diante do sacrário da consciência. Aos que se opõem com os mais diversos pretextos à atividade missionária, a Igreja repete: Abri as portas a Cristo!
Na leitura da profecia de Isaías vemos que Acaz achava que podia dar estabilidade ao seu reino através de alianças; ao passo que o profeta vai mostrar que a verdadeira estabilidade vem da fé em Deus. Na vida atual precisamos ter esta atitude de fé e confiança em Deus; pois muitos cristãos e dirigentes da Igreja estão buscando alianças espúrias visando garantir a liberdade religiosa, mas bem sabemos que o caminho correto não é este.

Rezemos com o Salmista: Pois eis que os reis da terra se aliaram e todos juntos avançaram; mal a viram, de pavor estremeceram, debandaram perturbados. Como as dores da mulher sofrendo parto, uma angústia os invadiu; semelhante ao vento leste impetuoso, que despedaça as naus de Társis. Amém.

Reflexão feita pelo diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Isaías 7,1-9
Salmo: 47/48
Evangelho: Mt 11,20-24

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