Ano Ímpar › 24/04/2017

Sexta Feira Oitava da Páscoa

17990825_1292818740803348_8821087121756920187_nAmados irmãos e irmãs
É em nome de Jesus que o fazemos! Esta é a coragem de Pedro, este é o testemunho de Pedro que mesmo preso e correndo risco de ser morto enfrenta o Sumo sacerdote e lhe diz: “Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular. Em nenhum outro há salvação”.
Nós precisamos aprender de Pedro a dar este testemunho. Quantas e quantas vezes nós não aceitamos convites para fazer coisas erradas e aí por vergonha falamos que já temos outro compromisso, ou que estamos doente, etc., mas nunca se tem a ousadia de Pedro para testemunhar Jesus e dizer é por causa de Jesus Cristo que eu não vou fazer isto.
Mas olhar para Pedro implica em saber que é necessário assumir nossas fraquezas e para melhor entender vejamos o que dizia São Pedro Crisólogo, bispo e doutor da Igreja no Sermão 78; PL 52, 420: “O discípulo que Jesus amava disse a Pedro: ‘É o Senhor! ‘ Aquele que é amado é o primeiro a ver; o amor faz incidir um olhar mais atento sobre todas as coisas. Que dificuldade torna a mente de Pedro tão lenta e o impede de ser o primeiro a reconhecer Jesus, como já o tinha feito anteriormente? Onde está aquele testemunho singular que o fizera exclamar: “Tu és Cristo, o filho do Deus vivo”? Quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica, pois estava nu. Que coisa estranha, meus irmãos! Pedro entra nu na barca e deita-se ao mar vestido! Os culpados tapam-se sempre para se dissimularem. Assim como Adão, hoje Pedro deseja esconder a sua nudez após o seu pecado; antes de pecarem, estavam ambos vestidos apenas de uma nudez santa. Ele apertou a túnica e deitou-se ao mar. Ele esperava que o mar lavasse esta peça de roupa sórdida que era a traição. Deitou-se ao mar, pois queria voltar a ser o primeiro, aquele a quem as maiores responsabilidades tinham sido confiadas. Cingiu a sua túnica, pois devia cingir-se com o combate do mártir, segundo as palavras do Senhor: E outro te cingirá e te levará para onde não queres. Os outros vêm com o barco, puxando a rede cheia de peixes. Com muito esforço trazem consigo a Igreja lançada nos ventos do mundo. É ela que estes homens trazem na rede do evangelho para a luz do céu, e que arrancam aos abismos para conduzi-la até junto do Senhor”.
Jesus após a ressurreição continua a agir da mesma forma, ou seja, na simplicidade e sem muito alarde. Estamos acompanhando nesta oitava que Ele primeiro aparece a Madalena e pede a ela para anunciar aos discípulos, depois no silêncio Ele caminha para Emaús e também pede que anunciem, depois aparece no cenáculo e pedem que sejam testemunhas e finalmente hoje estamos vendo a quarta aparição do Senhor ressuscitado e Ele se manifesta outra vez na beira do lago de Tiberíades sem nenhum alarde; mas aqui não pede nada e até parece que só queria desfrutar da companhia amiga dos discípulos.
Por falar em fazer alarde estas lições de Jesus servem para nossas comunidades onde muitas vezes fazemos tanta propaganda sobre o que fazemos, quem somos na comunidade que a divulgação passa a ser mais importante do que a obra.
É um absurdo, mas o anuncio e os cartazes da missa parecem mais importantes do que a missa.
Outro detalhe importante desta aparição é que na verdade parece que os discípulos estavam desanimados diante da morte de Jesus e não viam perspectivas e por isto estavam retornando a profissão antiga, estavam se revestindo do homem velho (antes de conhecer Jesus). Por este motivo Jesus não lhes pede nada, mas quer estar com eles para lembrá-los de que é preciso retomar o caminho.
Nó também quantas vezes não nos decepcionamos em nossas comunidades e a tendência natural é a de querer a tudo abandonar e a voltar a vestir a roupa do homem velho. Pensemos nisto, pois não há decepção com bispo, padre ou agente de pastoral que seja maior e mais importante em nossas vidas do que o testemunho que temos que dar da ressurreição e do amor de Deus em nós.
Rezemos com o Salmista: A pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se agora a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: que maravilhas ele fez a nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos! Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação; ó Senhor, dai-nos também prosperidade! ”Bendito seja, em nome do Senhor, aquele que em seus átrios vai entrando! Desta casa do Senhor vos bendizemos. Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 4,1-12
Salmo: 118
Evangelho: João 21,1-14

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