Ano Ímpar › 03/04/2017

Sexta Feira – 4ª. Semana da Quaresma

17498532_1267411300010759_1208246909578760507_nAmados irmãos e irmãs
“Ah! Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou! Entretanto, não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro aquele que me enviou, e vós não o conheceis. Eu o conheço, porque venho dele e ele me enviou”.
Não é o humano que se diviniza, mas sim é o divino que se humaniza! Ele se fez um de nós ao assumir a nossa carne e podemos dizer que Jesus desconsertava porque era humano demais!
A dificuldade dos judeus em aceitar que Jesus era o Cristo de Deus reside no fato de que eles esperavam um MESSIAS misterioso e de origem desconhecida ao passo que Jesus era o filho de Maria e José. Jesus era humano demais para eles, aliás, conforme sempre frisamos, eles achavam que o humano não poderia se tornar divino e esta dificuldade nós já não temos nos dias atuais; pois pelo mistério da encarnação temos que compreender que não é o homem que se torna Deus, mas sim Deus que se encarna, Ele se faz um de nós. É o Divino que se humaniza.
Para você refletir hoje: eu te digo que Deus é pai. É como um pai que olha para o filho e sabe que o filho não o alcança então ele se abaixa. Deus sabia que nós jamais chegaríamos ao céu então ele aceitou vir a terra. Ele sabia que jamais seríamos divinos então ele se humanizou, se fez um de nós e assim sendo ao descer ele abriu a porta que ligava o céu e a terra e ao subir ele abre a porta que liga a terra ao céu. É como diz a canção: Jesus, fonte de misericórdia que jorra do templo. Jesus, o Filho da Rainha. Jesus, rosto divino do homem. Jesus, rosto humano de Deus.
Jesus estava ameaçado de morte, mas mesmo assim ele anda livremente por pregando e ensinando, fazendo curas e milagres e ninguém o podia impedir e isto prova a fidelidade d’Ele com a vontade do pai que o enviou..
Atualmente muitas pessoas dizem que são filhos de Deus, pois foram batizadas e frequentam a Igreja; mas ao olharmos para seu testemunho vemos que falta a coragem, a ousadia e a fidelidade de Jesus. Nós às vezes nos acomodamos e aceitamos passivamente as coisas do mundo mesmo as que são contrárias ao Reino de Deus.
Assim como a vida de Jesus estava toda colocada nas mãos do Pai, a nossa vida também está nas mãos de Deus e por isto tal qual Jesus nós também precisamos ter este desprendimento e deixar de ter medo do mundo. Não podemos nos deter porque a maioria está contra; não podemos desistir só porque fomos ameaçados, não podemos deixar de seguir em frente só porque a estrada não está boa.
É preciso seguir em frente; é preciso atender a quem nos chama e quem nos chama é Jesus de Nazaré e parece utopia, mas por vezes temos que lutar por quem nos rejeita; é preciso continuar a cuidar do doente mesmo que ele esteja te xingando ou agredindo fisicamente. É preciso ir em frente, pois há muitos que precisam que nós cheguemos para que eles possam seguir aquele que nos enviou.
Esta caminhada é o nosso testemunho; são as obras que o Pai também realiza em nós.
Santo Agostinho bispo e doutor da Igreja nos Sermões sobre o Evangelho de João, n°31, 3-4; CCL 36, 294-295 nos ensina: Quando ensinava no Templo, Jesus exclamou: Sabeis quem Eu sou e sabeis donde venho. Pois Eu não venho de mim mesmo; há um outro, verdadeiro, que me enviou, e que vós não conheceis.” Que é o mesmo que dizer: Vós conheceis-me e não me conheceis, ou ainda: Sabeis de onde venho e não o sabeis. Sabeis de onde sou: Jesus de Nazaré; também conheceis a minha família. A única coisa que lhes estava oculta neste campo era o seu nascimento virginal. Eles conheciam acerca de Jesus tudo o que estava relacionado com a sua natureza humana: a sua aparência, a sua pátria, a sua família e o local do seu nascimento. Portanto, o Senhor tinha razão ao dizer-lhes: Sabeis quem sou e de onde venho, segundo o corpo e a aparência humana que tinha assumido.
Enquanto, segundo a divindade, diz: Pois Eu não venho de mim mesmo; há um outro, verdadeiro, que me enviou e que vós não conheceis. Ora, se quereis conhecê-Lo, crede naquele que Ele enviou e conhecê-Lo-eis. Porque ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai, é que o deu a conhecer (Jo 1,18). E ainda: Ninguém conhece quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lhe (Lc 10,22). Eu conheço-o: pedi-me pois que vo-lo dê a conhecer. Venho de junto dele e foi Ele que me enviou. Magnífica afirmação de uma dupla verdade: o Filho vem do Pai, e tudo o que é, tem-no daquele de quem é Filho. É por isso que dizemos que Jesus é Deus de Deus (Credo), enquanto chamamos ao Pai simplesmente Deus. Também dizemos que Jesus é Luz da Luz, enquanto chamamos ao Pai simplesmente Luz. Eis o que significam estas palavras: Venho de junto dele.
No livro da Sabedoria fala de testar o filho para ver se o pai vem em seu socorro: “Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes de sua paciência. Condenemo-lo a uma morte infame. Porque, conforme ele, Deus deve intervir”. Somos aqui chamados a olhar para a reação do filho que aceitou e assumiu tudo misto no silêncio. Quantas e quantas vezes algumas pessoas também não tentam nos testar para ver se nossas palavras são verdadeiras e se somos capazes de dar testemunho do Pai. Devemos também estar atentos para não sermos nós a querer provar alguém com tais atitudes.
Rezemos com o Salmista: Do coração atribulado está perto o Senhor. O Senhor volta a sua face contra os maus para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Amém.

Reflexão feita pelo diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

Leitura: Sabedoria 2,1. 12-22
Salmo: 34
Evangelho: João 7,1-2.10.25-30

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