Ano Ímpar › 20/05/2019

Sexta Feira – 4ª. Semana da Páscoa

Amados irmãos e irmãs

Não perturbe o vosso coração!
Cuida das coisas de Jesus que Ele cuidará das suas! Trata-se de uma construção gramatical esquisita e de um linguajar pobre, mas cremos que isto possa traduzir o porquê não devemos nos preocupar tanto.
Este Evangelho é muito usado nas celebrações exequiais para tranquilizar os entes queridos em relação ao destino do “de cujus”.
Jesus há dois mil anos atrás nos prometeu que iria para a casa do Pai nos preparar um lugar e que depois voltaria e nos chamaria pelo nome para ocupar este lugar. É um lugar personalizado e se nós dissermos não ele ficará vazio, pois não foi preparado para outra pessoa.
No capítulo 17 do mesmo Evangelho Jesus durante a oração sacerdotal roga ao Pai por todos nós e Ele diz: “Pai eles estão no mundo, mas eles não são do mundo”. Que bela certeza existe nesta afirmação, nós não somos daqui, estamos de passagem; pois nosso lugar é a Jerusalém Celeste.
Todo ser quando nasce (Natal) chora porque está deixando os braços do Pai e entrando neste mundo onde existe dor, lágrimas, tristezas, mentiras e tantas coisas que nos fazem sofrer; mas quando morre (páscoa) nós que aqui ficamos choramos, mas ele sorri pois está voltando para a casa do pai, está indo para uma pátria onde não há mais dor, nem choro nem tristeza e nem morte; pois na vida eterna gozamos das alegrias infindas de Deus.
Tomé disse que não sabia o caminho e nós hoje sabemos? Com certeza sabemos, pois Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.
No entanto apesar de sabermos muitas vezes recusamos a trilhar este caminho, a aceitar esta verdade e a viver esta vida que nos conduz a Deus.
Se não há outro caminho que leva ao Pai porque muitas vezes procuramos por tantos atalhos e estradas que não nos levam a nada.
O nosso caminho é o mesmo de Jesus, é o caminho do serviço e do amor e principalmente da Cruz.
As palavras deste Evangelho visam encorajar e tranquilizar os discípulos para que não desanimem diante da paixão e morte de Jesus; “Não se perturbe o vosso coração”. De fato, o medo, a perturbação, a frustração são ameaças à unidade. O medo nos dispersa e nos leva a abandonar a missão. Somente a fé pode fazer compreender que a partida de Jesus não é abandono; mas sim uma saída em que Ele vai nos preparar um lugar para que fiquemos juntos dele para sempre.
O papa Francisco tem insistido muito nesta questão do medo, ele destaca que um coração amedrontado prejudica a missão na medida em que se tem medo de lançar as redes em águas mais profundas. Ficamos no superficial por medo de corrermos riscos. Não fazemos coisas maiores por medo de não dar certo.
Vejamos o que diz o doutor angélico São Tomás de Aquino em seu comentário ao evangelho de João, 14,2 (Breviário 9ª sem.) : “ Cristo é ao mesmo tempo o caminho e o termo. É o caminho segundo a sua humanidade; é o termo segundo a sua divindade. Neste sentido, enquanto homem, diz: “ Eu sou o caminho”; enquanto Deus, acrescenta: “a verdade e a vida”. Estas duas palavras indicam com toda a propriedade o termo deste caminho. Na verdade, o termo deste caminho é a aspiração do desejo humano. Ele é o caminho para chegar ao conhecimento da verdade, ou melhor, Ele próprio é a verdade: “Ensinai-me, Senhor, o Vosso caminho, para que eu siga a Vossa verdade” (Sl 85, 11). Ele é também o caminho para chegar à vida, ou melhor, Ele próprio é a vida: “Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida” (Sl 15, 11). Se, portanto, procuras por onde passar, segue a Cristo, porque Ele é o caminho. Este é o caminho; andai por ele (Is 30, 21). E Santo Agostinho diz: Caminha através do homem e chegarás a Deus. É melhor andar pelo caminho, mesmo a coxear, que andar rapidamente, mas fora do caminho. Porque aquele que vai coxeando pelo caminho, ainda que avance pouco, aproxima-se do termo; mas aquele que anda fora do caminho, quanto mais corre, tanto mais se afasta do termo.
Na leitura dos Atos dos apóstolos vemos que os apóstolos são testemunhas da ressurreição dele junto ao povo. A pergunta que se faz é como nós podemos hoje continuar sendo testemunhas de que Jesus está vivo e presente no meio de nós? Com certeza a resposta passa pela forma como atuamos e como deixamos o Espírito Santo agir em nós.
A promessa feita a nossos pais é Jesus e por isto d’Ele escrito no Salmo segundo: ‘Tu és meu Filho, eu hoje te gerei’.

Rezemos com o Salmista: Podes pedir-me e, em resposta, eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira ao teu domínio. Com cetro férreo haverás de dominá-los e quebrá-los como um vaso de argila! E agora, poderosos, entendei; soberanos, aprendei esta lição: com temos servi a Deus, rendei-lhe glória e prestai-lhe homenagem com respeito! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 13,26-33
Salmo: 2 
Evangelho: João 14,1-6

Imprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *