Ano Ímpar › 29/04/2017

Sexta Feira – 2ª Semana da Páscoa

18157078_1300920326659856_1222680387728662036_nAmados irmãos e irmãs
Um antigo ditado popular nos diz: “O pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada”! Na matemática de Jesus multiplicar é dividir! Sim neste Evangelho Jesus nos dá uma grande lição de partilha. O grande sinal de adesão ao Reino é a partilha; não só de pão, mas de tudo que se tem, inclusive, a própria vida. Jesus não só partilhou sua vida, mas a deu por completo; se doou por inteiro até a última gota de sangue.
Neste Evangelho vemos como que uma preparação para o discurso do pão da vida (Jo 6) que sem sombra de dúvidas é uma das mais belas páginas das Sagradas Escrituras.
Jesus testa Filipe ao lhe perguntar onde comprar pão para tanta gente e nós da Comunidade Missionária Divina Misericórdia confessamos que Jesus nos testa todos os dias e todo dia Ele faz o milagre da multiplicação dos pães.
Nas nossas seis casas estamos com média de 180 (cento e oitenta) pessoas por dia e a elas nós oferecemos café da manhã, almoço, café da tarde e jantar.
O corre-corre do dia a dia não nos permite refletir, mas ao final do mês quando temos que assinar relatórios nos damos conta de que oferecemos fora o café da manhã e da tarde 360(trezentas) refeições por dia ou seja, 10.800(dez mil e oitocentas) refeições. Como conseguimos Senhor! A resposta está neste Evangelho, Jesus continua a multiplicar pães para seus pequeninos. O que estamos testemunhando hoje qualquer um que ler pode visitar uma de nossas casas e também testemunhar. Nós vivemos da providência; estamos por norma estatutária (vontade de Deus revelada ao nosso fundador) proibidos de fazer eventos tais como bailes, bingos, jantares, quermesses, rifas, etc. Temos que viver de doações de homens e mulheres de boa vontade que no Evangelho esta representado pelo menino que ofereceu os cinco pães e dois peixes.
O papa emérito Bento XVI ainda Cardeal Joseph Ratzinger escreveu no ano de 1969: No pão da eucaristia recebemos a multiplicação inesgotável dos pães do amor de Jesus Cristo, que é suficientemente rico para saciar a fome de todos os séculos, e que procura assim a colocar-nos, também a nós, ao serviço desta multiplicação dos pães. Os poucos pães de cevada da nossa vida poderão parecer inúteis, mas o Senhor precisa deles e pede-no-los.
Tal como a própria Igreja, também os sacramentos são fruto do grão de trigo que morre (Jo 12,24). Para recebê-los, temos de entrar no movimento de onde eles provêm. Este movimento consiste em nos perdermos a nós próprios, sem o que não nos podemos encontrar: “Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por Mim e pelo Evangelho salvá-la-á” (Mc 8,35).
Esta palavra do Senhor é a fórmula fundamental da vida cristã; a forma característica da vida cristã vem-lhe da cruz. A abertura cristã ao mundo, tão enaltecida atualmente, só pode encontrar o seu verdadeiro modelo no lado aberto do Senhor (Jo 19,34), expressão deste amor radical, que é o único capaz de salvar.
Do lado perfurado de Jesus crucificado saíram sangue e água. O que, à primeira vista, é sinal de morte, sinal do mais completo fracasso, constitui ao mesmo tempo um começo novo: o Crucificado ressuscita e não morre. Das profundezas da morte surgiu a promessa da vida eterna. Por cima da cruz de Jesus Cristo resplandece já a claridade vitoriosa da manhã de Páscoa. É por isso que viver com Ele sob o signo da cruz é sinônimo de viver sob a promessa da alegria pascal. Por estas tão profundas palavras de Bento XVI nós podemos afirmar sem medo que a Eucaristia é o pão da vida e Cristo a distribui em abundância porque é seu próprio Corpo e Sangue doado para que nele todos tenham vida.
O Papa Francisco na Exortação apostólica Evangelii Gaudium / A Alegria do Evangelho nos diz claramente: Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos! Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência, é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.
No livro dos Atos dos apóstolos aprendemos a belíssima e importante lição de Gamaliel que deve mais do que nunca ser aplicada em nossas comunidades nos dias de hoje; em especial quando alguns começam a inventar moda ou dizer que está tendo visões e revelações. Muitos ficam preocupados, mas a Igreja é sábia e aplica o princípio de Gamaliel, ou seja, fica em silêncio; pois se não for de Deus do mesmo jeito que veio vai. Outro princípio interessante são as perguntas que a Igreja faz no caso de revelações, visões ou aparições:
1º. – O que diz o exame de sanidade mental do vidente? Se der alteração arquiva tudo.
2º. – As mensagens estão de acordo com o Evangelho? Se destoar uma vírgula pode esquecer.
3º. – Quais são os frutos? As pessoas estão se convertendo, indo as missas, confessando e mudando de vida? Se não houver frutos com certeza isto não é de Deus.
Se for invenção da cabeça dos homens o tempo se encarrega de desmascarar; porém se for de Deus ninguém consegue destruir!
Rezemos com o Salmista: Ao Senhor eu peço apenas uma coisa e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 5,34-42
Salmo: 27
Evangelho: João 6,1-15

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