Ano Ímpar › 20/01/2017

Sexta Feira – 2ª. Semana Comum

16105629_1195212560563967_3243335411304225503_nAmados irmãos e irmãs
A expectativa de ser convocado para uma seleção de futebol ou para outro esporte em uma olimpíada é vivida intensamente por todos os envolvidos; mas no caso da convocação que Jesus faz ela não existe, pois Jesus não avisa que vai fazer convocação. Ele simplesmente chega, olha nos olhos e chama! Esse chamado de Jesus é natural e está no próprio dom da vida, porém, Ele escolhe alguns para serem colaboradores mais próximos. Assim foi com os apóstolos cujo chamado vimos neste Evangelho; mas Jesus continua a agir da mesma forma ainda hoje quando chama alguns para ser sacerdote, diácono, freira, leigo consagrado, pai e mãe de família.
Vejam que Jesus não usou critérios humanos para fazer a escolha, pois se assim o fosse teria escolhido homens letrados e de posses. O que vai nos ajudar na nossa comunidade a não se deixar levar por critérios humanos em nossas escolhas é a vida de oração. Quantas e quantas vezes não somos tentados a dar um “carguinho” para alguém só porque tem dinheiro ou exerce influência da qual julgamos ser necessário para a Igreja; o que é uma grande ilusão.
Aos escolhidos Deus dá uma força que não vem do humano, mas do Divino, aquela mesma força libertadora, que saia de Jesus e aliviava as pessoas de seus males, está também presente em cada discípulo que dá o seu SIM, mas sempre lembrando que ela só permanece com aqueles que são fiéis ao SIM. Lembramos aqui que ser fiel não significa não pecar; pois se assim o fosse seria impossível ser fiel. Usamos de um exemplo prático para entendermos o que é a fidelidade que Deus quer de cada um de nós. Imagine um casal onde marido e mulher prometeu no sacramento do matrimônio a fidelidade um ao outro. O marido pode ofender a esposa com um palavrão, ou contar uma mentira e isto será grave, mas não é infidelidade. A infidelidade aconteceria se mesmo que o marido nunca tivesse xingado a mulher, mas sim se tivesse uma amante.
Os “doze”, significa que eles representam todo o Israel, ou seja, as doze tribos. Recordemos o nome dos doze apóstolos: 01 – Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; 02 – André, irmão de Pedro; 03 – Tiago, 04 – João, 05 – Filipe, 06 – Bartolomeu, 07 – Mateus, 08 – Tomé, 09 – Tiago, filho de Alfeu; 10 – Simão, chamado Zelador;
11 – Judas, irmão de Tiago; e 10 – Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.
São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja na Homilia sobre a 1ª carta aos Coríntios 4, 3; PG 61,34 nos ensina: “A fraqueza de Deus é mais forte do que todos os homens” (1Cor 1,25). Que a pregação é obra de Deus é evidente; pois como poderiam doze homens ignorantes ter tido a ideia de proceder a tal diligência, eles que viviam perto de lagos e de rios e no deserto? Como poderiam, eles que nunca tinham visitado as cidades e respectivas assembleias, pensar em mobilizar-se contra o mundo inteiro? Eles estavam cheios de medo, e o evangelista mostra-o bem, pois não quis desculpar nem esconder os seus defeitos. Isto é uma prova muito forte de veracidade. O que diz deles? Quando Cristo foi preso, depois de ter feito inúmeros milagres, a maioria dos apóstolos fugiu, e o que era o seu chefe permaneceu apenas para negá-lo. Quando Cristo estava vivo, estes homens foram incapazes de suportar os assaltos dos seus inimigos. Morto Cristo e enterrado, como se mobilizariam contra o mundo inteiro? Eles próprios não se terão interrogado: “Ele não foi capaz de se salvar a si mesmo, e irá proteger-nos? Quando estava vivo, não foi capaz de se defender, e agora que está morto vai sustentar-nos? Quando estava vivo, não foi capaz de submeter qualquer nação, e nós vamos convencer o mundo proclamando o seu nome?” É, portanto evidente que, se não o tivessem visto ressuscitado e não tivessem tido a prova da sua onipotência, não teriam assumido tal risco.
A Constituição dogmática sobre a Igreja “Lumen Gentium”, §§ 24-25 vai nos mostrar que os bispos são os sucessores dos apóstolos para continuar a missão ao dizer: Os bispos, enquanto sucessores dos Apóstolos recebem do Senhor, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra, a missão de ensinar todos os povos e de pregar o Evangelho a toda a criatura, para que todos os homens se salvem pela fé, pelo batismo e pelo cumprimento dos mandamentos (cf Mt 28,18; Mc 16,15-16; At 26,17ss). Para realizar esta missão, Cristo Nosso Senhor prometeu o Espírito Santo aos Apóstolos e enviou-o do céu no dia de Pentecostes para que, com o seu poder, eles fossem testemunhas perante as nações, os povos e os reis, até aos confins da terra (cf At 1,8; 2,1ss; 9,15). Este encargo que o Senhor confiou aos pastores do seu povo é um verdadeiro serviço, significativamente chamado diaconia ou ministério.
Entre os principais encargos dos bispos ocupa lugar preeminente a pregação do Evangelho; com efeito, os bispos são os arautos da fé que para Deus conduzem novos discípulos. Dotados da autoridade de Cristo, são doutores autênticos, que pregam ao povo a eles confiado a fé que se deve crer e aplicar na vida prática; ilustrando-a sob a luz do Espírito Santo e tirando do tesouro da Revelação coisas novas e antigas (cf Mt 13,52), fazem-no frutificar e solicitamente afastam os erros que ameaçam o seu rebanho (cf 2Tim 4,1-4). Ensinando em comunhão com o Romano Pontífice, devem por todos ser venerados como testemunhas da verdade divina e católica. E os fiéis devem conformar-se ao parecer que o seu bispo emite em nome de Cristo sobre matéria de fé ou costumes, aderindo a ele com religioso acatamento.
Na carta aos hebreus vemos a descrição da nova aliança onde Deus ultrapassa a Aliança antiga, que era baseada em ritos exteriores e foi quebrada pela desobediência, mas o Pai não desistiu e quis fazer uma nova e agora eterna aliança e por isto envia o Filho para não valorizar o exterior , mas sim penetrar no mais íntimo de cada homem, na sua mente e no seu coração.
Rezemos com o Salmista: A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus. O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

Leitura: Hb 8,6-13
Salmo: 84
Evangelho: Mc 3,13-19

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