Ano Par › 03/08/2018

Sexta Feira – 17ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãs

Santo de casa não faz milagres! “É só em sua pátria e em sua família que um profeta é menosprezado. E, por causa da falta de confiança deles, operou ali poucos milagres”. A fama de Jesus chegou a sua terra primeiro que Ele.
Imaginemos a situação onde alguma pessoa simples saiu de nossa comunidade e depois volta e começa a pregar; claro que logo começará os questionamentos do tipo Como é que ele faz isso? Onde aprendeu? Quem o ensinou?
E logo a ciumeira e inveja toma conta dos corações e os questionamentos passam a ser do tipo: Será que o padre o autorizou? Quem ele pensa que é, para falar assim com a gente? Será que ele não se enxerga?
Foi exatamente assim com Jesus e será com qualquer um que ouse fazer o que Jesus fez.
Isto acontece porque o Jesus que criamos em nosso imaginário não tem nada a ver com esse Jesus, Ungido de Deus.
A rejeição não chegou a desanimar Jesus e não deve nos desanimar. Jesus entendeu que passava por situação semelhante à dos antigos profetas de Israel. Nenhum deles foi aceito e reconhecido pelo povo ao qual tinham sido enviados.
Nós também muitas vezes não seremos reconhecidos e nem por isso devemos desistir de seguir em frente.
O papa emérito Bento XVI na encíclica Spe Salvi, § 47 nos ensina: “ Alguns teólogos recentes são de parecer de que o fogo que simultaneamente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador. O encontro com Ele é o ato decisivo do Juízo. Ante o seu olhar, funde-se toda a falsidade. É o encontro com Ele que, queimando-nos, nos transforma e liberta para nos tornar verdadeiramente nós mesmos. As coisas edificadas durante a vida podem então revelar-se palha seca, pura fanfarronice e desmoronar-se. Porém, na dor deste encontro, em que o impuro e o nocivo do nosso ser se tornam evidentes, está a salvação. O seu olhar, o toque do seu coração, cura-nos através de uma transformação certamente dolorosa, como pelo fogo. Contudo, é uma dor feliz, em que o poder santo do seu amor nos penetra como chama, consentindo-nos no final sermos totalmente nós mesmos e, por isso mesmo totalmente de Deus. Deste modo, torna-se evidente também a compenetração entre justiça e graça: o nosso modo de viver não é irrelevante, mas a nossa baixeza não nos mancha para sempre, se ao menos continuamos inclinados para Cristo, para a verdade e para o amor. No fim de contas, esta baixeza já foi queimada na Paixão de Cristo. No momento do Juízo, experimentamos e acolhemos este prevalecer do seu amor sobre todo o mal que há no mundo e em nós. A dor do amor torna-se a nossa salvação e a nossa alegria.
No livro de Jeremias o profeta apela para as responsabilidades de todos no que se refere à escuta da Palavra do Senhor. Está em jogo a conversão do povo ou a sua punição. Não basta frequentar o Templo e participar dos ritos, é preciso viver a palavra; pois os que assim não procedem estão como que mortos diante de Deus.

Rezemos com o Salmista: Minha oração, porém, sobe até vós, Senhor, na hora de vossa misericórdia, ó Deus. Na vossa imensa bondade, escutai-me, segundo a fidelidade de vosso socorro. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Jeremias 26, 1-9 
Salmo: Salmos 68, 5. 8-10.14
Evangelho: Mateus 13,54-58

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