Ano Ímpar › 27/02/2017

Segunda Feira – 8ª. Semana Comum

segundaAmados irmãos e irmãs
“Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”.
Quantos de nós não estamos hoje vivendo este mesmo tipo de religião de conveniência onde julgamos que basta cumprirmos os preceitos?
O apego aos bens materiais é o grande entrave para nos libertarmos e quando Jesus diz: “É mais fácil passar o camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar o rico no Reino de Deus”. Ele está se referindo ao animal que para passar pelos buraco nas muralhas das cidades (estes buracos eram conhecidos como agulhas);tinha que tirar as trouxas pois caso contrário não caberiam e aí muitos por estar apegados aos bens materiais contidos nas trouxas não passavam o camelo. É preciso desapego, pois a vida eterna não se compra.
No Evangelho vemos que o homem preferiu ficar com o que já tinha e que lhe dava segurança, do que arriscar-se por algo que Deus lhe oferecia. Isto significa depositar nossa confiança em algo palpável e que se vê e desprezar as realidades do céu que só podem ser vistas pelos olhos da fé.
Aos apóstolos fica a interrogação de quem poderia então salvar-se? E Jesus lhes responde: “Aos homens isto é impossível, mas não a Deus; pois a Deus tudo é possível”.
Ninguém é capaz de manter-se livre diante das riquezas e, portanto, salvar-se, sem a ajuda divina. Com as próprias forças, ninguém será capaz.
São Clemente de Alexandria na homilia “Os ricos podem salvar-se”? nos ensina: “… Se a Lei de Moisés pudesse dar-nos a vida eterna, porque teria o nosso Salvador vindo ao mundo e sofrido por nós, desde o nascimento até a morte, percorrendo toda uma vida humana? Porque se teria este jovem, que tão bem cumpria desde a juventude os mandamentos da Lei, lançado aos sues pés para lhe pedir a imortalidade?
Este jovem observava a Lei na sua totalidade, e a ela se ligara desde a juventude; mas percebe bem que, se nada falta a sua virtude, lhe falta, contudo a vida. Jesus não lhe censura a falta de cumprimento da Lei, mas olha-o com afeto, emocionado com a sua aplicação de bom aluno. Contudo, diz-lhe que é ainda imperfeito: é bom trabalhador da Lei, mas preguiçoso para a vida eterna. A Lei santa é como um pedagogo que orienta para os mandamentos perfeitos de Jesus e para a sua graça. Jesus é o cumprimento da lei, para justificar todo aquele que nele crê. (Rm 10,4)
O livro do Eclesiástico nos traz sábios ensinamentos ao nos mostrar que devemos nos afastar dos ímpios e caminhar com o povo santo e lembramos aqui que povo santo é o povo de Deus e esta foi a definição dada pelo Concílio Vaticano II para a Igreja. Diz-nos ainda: “… após a morte nada mais há, o louvor terminou. Glorifica a Deus enquanto viveres; glorifica-o enquanto tiveres vida e saúde”. Ao ler este versículo lembramo-nos daquelas homenagens que são feitas nas câmaras municipais e outros órgãos a pessoas ilustres que já morreram. Dão placa e flores aos familiares ou nome de rua e praça e muitos perguntam o porquê de não ter feito isto quando a pessoa ainda era viva, pois era ela a homenageada. Neste versículo nos é ensinado que depois de morto nada mais podemos fazer então façamos enquanto vivos.
Rezemos com o Salmista: Eu confessei, afinal, meu pecado e minha falta vos fiz conhecer. Disse: “Eu irei confessar meu pecado!” E perdoastes, Senhor, minha falta. Todo fiel pode, assim, invocar-vos durante o tempo da angústia e aflição, porque, ainda que irrompam as águas, não poderão atingi-lo jamais. Sois para mim proteção e refúgio; na minha angústia me haveis de salvar e envolvereis a minha alma no gozo da salvação que me vem só de vós.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Eclesiástico 17, 20-28
Salmo: 31/32
Evangelho:Marcos 10,17-27

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