Ano Ímpar › 20/05/2019

Segunda Feira – 5ª. Semana da Páscoa

Amados irmãos e irmãs

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23).
O amor não é uma ideia, nem são palavras. Para Santo Inácio de Loyola, “o amor se põe mais em gestos que em palavras”. O Pai intervém nesta dinâmica de amor, amando a quem ama o seu Filho e ali fazendo morada o que por consequência implica também em morada do Espírito Santo, pois onde esta o Pai e o Filho aí está o Espírito, ou seja, a Trindade que não se separa, o Deus que é uno e trino.
Se levarmos ao pé da letra a expressão guardar a palavra podemos imaginar que significa trancar a Bíblia em um cofre de segurança máxima; podemos imaginar de gravar em CD,DVD ou em um pen drive e também armazenar em local seguro com senhas mil, etc. Mas não é ao pé da letra ou literalmente que se deve olhar para os ensinamentos de Jesus e é para isto que existe o Magistério da Igreja que vem em nosso socorro para dizer que este guardar significa fazer o que Maria fez em Lc 2,19 ; Lc 2,52.” Guardava tudo no coração..”
Guardar também significa vigiar e zelar para que ninguém a deturpe, para que ninguém acrescente ou retire uma vírgula sequer. Após mais de dois milênios de história, a Sagrada Escritura chegou até nós inalterada e no Segundo Testamento encontramos a experiência das primeiras comunidades, todas surgidas a partir de um único evangelho, de um único testemunho apostólico e pelo qual muitos deram a vida.
O papa emérito Bento XVI ao comentar este Evangelho nos disse: “Diferentemente das palavras Pai e Filho, o nome do Espírito Santo, a terceira pessoa divina, não é a expressão de uma especificidade; designa pelo contrário, o que é comum a Deus. Ora é justamente aí que aparece o que é próprio a terceira pessoa; Ela é o que é comum, a unidade do Pai e do Filho, a Unidade em pessoa. O Pai e o Filho são um na medida em que vão para além de si próprios; são um nessa terceira pessoa, na fecundidade do dom. Tais afirmações não poderão nunca ser mais do que aproximações; não podemos reconhecer o Espírito a não ser através dos seus efeitos. Consequentemente, a Escritura nunca descreve o Espírito em si mesmo; só fala da maneira como Ele vem ao homem e como se diferencia dos outros espíritos.
Judas Tadeu pergunta: “Senhor, porque é que te manifestas a nós e não ao mundo?” A resposta de Jesus parece passar ao lado desta pergunta: “Se alguém me ama, viverá segundo a minha palavra, nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada”. Na verdade é a resposta exata à pergunta do discípulo e à nossa pergunta sobre o Espírito. Não se pode expor o Espirito de Deus como uma mercadoria. Só o pode ver aquele que o traz em si. Ver e vir, ver e permanecer, andam aqui juntos e são indissociáveis. O Espírito Santo permanece na palavra de Jesus e não se obtém a Palavra com discursos, mas através da constância, através da vida.
No livro dos Atos dos apóstolos nós vemos com quão facilidade somos levados a idolatrar pessoas, colocando-as no lugar de Deus como se deuses fossem. Hoje em dia é muito comum principalmente em relação a músicos e pregadores que usam as mídias sociais; acontecer de se tornarem ídolos no imaginário popular. Os apóstolos tiveram o discernimento do Espírito Santo para não se deixar contagiar e disseram firmemente: “Homens, clamavam eles, por que fazeis isso? Também nós somos homens, da mesma condição que vós, e pregamos justamente para que vos convertais das coisas vãs ao Deus vivo… ”

Rezemos com o Salmista: É nos céus que está o nosso Deus, ele faz tudo àquilo que quer. São os deuses pagãos ouro e prata, todos eles são obras humanas. Abençoados sejais do Senhor, do Senhor que criou céu e terra! Os céus são os céus do Senhor, mas a terra ele deu para os homens. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 14,5-18
Salmo: 113b
Evangelho: João 14,21-26

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