Ano Ímpar › 01/05/2017

Segunda Feira – 3ª Semana da Páscoa

18193793_1304409609644261_2470900807545446507_nAmados irmãos e irmãs
“Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu sinal”. É preciso procurar o Senhor pelo Senhor! Buscar Jesus pelo que Ele é e não pelo que Ele faz!
Precisamos entender que o discipulado significa comprometimento com o evangelho e com o Reino que Jesus quer instaurar. Esta falta de entendimento é comum num Cristianismo sem compromisso, religião que leva as pessoas a buscar vantagens pessoais e atender necessidades materiais.
A Igreja não foi deixada por Jesus para ser um posto de autoatendimento ou venda de serviços como se pudesse dizer que aceitar Jesus é sinônimo de riqueza, prosperidade e felicidade terrena; Jesus quer que busquemos as coisas do alto (do céu); sem, no entanto deixar de viver as realidades terrenas.
Vemos no evangelho que Jesus atraía multidões muito mais pelo que fazia do que pelo que Ele era e por isto Jesus os adverte de que não queria ser procurado na qualidade de milagreiro; mas sim queria ser reconhecido como Filho de Deus, como alimento especial que é seu próprio Corpo e Sangue. (Eucaristia).
São João Crisóstomo bispo e doutor da Igreja em suas Homilias sobre o Evangelho de Mateus, nº 82, 5 nos ensina que: Os judeus comiam a refeição da Páscoa em pé, com as sandálias nos pés e o cajado na mão; comiam-na à pressa (cf Ex 12,11). Tu ainda tens mais razão para te manteres vigilante! Eles apressavam-se para partir para a Terra Prometida e comportavam-se como viajantes; tu encaminhas-te para o céu. É por isso que temos de estar sempre em guarda. Os inimigos de Cristo bateram no seu santíssimo corpo sem saberem o que faziam (cf Lc 23,34); e tu recebê-Lo-ias com a alma impura depois de tantos benefícios que Ele te fez? Pois Ele não Se contentou em se fazer homem, em ser flagelado e morto; no seu amor, quis também unir-se a nós, identificar-se conosco não apenas pela fé, mas realmente, pela participação no seu próprio corpo.
Considera a honra que recebes e a que mesa és conviva. Aquele que os anjos não vêem sem tremer, Aquele para quem não ousam sequer olhar sem temor por causa do esplendor da glória que lhe irradia da face, é desse que fazemos nosso alimento, tornando-nos um só corpo e uma só carne com Ele. Que pastor alguma vez alimentou as suas ovelhas com a sua própria carne? Acontece muitas vezes as mães confiarem os filhos a amas. Cristo não faz isso; Ele alimenta-nos com o Seu próprio sangue, torna-nos um só corpo com Ele.
Vejam as palavras de padre Léo scj no leito de morte: “Quer ser feliz? Busque as coisas do Alto. Esta é a grande palavra que Deus trouxe ao meu coração neste tempo. A doença me tirou tudo: não consigo mais andar sozinho, não enxergo direito. Estou cego do olho direito e vejo apenas cerca de 40% com o olho esquerdo. Mas veio ao meu coração: “Ai de mim se eu não evangelizar” (1 Coríntios 9,16b). O câncer tira tudo de nós, tira a nossa dignidade. Nós nos tornamos como um “trapo” em cima da cama. Passei muita vergonha diante até de pessoas desconhecidas, que precisavam trocar as minhas fraldas.
Mas permanece a Fé. Essa ninguém tira. Quem tem Fé não perdeu nada, pois ela nos projeta quando estamos mais cansados e doloridos. A Palavra de Deus diz: “Vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3,3). Tenho dó de quem não tem fé, pois esta é a única coisa que não nos será tirada. Eu já tinha dó de gente feia, agora tenho muito mais de quem não tem Jesus.
Na leitura dos Atos dos Apóstolos vemos mais uma vez a questão das falsas testemunhas e que na liturgia do decorrer desta semana veremos que causará mais uma morte. Não é coisa do tempo da Igreja primitiva, mas também em nossos dias mais do que possamos imaginar algumas pessoas se prestam a tal papel, ou seja, de testemunhar o que não viu e nem ouviu para levar vantagem na maioria das vezes pecuniária; não importando se com tal procedimento uma vida seja ceifada.
No caso de nossas comunidades mais do que a vida corpórea o que se mata é a vida espiritual; pois a inveja e ciúme por não puçás vezes faz com que inúmeros irmãos abandonem a fé pela falta de testemunho daqueles que estão em nossas comunidades.
Rezemos com o Salmista: Eu vos narrei a minha sorte e me atendestes, ensinai-me, ó Senhor, vossa vontade! Fazei-me conhecer vossos caminhos e então meditarei vossos prodígios! Afastai-me do caminho da mentira e dai-me a vossa lei como um presente! Escolhi seguir a trilha da verdade, diante de mim eu coloquei vossos preceitos. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 6,8-15
Salmo: 119
Evangelho: João 6,22-29

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