Ano Ímpar › 23/10/2017

Segunda Feira – 29ª. Semana Comum

22366424_1461990570552830_3124073365346473571_nAmados irmãos e irmãs
“Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas”.
A palavra de ordem para a liturgia de hoje é “ganância” contra a qual devemos empreender todas as forças para não cair em suas garras.
A maioria das pessoas nos tempos atuais perde o sono pensando em como sobreviver e pagar tantas contas. Aqueles que são tementes a Deus também se preocupam, mas em menor escala e não se desesperam; pois sabem de onde lhes virá o socorro.
Infelizmente temos também os ricos que perdem o sono, mas pelo motivo contrário, pois não sabem o que fazer com suas fortunas. Eles depositam toda sua segurança e felicidade apenas nos bens deste mundo e desprezam por completo as realidades celestiais. Eles perdem toda a sua existência correndo atrás das riquezas materiais. E tudo não passa de vaidade, pois creem possuir, mas na verdade são possuídos! Estes ao final da caminhada terrena se decepcionam, pois percebem que toda a riqueza não lhes servirá para nada.
Jesus não está a condenar o possuir, mas sim a nossa maneira de possuir. O verdadeiro tesouro tem aquele que partilha seus bens e sua riqueza com os pobres dando aos mesmos a alegria.
Isaac, o monge sírio em seus Discursos ascéticos, 1ª série, nº 38 nos ensina: Senhor torna-me digno de desprezar a minha vida pela vida que há em Ti. A vida neste mundo parece-se com aqueles que se servem das letras para formar palavras, acrescentando, truncando e mudando as letras a seu bel-prazer. Mas a vida do mundo que há de vir parece-se com aquilo que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, onde nada há a acrescentar e onde nada falta. Portanto, enquanto estivermos no meio da mudança, estejamos atentos as nós próprios. Enquanto tivermos poder sobre o manuscrito da nossa vida, sobre aquilo que escrevemos com as nossas mãos, esforcemo-nos por lhe acrescentar o bem que fazemos e apagar os defeitos da nossa conduta anterior. Enquanto estivermos neste mundo, Deus não coloca o seu selo, nem sobre o bem nem sobre o mal; só o fará na hora do nosso êxodo, quando a obra estiver acabada, no momento da partida.
Como disse Santo Efrém, é preciso considerar que a nossa alma é como um navio, pronto para a viagem, mas que não sabe quando virá o vento; ou como um exército, que não sabe quando vai soar a trombeta, anunciando o combate. Se ele fala assim do navio ou do exército, que esperam uma coisa que talvez nem chegue, como não teremos nós de nos preparar com antecedência, antes que esse dia venha de modo brusco, que seja lançada a ponte e se abra a porta do mundo novo! Possa Cristo, o Mediador da nossa vida, permitir que estejamos preparados.
O beato John Henry Newman no Sermão Watching, PPS, t. 4, n° 22, nos diz: Tomai cuidado, vigiai, pois não sabeis quando chegará esse momento (Mc 13,33). Pensemos neste assunto tão sério que nos diz respeito de forma muito íntima: que quer dizer vigiar na expectativa de Cristo? Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar o galo, se de manhãzinha; não seja que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: vigiai! (v. 35ss). Consideremos aqueles que têm boas qualidades e praticam a religião de certa forma e até certo ponto, mas não vigiam. Não compreendem que são chamados a ser estrangeiros e peregrinos sobre a terra (Hb 11,13), que a sua sorte terrena e os seus bens terrenos são uma espécie de acidente da sua existência e que, na verdade, nada possuem. Não há dúvida de que muitos membros da Igreja vivem assim e não saberiam nem estão prontos a acolher imediatamente o Senhor quando Ele vier. Que tomada de consciência emocionante e grave é para nós saber que Ele próprio nos chamou a atenção precisamente para esse perigo, o perigo de deixar que, por qualquer razão, a atenção dos seus discípulos se desviasse dele. Ele preveniu-os contra todas as agitações, todos os atrativos deste mundo, preveniu-os de que o mundo não estaria preparado quando Ele viesse; suplicou-lhes com ternura que não tomassem o partido deste mundo. Preveniu-os através dos exemplos do homem rico a quem pedem contas da alma durante a noite, do servo que comia e bebia (Lc 12,45), das virgens insensatas (Mt 25,2). O cortejo do Esposo passa majestosamente, nele seguem os anjos, os justos que se tornaram perfeitos, as criancinhas, os santos doutores, os santos vestidos de branco, os mártires lavados no seu sangue: a sua Esposa está preparada, pôs-se bela (Ap 19,7), mas muitos de nós ainda estamos a dormir.
Na leitura da carta de são Paulo aos romanos vemos que Abraão não duvidou por falta de fé, mas ficou mais forte na fé e deu glória a Deus, apesar da promessa divina estar longe e não se ter garantias da sua realização. Nós cristãos somos chamados à mesma fé abrâmica; e com mais razão uma vez que para nós já não é mais uma promessa, mas, ao contrário de Abraão, em Cristo as promessas de Deus se realizaram. Como Paulo nós podemos dizer: sei em quem acreditei! Em Cristo a fonte da vida, da alegria, da paz.
Rezemos com o Salmista: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou. Fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Rm 4,20-25
Salmo: Lc 1,69-75
Evangelho: Lucas 12,13-21

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