Ano Par › 10/09/2018

Segunda Feira – 23ª. Semana comum

Amados irmãos e irmãs 

“Pergunto-vos se no sábado é permitido fazer o bem ou o mal; salvar a vida, ou deixá-la perecer”.
Deus é justo, mas não é legalista! Ser legalista é aplicar a lei mesmo que a justiça não seja feita. Os fariseus eram legalistas e por isto ficavam na espreita esperando que alguém e no caso Jesus não observasse a lei para poder criticar.
Para nós cristãos, o dia do Senhor é o domingo; mas nem por isto vamos criticar o médico que faz cirurgia de emergência neste dia ou o bombeiro e o policial que trabalham neste dia ou ainda quem trabalha em restaurantes, etc. No entanto para os cristãos católicos que em sua maioria estão de folga é dia de participar da missa, de almoçar e estar com a família. Infelizmente o que muitos fazem é transformar o domingo no dia do “deus” shopping Center, etc.
Que espaço damos a Jesus Cristo, nosso Deus e Salvador, em nosso domingo?
A Lei de Deus deve proteger o dom da vida e da liberdade. Este é o princípio através do qual Jesus interpreta e pratica a Lei. Daí a pertinência da pergunta de Jesus aos escribas e fariseus: “Eu vos pergunto: em dia de sábado, o que é permitido, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer?”.
Santo Atanásio, bispo de Alexandria e doutor da Igreja nos seus escritos contra os pagãos, 40; SC 18 nos ensina que a cura ao sábado é símbolo da conclusão da criação. Diz ele que este mundo é muito bom, tal como foi feito e tal como o vemos, porque Deus o quer assim: ninguém pode duvidar disso. Se a criação fosse desordenada, se o universo evoluísse ao acaso poder-se-ia pôr em causa esta afirmação. Mas como o mundo foi feito com sabedoria e ciência, de modo racional e lógico, posto que foi ornado de toda a beleza, é preciso que Aquele que a ele preside e que o organizou não seja senão a Palavra de Deus, o seu Verbo, o seu Logos.
Sendo a boa Palavra do Deus de bondade, foi esse Verbo que dispôs a ordem de todas as coisas, que reuniu os contrários com os contrários para com eles formar uma só harmonia. É Ele, poder e sabedoria de Deus (1Cor 1,24), que faz girar o céu, que tem a terra suspensa e que, sem que ela assente em nada, a mantém com a sua própria vontade (Hb 1,3). O sol ilumina a terra com a luz que recebe dele, e a lua recebe a sua medida da sua luz. Por Ele a água fica suspensa nas nuvens, as chuvas regam a terra, o mar mantém-se nos seus limites, a terra cobre-se de toda a espécie de plantas (Sl 103). A razão de esta Palavra, Verbo de Deus, ter vindo até às criaturas é verdadeiramente admirável. A natureza dos seres criados é passageira, fraca, mortal; mas, sendo por natureza bom e excelente, o Deus do universo ama os homens. Assim, vendo que, entregue a si própria, toda a natureza criada se esvai e se dissolve, para evitar que isso aconteça e para que o universo não regresse ao nada, Deus não o abandona às flutuações da sua natureza. Na sua bondade, com o seu Verbo, Ele governa e mantém toda a criação, que não sofre, portanto, o destino que teria se o Verbo não cuidasse dela, isto é, a aniquilação. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criatura; porque foi nele que todas as coisas foram criadas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tudo nele subsiste. Ele é a cabeça do Corpo, que é a Igreja.
Na carta de Paulo os cristãos da comunidade de corinto pensavam ter atingido o auge da perfeição e orgulhavam-se disso, não se dando conta de que havia entre eles uma imoralidade até maior do que a dos pagãos. Esta imoralidade consistia no fato de que um membro da comunidade tinha cometido incesto e a comunidade não o tinha expulsado. Não devemos deixar de ser misericordioso, mas todo cristão deve se lembrar de que misericórdia e justiça caminham juntas. Assim lá como nos dias atuais não podemos fechar os olhos e ignorar os escândalos morais em nossas comunidades pois isto é conivência com o pecado.
Rezemos com o Salmista: Não sois um Deus a quem agrade a iniquidade, não pode o mau morar convosco; nem os ímpios poderão permanecer perante os vossos olhos. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 1Cor 5,1-8
Salmo: 5
Evangelho: Lc 6,6-11

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