Ano Par › 30/07/2018

Segunda Feira – 17ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãs
“O Reino de Deus é como um homem que lança a semente a terra. A semente brota e cresce, sem ele o perceber; pois a terra por si mesma produz”.
Assim também todos aqueles que pregam a Palavra de Deus não devem se preocupar em querer por esforço humano fazê-la brotar; pois a Palavra age por força dela mesma e pela ação do Espírito.
A conclusão a que chegamos é que não é a beleza física ou a eloquência ou ainda o número de títulos e diplomas do pregador que irá converter os corações.
Nossa missão como cristãos é lançar a semente na terra e esperar. O Reino de Deus exige empenho de semear; pois não seremos nó que faremos brotar e crescer. A impaciência do discípulo pode colocar em risco toda sua pregação e aqui lembro o que sempre falamos em nossa comunidade para tomar cuidado quando tiver ímpetos de querer ajudar Deus a fazer as coisas acontecerem.
Quando era criança minha mãe colocava a galinha para chocar os ovos e na parede marcava os dias e eu ficava esperando chegar o vigésimo primeiro dia para levantar a galinha e ver os pintinhos nascidos e aí me deparava com aqueles ovos trincados; então para ajudá-los a nascer mais depressa eu os quebrava e tirava o pintinho de dentro da casca e colocava embaixo da galinha e é claro que a maioria morria; pois eu estava a desrespeitar a natureza das coisas.
O discípulo impaciente se desespera pela lentidão das coisas e não acredita que uma pequenina semente de mostarda pode se tornar uma árvore.
Às vezes olhamos ao nosso redor e nos desesperamos dizendo que não tem mais jeito, que tudo está perdido; porém nós cristãos não podemos agir assim, devemos sempre acreditar na força e poder do nosso Deus. Lembro aqui das palavras do Beato John Henry Newman que dizia: “Tal é o Reino escondido de Deus: do mesmo modo que está agora escondido, assim será revelado no momento certo. Quem poderia conceber, dois ou três meses antes da Primavera, que a face da natureza, aparentemente morta, pudesse tornar-se tão esplêndida e variada? O mesmo acontece com essa Primavera eterna que todos os cristãos esperam: ela virá, ainda que venha tarde. Esperemo-la, pois O que há de vir, virá e não tardará. É por isso que dizemos em cada dia: Venha a nós o Vosso reino.
O Papa Francisco na Exortação apostólica Evangelii Gaudium / A alegria do evangelho §§111-114 nos ensina: “O Reino do Céu é semelhante ao fermento”. Todo o povo de Deus anuncia o evangelho. A evangelização é dever da Igreja. Este sujeito da evangelização, porém, é mais do que uma instituição orgânica e hierárquica; é, antes de tudo, um povo que peregrina para Deus. A salvação, que Deus realiza e a Igreja jubilosamente anuncia, é para todos, e Deus criou um caminho para se unir a cada um dos seres humanos de todos os tempos. Escolheu convocá-los como povo, e não como seres isolados (Vaticano II, LG 9). Ninguém se salva sozinho, isto é, nem como indivíduo isolado, nem pelas suas próprias forças. Deus atrai-nos, no respeito pela complexa trama de relações interpessoais que a vida numa comunidade humana pressupõe. Este povo, que Deus escolheu para si e convocou, é a Igreja. Jesus não diz aos Apóstolos para formarem um grupo exclusivo, um grupo de elite. Jesus diz: Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos (Mt 28,19); e São Paulo afirma que no povo de Deus, na Igreja, não há judeu nem grego, porque todos sois um só em Cristo Jesus (Gal 3,28). Gostaria de dizer àqueles que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo e aos indiferentes: o Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor! Ser Igreja significa ser povo de Deus, de acordo com o grande projeto de amor do Pai. Isto implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade; quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, que deem esperança e novo vigor para o caminho. A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viver segundo a vida boa do Evangelho.
Na leitura da profecia de Jeremias vemos a parábola onde a faixa cingida e depois enterrada na lama, tem um duplo simbolismo: como a faixa adere ao corpo de quem a cinge, assim Israel era chamado a aderir ao Senhor, respondendo positivamente à Aliança com que Deus, por primeiro, se tinha ligado a ele. Mas, porque o povo tinha quebrado a Aliança, tornou-se como uma faixa podre, sem qualquer valor.

Rezemos com o Salmista: Esqueceram o Deus que os gerou. Da rocha que te deu à luz, te esqueceste, do Deus que te gerou, não te lembraste. Vendo isso, o Senhor os desprezou, aborrecido com seus filhos e suas filhas. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Jeremias 13,1-13
Salmo: Dt 32
Evangelho: Mateus 13,31-35

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