Ano Par › 09/07/2018

Segunda Feira – 14ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãs
“Senhor, minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe-lhe as mãos e ela viverá”.
Aqui vemos a fé de alguém que era um chefe na sinagoga, mas que curvou e reconheceu em Jesus o Messias capaz de devolver a vida a sua filha.
Jesus reanima a vida daquela que estava morta; para nós cristãos a morte deve ser comparada ao sono, algo transitório, pois cremos que em Cristo seremos acordados do sono da morte para possuir a vida eterna na ressurreição.
Entre a menina morta e Jesus havia no meio do caminho uma mulher com hemorragia; perdendo sangue. Os judeus a considerava impura e quem nela tocasse se tornaria impuro; mas Jesus estava acima deste preceito, pois quem nele toca não o torna impuro, mas se purifica de toda doença, de todo mal e de todo o pecado.
Jesus não ressuscitou todos os que no seu tempo faleceram, no Evangelho temos apenas três citações que são a de hoje, a do filho da viúva de Naim e a de Lázaro de Betânia. Isto deve significar para nós que o que Jesus quer de cada um de nós é que nos preparemos para passar pela experiência da morte para esta vida e assim alcançar a vida eterna.
Santo Agostinho, bispo e doutor nos Sermões sobre o Evangelho de João nos diz: No Evangelho, vemos três mortos ressuscitados por Nosso Senhor, porque as ações do Senhor não são apenas fatos mas também sinais. Ficamos surpreendidos com a narração da ressurreição de Lázaro (Jo 11); mas, se fixarmos a nossa atenção noutras obras de Cristo, bem mais admiráveis, veremos que todos os homens que acreditam, ressuscitam. E, se quisermos refletir seriamente, compreenderemos que há mortes muito mais terríveis e que qualquer homem que pecar morre. Todos temem a morte do corpo; e muito pouco a morte da alma. O homem faz tudo para escapar à morte que não pode evitar, e este mesmo homem, que é chamado a viver eternamente, nada faz para evitar o pecado. Oh, se pudéssemos despertar os homens da sua apatia, e despertarmos nós próprios, para amarmos a vida eterna com o mesmo ardor com que eles amam esta vida fugitiva! Se dissermos a um homem que atravesse os mares para evitar a morte, ele hesita? Se lhe dissermos que tome os maiores cuidados para não morrer, fica de braços cruzados? Eis que Deus nos pede coisas mais leves para obtermos a vida eterna e nós recusamo-nos a obedecer.
Se Nosso Senhor, pela sua grande graça e a sua grande misericórdia, ressuscita as nossas almas para as salvar da morte eterna, temos razão para ver nos três mortos cujo corpo Ele ressuscitou o símbolo e a prefiguração da ressurreição das almas operada pela fé.
Os milagres de Jesus continuam a acontecer ainda hoje e muitos não percebem justamente por ficar a procura de grandes portentos. É nas pequenas coisas do cotidiano que grandes milagres acontecem.
Outro ensinamento importante é o de que nós também por vezes devemos interromper nossa pregação, a nossa oração e as vezes até o devocionismo exagerado para ir ao encontro daqueles que estão pelo caminho sujos pelo sangue ou adormecidos pela morte.
São Clemente, papa na Carta aos Coríntios, §§ 24-28; SC 167 nos ensina: “Notemos, meus bem-amados, que o Senhor não cessa de nos mostrar a ressurreição futura de que nos deu as primícias ao ressuscitar de entre os mortos o Senhor Jesus Cristo. Observemos bem amados, as ressurreições que acontecem periodicamente. O dia e a noite faz-nos ver uma ressurreição: a noite deita-se, levanta-se o dia; o dia desaparece, vem a noite. Reparemos nos frutos: como se fazem as sementeiras? O que acontece? Sai o semeador e lança na terra diversas sementes. Estas caem, secas e nuas, na terra e desagregam-se. Depois, a partir dessa mesma decomposição, a magnífica providência do Mestre fá-las reviver e dum só grão surgem imensos que, por sua vez, crescem e dão frutos. Acharemos, pois, estranho e extraordinário que o Criador do universo faça ressuscitar aqueles que o serviram fielmente e com a confiança duma fé perfeita? Com essa esperança, que os nossos corações se apeguem então Àquele que é fiel às suas promessas e justo nos seus julgamentos. Ele, que nos proibiu de mentir (Ex 20,16), pela mesmíssima razão também não mente. Nada é impossível a Deus, exceto mentir (Jr 32,17; Lc 1,37; Heb 6,18). Reavivemos, pois, a nossa fé nele e entendamos que Ele tudo pode.
Com uma palavra da sua onipotência, Ele formou o universo e com uma palavra pode aniquilá-lo. Ele fará todas as coisas quando quiser e como quiser. Nada desaparecerá jamais daquilo que Ele tiver decidido. Tudo está presente diante dele e nada escapa à sua providência.
No livro do profeta Oséias vemos um episódio interessante onde ele se casa com uma prostituta a quem muito ama e usa desta relação para comparar a relação de Deus com Israel. Israel é a prostituta e Oseias por mandato divino retoma a esposa infiel para manifestar o drama de um Deus de tal modo fiel a Israel, que não hesita em perdoar e recomeçar.

Rezemos com o Salmista: Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Os 2,16. 17b-18.21-22
Salmo: 144 
Evangelho: Mateus 9, 18-26

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