Ano Ímpar › 01/07/2019

Segunda – Feira 13ª Semana Comum – Ano Impar 01/07/2019


Amados irmãos e irmãs
“As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.
O discípulo missionário de Jesus precisa ter consciência de que o seguir Jesus deve acontecer na pobreza. Quem pensa seguir Jesus para ficar rico e garantir a própria segurança, está equivocado; pois como vimos Jesus não tinha onde reclinar a cabeça.
Quantas e quantas vezes nós não vemos pessoas da comunidade que ao saírem de um retiro ou encontro se deixam levar pela empolgação e prometem mil e uma peripécias; mas que com o passar dias vai esfriando e tudo volta como era antes.
E o que dizer daqueles que dão eternas desculpas como o esperar, vou fazer de tudo pela comunidade. Conheci um que fazia planos após a aposentadoria , o ganhar na mega sena; ou o que quer ser eleito para um cargo político; ou esperar o pároco sair, e por aí vai. Claro que nenhum deles entenderam o versículo acima.
Nossa comunidade vive da providência, ou seja, não aceitamos fazer rifas, bingos, quermesses e jantares e muitos nos criticam; mas sempre dizemos: ou acreditamos ou não acreditamos na providência de Deus; o certo é que há dez anos vivemos assim.
Quando Jesus deu a ordem de segui-lo, sem esperar pela morte e sepultamento do próprio pai; Ele não quis dizer que devemos desprezar nossos familiares; mas sim que devemos colocar nossa opção pelo reino em primeiro lugar. Gostaria aqui de testemunhar que acompanho há muitos anos os missionários claretianos e acompanhei as irmãs do colégio de Jesus Maria e José e o que mais me entristecia é que quando algum deles falecia por vezes sequer havia quem pudesse carregar o caixão até o carro da funerária. Esta é a tradução literal do que Jesus disse a respeito de não ter onde recostar a cabeça.
O verdadeiro discípulo de Jesus nunca deixa para depois; pois sabe que o Reino é agora.
Santo Afonso Maria de Ligório bispo e doutor da Igreja em seu discurso para a novena de Natal, n°8 nos diz: “Certamente, há na terra príncipes compadecidos para quem é uma alegria consagrar os tesouros que têm à ajuda dos pobres; mas alguma vez vimos um rei que, para ajudar os pobres, tenha adotado a sua condição de pobreza como fez Jesus Cristo? Conta-se como sendo um prodígio de caridade que o rei Santo Eduardo, tendo encontrado no caminho um mendigo paralítico e desprezado por todos, o tomou afetuosamente aos ombros e o deixou na igreja. Claro que esse gesto foi de grande de caridade, sensibilizou os povos e os encheu de admiração; mas, depois deste ato, Santo Eduardo não abandonou nem a realeza nem as riquezas que possuía.
Pelo contrário, Jesus, Rei do céu e da terra, não se contenta, para salvar o homem, sua ovelha perdida, em descer do céu à procura dela nem em pô-la aos ombros (Lc 15,5): não hesita em se despojar da sua majestade, das suas riquezas e das suas honrarias. Faz-se pobre […], o mais pobre de todos os homens. São Pedro Damião diz que Ele esconde a sua púrpura, quer dizer, a sua majestade divina, sob a aparência de um pobre operário. São Gregório Nazianzeno escreve: Aquele que dá aos ricos as suas riquezas escolheu para si mesmo a pobreza, a fim de nos alcançar, pelos seus méritos, não os bens miseráveis e perecíveis da terra, mas os bens celestes que são imensos e eternos. O seu exemplo convida-nos a desapegarmo-nos das riquezas deste mundo, que nos colocam em perigo de nos perdermos para sempre (cf Mc 10,23).
No livro do Gênesis vemos que Abraão intercede por Sodoma e o interessante é que ele pede por todos, mas desconfia que nem todos podem ser salvos e assim vai diminuindo número daqueles que poderiam ser salvos. Se transportássemos para hoje esta pergunta em relação aos membros de nossa comunidade com certeza teríamos a mesma dificuldade de Abraão, ou seja, será que encontraríamos dez justos na acepção da palavra em nossa comunidade?

Rezemos com o Salmista: O Senhor é indulgente, é favorável. É paciente, é bondoso e compassivo. Não fica sempre repetindo as suas queixas nem guarda eternamente o seu rancor. Não nos trata como exigem nossas faltas. Nem nos pune em proporção às nossas culpas.
Quanto os céus por sobre a terra se elevam. Tanto é grande o seu amor aos que o temem.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Gênesis 18, 16-33
Salmo: 102/103
Evangelho: Mateus 8,18-22

Imprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *