Ano Ímpar › 26/06/2017

Segunda Feira – 12ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãssegunda
No evangelho, Jesus recomenda que não julguemos os outros. Ele também não julgou, mas entregou-se para salvação de todos. Deu a vida para que todos tenham vida. O seu juízo sobre o mundo é a cruz, um amor sem limites e misericordioso para com todos, sem qualquer exceção.
Nos dias de hoje em nossas comunidades o grande pecado ainda são as divisões e as tais lideranças que se preocupam excessivamente só com a sua pastoral ou movimento, não dando muita importância a comunhão com a paróquia como um todo. Tomem cuidado irmãos com aquelas pessoas que apesar de toda a aparência de piedade só abre a boca para falar da trave do olho dos outros e falam mal dos padres, do bispo e da Igreja; pode até parecer que se trate de algum fofoqueiro; mas mesmo na inocência pode existir segundas intenções em tudo isto. O fofoqueiro aponta o erro do outro por vício, o falso aponta o erro para prejudicar e o cristão aponta o erro para corrigir fraternalmente.
Hoje o que mais leva a pessoa de forma consciente tornar se falso profeta é a questão econômica. “Por avareza, procurarão, com discursos fingidos, fazer de vós objeto de negócios…” (2Pd 2,1-3). Os falsos profetas pregam uma coisa, mas fazem outra; ou seja, seus frutos (vida e obras) não condizem com a semente que lançou pela boca (palavra) e aparência externa.
A vida comunitária exige que cada um acolha os outros como realmente são, com a sua personalidade e funções, com as suas iniciativas e limitações. Não devemos julgar ninguém.
Devemos sim fazer a correção fraterna tem o objetivo de educar, de ajudar o irmão a vencer os seus defeitos, mais não tem o objetivo de condená-lo. Precisamos e devemos corrigir os nossos filhos, os nossos alunos, os nossos funcionários, enfim, os nossos irmãos. De preferência, chamando-os num canto, e colocando às claras o que eles têm feito de errado e que não pode de jeito algum continuar, para o bem daquela comunidade, para o bem da Igreja, da empresa, da firma, para o seu próprio bem. Mas excluir este irmão da comunidade é o mesmo que condená-lo. E, uma comunidade que prega a inclusão não pode em hipótese alguma, excluir em nome de Jesus, por que Jesus não excluiu. Não podemos negar que existem pessoas perigosas, doentes mentais, psicopatas, etc., pessoas que a gente só pensa que existem em filmes de suspense ou de terror. Quanto a estes, realmente precisamos ter cuidados especiais, entregando-os para Deus, rezando muito por eles, mais não nos esquecendo de orientá-los a procurar auxílio médico.
Santa Teresa de Ávila, carmelita descalça e doutora da Igreja em sua obra O castelo interior, 5ª morada, 3, 10-11 nos ensina “ Minhas irmãs: como é fácil reconhecer entre vós aquelas que têm verdadeiro amor ao próximo e aquelas que o têm num grau inferior! Se compreendêsseis bem a importância desta virtude, não teríeis outra preocupação. Quando vejo pessoas muito ocupadas em examinar o seu recolhimento e tão imersas em si mesmas quando o praticam que nem ousam mexer-se para não desviar o pensamento, com medo de perderem um pouco do gosto e da devoção que aí encontram, penso que compreendem muito mal o caminho que conduz à união. Imaginam que a perfeição consiste nessa maneira de fazer as coisas.
Não, minhas irmãs, não. O Senhor quer obras. Quer, por exemplo, que se virdes uma doente a quem podeis aliviar, deixeis de lado as vossas devoções para lhe dar assistência, e que lhe testemunheis compaixão, que o seu sofrimento seja o vosso, e que, se necessário, jejueis para que ela tenha o alimento necessário. E tudo isto não tanto por amor dela, mas porque é essa a vontade do nosso Mestre. Eis a verdadeira união com a sua vontade.
Na leitura do livro de Gênesis o amor de Deus por Abraão gera a grande promessa: Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e será uma fonte de bênçãos. Sem que tivesse garantia nenhuma nosso Pai na fé confiando na palavra do Senhor obedeceu. Na caminhada muitas decepções, mas foi assim que Deus educou Abraão, e ainda hoje educa cada um de nós, a sermos desapegados. Se fecharmos no nosso egoísmo nada acontece. Abraão aceitou tornar-se dom incondicional, sem nada saber. A fé é isto: é estar aberto, disponível, e aceitar caminhar nas trevas na certeza de que Ele caminha conosco.
Rezemos com o Salmista: Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Gn 12,1-9
Salmo: 32
Evangelho: Mt 7,1-5

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