História dos Santos › 18/06/2020

Santo do Dia- Santa Marina


Marina nasceu no Líbano, no século VI. Seu pai se chamava Eugênio e era um cristão fervoroso. Sua mãe faleceu quando Marina ainda era criança. Filha única, seu pai a educou na fé cristã. Os dois desenvolveram uma profunda ligação.
Mudança de planos
Certo dia, quando Marina já era jovem e podia cuidar de si, seu pai lhe falou do grande desejo que ele tinha de se tornar um monge. E, para isso, ele iria abrir mão de todos os seus bens e doá-los aos pobres. Tal decisão, porém, deixou Marina inconsolável, pois teria de se afastar definitivamente de seu pai que tanto amava, uma vez que, no mosteiro, mulheres não podem entrar.
Vestindo-se de homem
Vendo que seu pai estava irredutível e procurando uma maneira de permanecer perto do pai, Marina propôs ingressar também no mosteiro, porém, vestida como homem. Eugênio aceitou feliz a resolução da filha. Vendeu todos os bens que possuía e doou para os pobres. Marina cortou seus cabelos, disfarçou-se de homem jovem cujo nome passou a ser “Marino”. Ela prometeu ao pai guardar sua virgindade e oferece-la a Deus na vida religiosa. Assim, os dois ingressaram no mosteiro.
A vida monástica
Eugênio e “o jovem Marino” passaram a viver a vida monástica. “Marino” encontrou-se e fazia progressos na virtude e na vida de oração. Os monges nunca desconfiaram que “Marino” fosse mulher. Porém, estranhavam sua voz, a delicadeza (que ela procurava disfarçar) e as características masculinas que ela não tinha, como barba, corpo forte, etc. Eles atribuíam essas diferenças à rigorosa e austera vida religiosa que ela praticava, com jejuns e sacrifícios constantes.
Mudança dramática
Aconteceu que, pouco tempo depois, Eugênio veio a falecer. “Marino”, porém, decidiu continuar vivendo no mosteiro, continuando com suas práticas de oração, jejuns, sacrifícios e caridade. Todos o admiravam como “monge”. Havia uma regra no mosteiro segundo a qual uma vez por mês, quatro monges saiam para pedir esmolas e angariar fundos para a sobrevivência do mosteiro e de alguns eremitas que viviam isolados na região. Então, chegou a vez de “Marino” e outros três monges parirem para cumprirem esta missão. Aí começou outra grande mudança em sua vida.

Calúnia
No meio do caminho que eles tinham que percorrer, tinha hospedaria onde os monges costumavam ficar. Marino e os outros passaram lá uma noite e seguiram viagem. O dono da hospedaria tinha uma filha que tinha sido engravidada por um soldado. Este, não querendo assumir o filho, convenceu a moça a acusar “Marino”, o belo monge que tinha passado uma noite na hospedaria tempos atrás. O pai da moça, ao saber do fato, contou ao abade do mosteiro.
Sofrimento
“Marino” não se defendeu, mesmo sendo inocente. Ao contrário, preferiu calar-se, pois tinha prometido a seu pai nunca revelar que era mulher. Por isso, o abade o expulsou do mosteiro. A criança, depois de nascida, foi entregue a “ele” para que cuidasse dela. Pelo tempo de três anos “Marino” cuidou do bebê, criou-o e viveu às portas do mosteiro, implorando a Deus a misericórdia e vivendo da caridade dos outros.
De volta ao mosteiro e morte
Vendo o sofrimento e a retidão de “Marino”, o abade admitiu-o novamente como monge no mosteiro e devolveu a criança para sua mãe. Porém, impôs a “Marino” os serviços mais pesados e humilhantes como forma de penitência pelo suposto “pecado” que ele cometera. Por causa do serviço pesado, das dificuldades e dos jejuns que ele praticara, já muito fraco, ele veio a falecer.
A revelação
Quando os monges foram preparar o corpo para o sepultamento descobriram, por fim, que “Marino” era mulher. Consequentemente, inocente. Choraram e se arrependeram por terem tratado injustamente a uma pessoa inocente. O corpo de Santa marino foi sepultado no próprio mosteiro, com hinos e salmos de louvor a Deus, agradecendo pela pureza e santidade da santa.
Milagres
Foram relatados vários milagres por intercessão de Santa Marina. No ano 1230 seus restos mortais foram trasladados para Veneza, onde são venerados até os dias de hoje na igreja Santa Marina Formosa. Santa Marina passou a ser invocada como poderosa intercessora nas grandes provações, nas doenças e nas calúnias.
Oração a Santa Marina
“Ó adorável e humilde Santa Marina, que abdicaste do conforto e te entregaste à humilhação pública por obediência ao projeto de Deus, rogo-te que mostres a mim o melhor caminho a seguir, para o serviço ao próximo e a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ajuda-me a ser sempre humilde e benevolente, como fostes tu. Afasta da minha vida a arrogância e o sentimento de superioridade que nos afastam do amor de Cristo. Intercede por mim junto ao pai, para que eu alcance a graça que fervorosamente desejo (fazer o pedido). Prometo que continuarei no caminho da fé e da humildade, não me esquecendo de ti e mantendo minha devoção nos tempos de bonança. Além disso, prometo levar tal devoção por toda a minha vida, permanecendo no projeto de Deus e na caridade para com os mais necessitados. Amém”
SANTA MARINA
O estudo da história de Santa Marina apaixonou os hagiógrafos de todos os tempos. Desta maneira, há uma enorme quantidade de documentos sobre ela, em dez línguas orientais e ocidentais, algumas concordantes, outras divergentes. Parece que sua origem seja o Líbano, o local mais crível, e que sua vida transcorreu no curso do século VI.
Marina era filha de bons pais, dos quais só é conhecido o nome do pai, Eugênio. Ficando órfã de mãe, e sendo filha única, foi educada na vida cristã pelo pai.
Um dia seu pai comunicou-lhe a intenção de tornar-se monge e para salvar sua alma ia abdicar de todos os seus bens. Eugênio recorria às citações bíblicas para defender seu ponto de vista, mas não foi fácil convencer a filha. Entretanto, diante das lamentações e do pranto da filha, ele estava irredutível na sua decisão de entrar para o mosteiro onde ela não poderia mais viver com ele, porque ali não era permitida a entrada de mulheres.
Marina então propôs entrar ela também no mosteiro, mas vestida de homem. Eugênio, feliz com a resolução de Marina, vendeu todos os seus bens e os distribuiu aos pobres. Depois de cortar seus cabelos, disfarçando-a como um jovem rapaz, chamou-a de “Marino”. Depois dos últimos avisos de seu pai, ela prometeu conservar-se sempre pura para Cristo e nunca ser reconhecida como uma mulher.
A vida monástica Eugênio e Marina ingressaram no mosteiro e o jovem “Marino” progredia na virtude. Os demais monges do mosteiro acreditavam que “Marino” fosse um rapaz, mas estranhavam sua voz e a ausência de barba, mas atribuíam isto à sua rigorosa e austera religiosidade, e à prática de alimentar-se somente a cada dois dias.
Pouco tempo depois Eugênio morreu, mas “Marino” continuou fiel e dedicado na prática das virtudes monásticas.
No mosteiro viviam quarenta monges e todos os meses um grupo de quatro deles era designado pelo abade para sair do local sagrado e angariar recursos, porque disso dependia também a sobrevivência de outros eremitas solitários da região.

Na metade do caminho havia uma hospedaria onde os monges cansados da viagem tinham a oportunidade de repousarem, continuando a volta ao mosteiro no dia seguinte.
Certa ocasião, o abade chamou “Marino” e, como este era perfeito em tudo e em modo particular na obediência, mandou-o sair a serviço da comunidade. “Marino” obedeceu no mesmo instante e saiu com outros três companheiros; durante o trajeto pararam um pouco na hospedaria, onde se encontraram casualmente com um soldado.
O acusado inocente
O dono da hospedaria tinha uma filha que fora seduzida por aquele soldado e engravidou-a. Quando o soldado soube do fato, e para livrar-se da responsabilidade, persuadiu a moça a revelar a seu pai que estava grávida daquele monge jovem e belo chamado “Marino” que ali tinha estado.
Depois de certo tempo, o dono da hospedaria, percebendo a ilegítima gestação da filha, quis saber a verdade. E ela contou-lhe que o responsável pela gravidez era o jovem monge “Marino” que lá estivera hospedado tempos atrás.
“Marino” mesmo sendo inocente não se defendeu da calúnia, suportando como provação divina todas as injúrias. O “jovem monge” foi expulso do mosteiro e quando a criança nasceu, foi-lhe entregue para que cuidasse dela com seus próprios meios.
Durante três anos, “Marino” viveu à porta do mosteiro, jejuando e implorando a misericórdia divina, recebendo algumas esmolas de mãos bondosas.
O abade, tocado por sua contrição, admitiu “Marino” novamente no mosteiro, impondo-lhe como penitência os serviços mais pesados e humilhantes que havia. Como as atividades eram muito pesadas e “o jovem” estava muito desgastado por tudo o que havia sofrido, em pouco tempo veio a falecer.
A revelação
Quando o abade e os monges preparavam o corpo para o enterro descobriram que se tratava de uma mulher e, portanto, inocente da calúnia que lhe fora imposta. O corpo da Santa foi sepultado no mosteiro ao som de hinos e salmos a Deus louvando sua pureza e santidade.
Por intercessão de Santa Marina foram relatados muitos milagres e seu culto teve grande expansão. No dia 12 julho de 1230, as suas relíquias foram transportadas para Veneza, Itália, onde são conservadas até hoje, na Igreja Santa Marina Formosa.
Santa Marina, exemplo de humildade e fidelidade a Deus, é invocada pelos fiéis como poderosa intercessora diante de Jesus nos casos de maiores provações, doenças ou calúnias.
O Martirológio Romano coloca Santa Marina no dia 18 de junho e é nesta data que ela é comemorada em Paris.

Santa Marina, Rogai por nós

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