Ano Ímpar › 16/02/2019

 Sábado – 5ª. Semana comum

Amados irmãos e irmãs 
“Tenho compaixão deste povo. Já há três dias perseveram comigo e não têm o que comer. Se os despedir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe! ”
A alimentação da multidão (multiplicação de pães) é o único milagre narrado em todos os quatro evangelhos (Mt 14,13-21; Mc 6,32-44; Lc 9,10-17; Jo 6,1-15), e o único narrado duas vezes (em duas versões variantes) em Mc (Mc 8,1-10) e em Mt (Mt 15,29-39).
A compaixão inicial de Jesus não é pelo problema da fome ou da falta de alimentos naquele lugar distante, mas sim porque o povo estava sem perspectiva, em um total desânimo, era como ovelha sem pastor, gente sem esperança, sem um sentido para suas vidas. Imaginemos hoje que em nossas comunidades o maior problema não é a fome, as drogas, etc.; mas sim o que leva as pessoas a esta situação. Para Jesus, o eterno problema da vida não é a falta do pão, e sim as causas que geram a falta de pão na mesa da grande maioria. O que se revela, além disso, não é a ausência do pão, e sim a presença do egoísmo, do individualismo, da ganância e da total ausência do amor fraterno.
Quando o povo se encontra nesta situação de desespero ele se torna presa fácil nas mãos de aproveitadores como falsos profetas que se dizem cristãos, gurus dos mais variados tipos, autoajuda e outras tantas superstições.
Em Jesus o tempo novo chegou, é o tempo de um Deus que se compadece e cura todos os males, de um Deus que sacia a fome do seu povo. No Reino novo ninguém irá passar necessidades, ninguém terá sofrimento ou passará fome. O Messias Jesus, apesar de sua condição de Filho de Deus, preocupava-se com os problemas materiais do povo, como foi o caso da falta de alimento para os que tinham vindo escutá-lo, numa região bastante afastada. Notem que ninguém foi a Jesus pedir nada, mas Ele percebeu a fome do povo como ainda hoje percebe e por isso se oferece na Eucaristia como verdadeiro alimento que sustenta e dá coragem.
Na matemática de Jesus multiplicar significa dividir!
O Papa Francisco na homilia de 30/05/2013 nos fala: “Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão? ” De onde nasce a multiplicação dos pães? A resposta encontra-se no convite de Jesus aos discípulos: Dai-lhes vós mesmos de comer. Que compartilham os discípulos? Aquele pouco de que dispõem: cinco pães e dois peixes. Mas são precisamente aqueles pães e peixes que, nas mãos do Senhor, saciam toda a multidão. E são exatamente os discípulos, confusos diante da incapacidade dos seus meios, da pobreza daquilo que podem pôr à disposição, que mandam as pessoas acomodar-se e que distribuem — confiando na palavra de Jesus — os pães e os peixes que saciam a multidão. E isto diz-nos que na Igreja, mas também na sociedade, uma palavra chave da qual não devemos ter receio é solidariedade, ou seja, saber pôr à disposição de Deus aquilo que temos, as nossas humildes capacidades, porque somente na partilha e no dom a nossa vida será fecunda e dará fruto. Solidariedade: uma palavra malvista pelo espírito mundano!
Esta tarde, mais uma vez, o Senhor distribui-nos o pão que é o seu Corpo, fazendo-se dom. E também nós experimentamos a solidariedade de Deus para com o homem, uma solidariedade que nunca se esgota, uma solidariedade que não cessa de nos surpreender: Deus faz-se próximo de nós; humilha-se no sacrifício da Cruz, entrando na obscuridade da morte para nos dar a sua vida, que vence o mal, o egoísmo e a morte. Jesus entrega-se a nós também esta tarde na Eucaristia, compartilha o nosso próprio caminho, aliás, faz-se alimento, o alimento autêntico que sustém a nossa vida inclusive nos momentos em que a vereda se torna árdua, quando os obstáculos diminuem os nossos passos. E na Eucaristia o Senhor faz-nos percorrer o seu caminho, que é de serviço, de partilha e de dom, e aquele pouco que temos, o pouco que somos, se for compartilhado, torna-se riqueza porque o poder de Deus, que é de amor, desce até à nossa pobreza para a transformar. O pão é o símbolo de toda a alimentação. Com o milagre da multiplicação Jesus abre os nossos olhos para os compromissos que a Eucaristia traz: somos responsáveis pela fome e a miséria dos nossos irmãos. Somos responsáveis pela crença ou pelo ateísmo nos outros. Se as pessoas não conseguem ver Deus no mundo é porque não consegue ver Deus na vida dos cristãos.
Nas duas multiplicações Jesus faz o mesmo gesto pegar os pães e dar graças. Esse gesto nos recorda a Eucaristia. A mensagem é, portanto, bastante clara para nós: aqueles que participam da Eucaristia devem ter o espírito de partilha e de doação. É ser pessoa eucarística. As sobras indicam que a Eucaristia é alimento inesgotável.
Na leitura do livro de Gênesis vemos que Adão confessa que teve medo, porque estava nu; ou seja, o pecado nos despe da dignidade de filhos de Deus e assim ficamos com medo e procuramos nos afastar do Senhor. A serpente é a figura do inimigo de Deus e como sabe que nada pode fazer contra Deus procura prejudicar e destruir o que Deus mais ama que somos nós os seus filhos; mas assim como uma mulher (Eva) foi enganada e deu um sim ao pecado; Maria não se deixou enganar e deu seu SIM a Deus e por isto a inimizade eterna entre Maria figura de mulher) e a serpente.
Rezemos com o Salmista: Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! Amém

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

Leitura: Gn 3,9-24
Salmo: 89
Evangelho: Mc 8,1-10

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