Ano Ímpar › 28/01/2017

Sábado – 3ª. Semana Comum

16406777_1204158346336055_2340077999596966729_nAmados irmãos e irmãs
“Silêncio! Cala-te!” E cessou o vento e seguiu-se grande bonança.
“Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem?”
A Igreja é a barca e as dificuldades enfrentadas por ela são os ventos contrários que a colocam em perigo. Tem cristão que não resiste e abandona a barca, a procura de um Cristianismo que não seja tão exigente; onde possa acomodar seus interesses particulares.
Por vezes alguns podem julgar que Deus está dormindo e nada faz enquanto seus filhos sofrem e até perguntam: Onde está Deus?
Por que Marcos descreve o relato do mar como se fosse um exorcismo? Na Bíblia, o mar e a escuridão são símbolos do caos inicial, dominado e vencido pela força criadora de Deus (cf. Gn1). O mar é a sede de todas as forças hostis a Deus, mas são vencidas para sempre por Deus (cf. Ap 21,1). A vitória sobre as forças maléficas não está no homem e sim em Deus, o Único que “transformou a tempestade em leve brisa e as ondas emudeceram” (Sl 107,29). Marcos quer nos revelar a certeza de que o único Salvador, o único que pode salvar o homem de todas as forças maléficas é Jesus Cristo.
O beato Charles de Foucauld, eremita e missionário na Meditação Oito dias em Efrém nos ensina: “Meus filhos, seja o que for que vos aconteça, lembrai-vos de que Eu estou sempre convosco. Lembrai-vos de que, visível ou invisível, parecendo agir ou parecendo dormir e esquecer-vos, Eu velo sempre, estou em toda a parte e sou onipotente. Nunca tenhais medo, nem preocupações: Eu estou presente, Eu velo, Eu amo-vos. Eu sou todo-poderoso. Que mais quereis? Lembrai-vos das tempestades que acalmei com uma palavra, transformando-as numa grande calmaria. Lembrai-vos da maneira como sustive Pedro quando caminhava sobre as águas (cf Mt 14,28ss). Estou sempre tão perto de cada homem como estou agora de vós. Tende confiança, fé, coragem; não vos inquieteis com o vosso corpo nem com a vossa alma (cf Mt 6,25), uma vez que Eu estou presente, sou onipotente e vos amo.
Mas, que a vossa confiança não nasça da negligência, da ignorância dos perigos, nem da confiança em vós mesmos ou noutras criaturas. Os perigos que correis são iminentes: os demônios, inimigos fortes e manhosos, a vossa natureza, o mundo, fazem-vos continuamente uma oposição encarniçada. Nesta vida, a tempestade é quase contínua e a vossa barca está sempre prestes a afundar. Mas Eu estou presente e comigo ela é insubmersível. Desconfiai de tudo e, sobretudo de vós mesmos, mas tende em mim uma confiança total, capaz de banir toda a inquietação.
“Ainda não tendes fé?” É a pergunta dirigida a cada um de nós que nos chama a verificarmos até que ponto temos realmente fé. “Quanto mais um ser se afasta de Deus, tanto mais ele se aproxima do nada. Quanto mais se aproxima de Deus, tanto mais se distancia do nada” dizia Santo Tomás de Aquino.
Há cristãos que só pensam em Deus quando ficam doentes, quando atingidos por alguma desdita (falta de sorte). Só então rezam com toda a devoção e pedem a Deus para que ele venha socorrê-los. Quando tudo corre bem o ser humano corre o risco de se tornar autossuficiente.
Na leitura da carta aos hebreus nos é falado sobre o nosso pai na fé para nos incentivar a seguir os mesmo caminho e perseverar na fé. A fé é garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que não se veem. Uma chave importantíssima é a obediência que pro muitas vezes deve ser desacompanhada de questionamentos como nos casos da busca da terra prometida e do sacrifício de Isaac. Abraão como crente por excelência se entristeceu, mas não questionou.
Rezemos com o Salmista: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou! Fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos, para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

Leitura: Hb 11,1-2.8-19
Responsório: Lc 1,69-70.71-72.73-75
Evangelho: Mc 4,35-41

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