Ano Par › 14/07/2018

Sábado – 14ª. Semana Comum

Amados irmãos e irmãs
“Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber”. Estas palavras de Jesus podem nos assustar uma vez que todos nós temos segredos ou detalhes de nossas vidas que não revelamos a ninguém e saber que um dia tudo será revelado às vezes assusta.
Costumo dizer aos irmãos de comunidade que se entrássemos todos em uma sala de cinema e ali na tela fosse ser mostrado a nossa vida em todos os detalhes, inclusive tais segredos e pecados, quem é que teria coragem de ali permanecer?
Este Evangelho também nos ensina que não há comunidade, movimento ou pastoral que possa dar a nós uma redoma que nos livre dos males e das tentações do pecado.
O ideal para o discípulo, na vida cristã, é a configuração de sua vida com Jesus Cristo: “… ao discípulo basta ser como o seu mestre, o servo como seu Senhor” (v. 25a). É preciso conformar, entrar na forma de Cristo a aí veremos que a causa da perseguição dos discípulos é sua identificação com o Mestre; é ser conforme o mestre. O cristão se configura a Cristo no batismo e nos outros sacramentos, mas essa configuração deve ser vivida plenamente nos acontecimentos, nos encontros da vida cotidiana. O sacrifício de si e o amor gratuito e universal pelo próximo fazem resplandecer na face do cristão a própria face de Cristo e de Deus.
Tomás de Celano , biógrafo de São Francisco e de Santa Clara na Primeira vida de São Francisco, §58 escreve: Ao chegar perto dum grande bando de pássaros, o beato Francisco constatou que estes o esperavam; saudou-os como habitualmente, maravilhou-se ao ver que não levantavam voo como seria normal e disse-lhes que deviam escutar a Palavra de Deus, pedindo-lhes humildemente que prestassem atenção. Disse-lhes, entre outras coisas: “ Meus irmãos pássaros, é bom que louveis o vosso Criador e o ameis sempre: Ele deu-vos as penas para vos vestirdes, as asas para voardes e tudo aquilo de que precisais para viver. De todas as criaturas de Deus, sois vós as mais agraciadas. Deu-vos como domínio os ares e a sua limpidez. Não precisais de semear nem de colher; Ele dá-vos alimento e abrigo sem que tenhais de vos inquietar” (cf Mt 6,26). Ao ouvirem estas palavras, que também se referiam ao próprio santo e aos seus companheiros, os pássaros exprimiram à sua maneira uma alegria admirável: alongaram o pescoço, abriram as asas e o bico e olharam-no atentamente. Ele ia e vinha entre eles, roçando-lhes com a túnica na cabeça e no corpo. Finalmente, abençoou-os, traçando sobre eles o sinal da cruz, e permitiu-lhes levantar voo. Depois retomou o caminho com os seus companheiros e, exultando de alegria, dava graças a Deus que assim era reconhecido e venerado por todas as suas criaturas. Francisco não era um pobre de espírito; mas tinha a graça da simplicidade e assim recriminava-se pela sua negligência por ainda não ter pregado aos pássaros, uma vez que esses animais escutavam com tanto respeito a Palavra de Deus. E a partir desse dia não deixava de exortar todas as aves, todos os animais, os répteis e mesmo as criaturas inanimadas a amar e a louvar o Criador.
Na leitura de Isaías vemos que a tripla aclamação “Santo, santo, santo” procura expressar a infinita santidade de Deus, a sua transcendência, a sua absoluta alteridade em relação ao que é terreno. É diante da grandeza de Deus que damo-nos conta da nossa condição de criaturas e da impureza da nossa vida.

Rezemos com o Salmista: Vós firmastes o universo inabalável, vós firmastes vosso trono desde a origem, desde sempre, ó Senhor, vós existis! Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos dos séculos, Senhor! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Is 6,1-8
Salmo: 92
Evangelho: Mateus 10,24-34

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