Ano Ímpar › 27/08/2019

Reflexão: Terça 21ª Semana comum – Ano Impar 27/08/2019


Amados irmãos e irmãs
“Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo”. Hipócrita é a palavra para dizer do ator de teatro que representa uma peça. A hipocrisia dos escribas e fariseus consiste em dizer uma coisa e fazer outra.
Jesus vai chamar a atenção para a exagerada preocupação com o exterior, com as aparências que não nos levam a nada e a lugar algum. Ele desmascara todos aqueles que se escondem atrás de uma fachada religiosa para enganar a comunidade.
O que Jesus quer é que vivamos de acordo com os seus mandamentos que se resumem no amor fraterno, de onde brota a “misericórdia”, isto é, ama até os que não merecem ser amados (misericórdia= dar o coração aos miseráveis). Jesus nos recorda as grandes exigências de todos os tempos: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Justiça é reconhecer os direitos dos outros, é dar a outro o que lhe pertence. Não tem como praticar a caridade sem praticar a justiça.
Hoje em dia nas nossas comunidades não podemos valorizar mais certos preceitos em detrimento de irmãos que morrem de fome e doente são nosso redor. Seremos como os fariseus se nossa vida de fé for somente para cumprir ritos. O parecer não pode ser mais importante que o ser.
Jesus mostra que os fariseus trocavam o principal pelo acessório e ainda hoje muitos de nós fazemos o mesmo em nossas comunidades. O que significa isto? Usaremos um exemplo bem simples. Imagine um carro que você vai comprar: o principal é o motor, o tanque, as rodas, pneus, bateria, etc., pois sem estes ele não tem serventia alguma e o resto não funcionará. No entanto o vendedor te oferece acessórios que não são tão importantes, pois o carro funciona sem eles e quais são estes acessórios? É o ar condicionado, o vidro elétrico, a direção hidráulica, o aparelho de cd Player, etc. Muitos de nós estamos a procura dos milagres de Jesus, mas não procuramos pelo Jesus dos milagres. Muitas de nossas ações são pura superstição. São novenas e mais novenas, correntes, amuletos e todo tipo de quinquilharia que só emporcalha a verdadeira fé que devemos ter em Jesus. Não se admite que um cristão católico reze o rosário todo dia, faça mil e uma novenas, mas deixe de ir a missa dominical, não procure conhecer a bíblia, não ajude os pobres e doentes, etc.
Precisamos ser pessoas que se deixam consumir pelo amor aos irmãos, que saibamos que o principal é o amor.
São Rafael Arnaiz Barón, monge trapista em seus Escritos espirituais, de 25/01/1937 nos ensina: Não possuímos as virtudes, não por ser difícil, mas porque não queremos. Não temos paciência porque não queremos. Não temos temperança porque não queremos. Não temos castidade pela mesma razão. Se quiséssemos, seríamos santos, e é muito mais difícil ser engenheiro do que ser santo. Se tivéssemos fé! Vida interior, vida espiritual, vida de oração: meu Deus, que difícil que isso deve ser! De modo nenhum. Afasta do teu coração o que o perturba, e encontrarás Deus. Com isso, o trabalho está feito. Muitas vezes buscamos o que não existe e, pelo contrário, passamos ao lado de um tesouro que não vemos. É a mesma coisa com Deus, a quem procuramos num emaranhado de coisas, que quanto mais complicado, melhor nos parece. Recolhe-te dentro de ti mesmo; olha para o teu nada; olha para o nada do mundo; põe-te ao pé de uma cruz e, se fores simples, verás Deus. Se Deus não está na nossa alma, é porque não queremos. Temos tal acumulação de cuidados, distrações, desejos, vaidades, e presunções que Deus se afasta. Assim que o quisermos, Deus enche-nos a alma de tal modo, que é preciso ser cegos para não o vermos. Uma alma quer viver de acordo com Deus? Afaste tudo o que não é Ele, e está feito. É relativamente fácil. Se o quiséssemos, se o pedíssemos a Deus com simplicidade, faríamos um grande progresso na vida espiritual. Se quiséssemos, seríamos santos, mas somos tão tolos que não queremos; preferimos perder tempo em vaidades estúpidas.
Na leitura da primeira carta aos tessalonicenses, Paulo lembra as dificuldades para anunciar o Evangelho, foram muitas as situações difíceis e as perseguições que teve de enfrentar. Na sinagoga alguns judeus acolheram a Boa Nova de Cristo, mas outros foram contra ele e Silas. O povo em fúria saiu à procura dos missionários. Havia muitos que se apresentavam em nome da verdade e Paulo afirma-se diferente desses pseudoprofetas: a nossa exortação não se inspirava nem no erro, nem na má fé, nem no engano. Paulo destaca: Falamos, não para agradar aos homens, mas a Deus.

Rezemos com o Salmista: A palavra nem chegou à minha língua, e já, Senhor, a conhece inteiramente. Por detrás e na frente me envolveis; pusestes sobre mim a vossa mão. Esta verdade é por demais maravilhosa, é tão sublime que não posso compreendê-la. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: 1Ts 2,1-8
Salmo: 138
Evangelho: Mateus 23,23-26

Imprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *