Ano Ímpar › 02/08/2019

Reflexão: Sexta – Feira 17ª Semana comum – Ano Impar 02/08/2019


Amados irmãos e irmãs
Santo de casa não faz milagres! “É só em sua pátria e em sua família que um profeta é menosprezado. E, por causa da falta de confiança deles, operou ali poucos milagres”. A fama de Jesus chegou a sua terra primeiro que Ele.
Imaginemos a situação onde alguma pessoa simples saiu de nossa comunidade e depois volta e começa a pregar; claro que logo começará os questionamentos do tipo Como é que ele faz isso? Onde aprendeu? Quem o ensinou?
E logo a ciumeira e inveja toma conta dos corações e os questionamentos passam a ser do tipo: Será que o padre o autorizou? Quem ele pensa que é, para falar assim com a gente? Será que ele não se enxerga?
Foi exatamente assim com Jesus e será com qualquer um que ouse fazer o que Jesus fez.
Isto acontece porque o Jesus que criamos em nosso imaginário não tem nada a ver com esse Jesus, Ungido de Deus.
A rejeição não chegou a desanimar Jesus e não deve nos desanimar. Jesus entendeu que passava por situação semelhante à dos antigos profetas de Israel. Nenhum deles foi aceito e reconhecido pelo povo ao qual tinham sido enviados.
Nós também muitas vezes não seremos reconhecidos e nem por isso devemos desistir de seguir em frente.
O papa emérito Bento XVI na encíclica Spe Salvi, § 47 nos ensina: “ Alguns teólogos recentes são de parecer de que o fogo que simultaneamente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador. O encontro com Ele é o ato decisivo do Juízo. Ante o seu olhar, funde-se toda a falsidade. É o encontro com Ele que, queimando-nos, nos transforma e liberta para nos tornar verdadeiramente nós mesmos. As coisas edificadas durante a vida podem então revelar-se palha seca, pura fanfarronice e desmoronar-se. Porém, na dor deste encontro, em que o impuro e o nocivo do nosso ser se tornam evidentes, está a salvação. O seu olhar, o toque do seu coração, cura-nos através de uma transformação certamente dolorosa, como pelo fogo. Contudo, é uma dor feliz, em que o poder santo do seu amor nos penetra como chama, consentindo-nos no final sermos totalmente nós mesmos e, por isso mesmo totalmente de Deus. Deste modo, torna-se evidente também a compenetração entre justiça e graça: o nosso modo de viver não é irrelevante, mas a nossa baixeza não nos mancha para sempre, se ao menos continuamos inclinados para Cristo, para a verdade e para o amor. No fim de contas, esta baixeza já foi queimada na Paixão de Cristo. No momento do Juízo, experimentamos e acolhemos este prevalecer do seu amor sobre todo o mal que há no mundo e em nós. A dor do amor torna-se a nossa salvação e a nossa alegria.
No livro do levítico vemos a instituição pelo Senhor de três festas para seu povo celebrar e são elas a festa dos Pães ázimos; a páscoa do Senhor e a festa dos Tabernáculos. (succot ou cabanas).
Páscoa é Pessah, que significa passagem, em hebraico, derivado do fato de o anjo destruidor ter passado por sobre toda a terra do Egito, na morte dos primogênitos, na instituição da Páscoa. A Páscoa, com a morte do cordeiro de um ano, sem defeito e sem mácula, representa Jesus, que é o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Pentecostes deriva de Penta, cinco, em grego, em virtude de ser comemorada esta Festa cinquenta dias após a páscoa, que é também chamada de Festa das Semanas, em virtude de acontecer sete semanas, após a Páscoa. Pentecostes é também chamada de Festa das Primícias, pois, era quando o judeu entregava os primeiros frutos da terra. O sentido oculto está registrado em At 2,1, onde está escrito: “cumprindo-se o dia de Pentecostes…” Para que o judeu fizesse a sua colheita, era necessário que houvesse chuva. O trabalho manual, como a semeadura e a ceifa, eram a parte humana, mas a chuva era a parte de Deus. Se não houvesse chuva, não haveria colheita, embora pudesse haver semeadura. Bem, no dia de Pentecostes, o trabalho manual foi feito pelos discípulos, por meio da oração. “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos.” A descida do Espírito Santo foi a chuva que Deus mandou, em resposta às orações dos discípulos. E, as quase três mil almas que se batizaram naquele dia, foram os primeiros frutos, as primícias, da grande colheita.
A Festa dos Tabernáculos é a terceira das três festas principais, e é chamada de Sucote, derivada de Sukáh, em hebraico, que significa Tendas ou Cabanas. A festa dos Tabernáculos ou Festa da Colheita era originalmente uma festa agrícola, assim como a Páscoa e Pentecostes. Apesar disso Deus lhe atribui um significado histórico: a lembrança da peregrinação pelo deserto e o sustento pelo Senhor. A fragilidade das tendas que o povo construía era uma lembrança da fragilidade do povo quando peregrinava os 40 anos no deserto a caminho da Terra Prometida.

Rezemos com o Salmista: Exultai no Senhor, nossa força. Cantai salmos, tocai tamborim, harpa e lira suaves tocai! Em teu meio não exista um deus estranho, nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Levítico 23, 1.4-11.15-16.27.34-37
Salmo: 80/81
Evangelho: Mateus 13,54-58

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