Ano Ímpar › 05/08/2019

Reflexão: Segunda Feira – 18ª Semana comum Ano Impar 05/08/2019


Amados irmãos e irmãs
“Dai-lhes vós mesmos de comer!” Como já dizia o cardeal Van Thuan Jesus era péssimo matemático, pois na sua matemática multiplicar é dividir! Vejam o que diz a Escritura: “Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos”.
A grande lição desta página do Evangelho é que neste mundo egoísta em que vivemos a partilha é a solução; se todos partilhassem seus bens, com certeza todos teriam o suficiente e ainda sobraria mais que doze cestos. O que sobra na tua geladeira é o que está faltando na geladeira do irmão.
Por que diante de um irmão que sofre e chora nos omitimos, ficamos quietos, nos sentimos impotentes ou então tentamos justificar com frases de efeito do tipo: Deus quis assim! Isto é problema do governo! Se eu fosse rico resolveria! Lembro – me aqui de uma voluntária da nossa comunidade que vendo nossos apertos financeiros dizia: Ah se eu fosse rica resolveria tudo. Ao que lhe respondemos se você fosse rica talvez nem aqui estivesse.
Não queremos que o rico dê tudo e se torne mais um miserável, mas que ele partilhe o muito que tem.
O milagre, portanto, não está na quantia de pães e peixes, mas no gesto de partilhar, acreditando que naquele momento, o pouco que eu e você podemos fazer, é exatamente tudo o que o meu próximo precisa.
Para nós cristãos católicos o alimento que sustenta o povo de Deus ultrapassa o estreitamento material; é alimento que perdura até a vida eterna, conforme o prometido: “O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6, 27.51).
O beato João Paulo II na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, §§ 3-5 nos diz: Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial. Isto é visível desde as primeiras imagens da Igreja que nos dão os Atos dos Apóstolos: Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão, e às orações (2, 42). Na fração do pão, é evocada a Eucaristia. Dois mil anos depois, continuamos a realizar aquela imagem primordial da Igreja. E, ao fazê-lo na celebração Eucarística, os olhos da alma voltam-se para o Tríduo Pascal: para o que se realizou na noite de quinta-feira santa, durante a Última Ceia, e nas horas sucessivas. A agonia no Getsêmani foi o prelúdio da agonia na cruz de sexta-feira santa: a hora santa, a hora da redenção do mundo a hora da glorificação. Até àquele lugar e àquela hora se deixa transportar em espírito cada presbítero ao celebrar a Santa Missa, juntamente com a comunidade cristã que nela participa. Mysterium fidei! – Mistério da fé! Quando o sacerdote pronuncia ou canta estas palavras, os presentes aclamam: Anunciamos Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus! Com estas palavras ou outras semelhantes, a Igreja, ao mesmo tempo em que apresenta Cristo no mistério da sua Paixão, revela também o seu próprio mistério: Ecclesia de Eucharistia. Se é com o dom do Espírito Santo, no Pentecostes, que a Igreja nasce e se encaminha pelas estradas do mundo, um momento decisivo da sua formação foi certamente a instituição da Eucaristia no Cenáculo. O seu fundamento e a sua fonte é todo o Triduum Paschale, mas este está de certo modo guardado, antecipado e concentrado para sempre no dom eucarístico. Neste, Jesus Cristo entregava à Igreja a atualização perene do mistério pascal.
Na leitura do livro dos Números vemos que diante de tanta reclamação do povo Moisés clama ao Senhor: “Já não posso suportar sozinho o peso de todo este povo: é grande demais para mim”. Primeiramente olhamos para a ingratidão de um povo com o qual somos muito parecidos; pois muitas vezes também murmuramos contra Deus. Aqui eles cobram as comidas que tinham no Egito e até alegam que preferiam a escravidão desde que tivéssemos comida. Nós também muitas vezes agimos assim e preferimos continuar no pecado para não perder certas regalias que às vezes não é só comida.
Num segundo momento analisamos a figura de Moisés como pastor e guia deste povo e aí somos chamados a olhar para nossos pastores e para nós mesmo que temos alguma função na pastoral ou em algum movimento. Quantas e quantas vezes também não nos sentimos como Moisés e até pedimos a Deus que nos tire o fardo ou até mesmo a vida; para não continuarmos a ver tanto sofrimento.

Rezemos com o Salmista: Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em seus caminhos! Seus inimigos, sem demora, humilharia e voltaria minha mão contra o opressor. Os que odeiam o Senhor o adulariam, seria este seu destino para sempre; eu lhe daria de comer a flor do trigo e, com o mel que sai da rocha, o fartaria. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Números 11,4b-15
Salmo: 80/81
Evangelho: Mt 14,13-21

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