Artigos e reflexões › 17/07/2019

Reflexão: Ninguém conhece o Pai senão o Filho


O Pai é Aquele de quem vem tudo o que existe. Ele próprio, em Cristo e por Cristo, é a origem de tudo. Além disso, é em si mesmo o seu ser, e não recebe de outro aquilo que é. Ele é infinito porque não está num sítio preciso, mas tudo está nele. É sempre antes do tempo, o tempo vem dele. Se o teu pensamento corre atrás dele e se crês ter alcançado os limites do seu ser, continuarás ainda assim a encontrá-lo, pois enquanto avanças incessantemente até Ele, o alvo a que te diriges está sempre mais longe. Tal é a verdade do mistério de Deus, tal é a expressão da natureza incompreensível do Pai. Para exprimi-lo, as palavras só podem calar-se; para sondá-lo, o pensamento fica inerte; e para alcançá-lo, a inteligência sente-se limitada. E, no entanto, este nome, Pai, indica a sua natureza: Ele é só e completamente Pai. Porque não recebe de nenhum outro, à maneira dos homens, o fato de ser Pai. Ele é o Eterno Não gerado. É conhecido apenas pelo Filho, porque ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Ambos se conhecem um ao outro e esse conhecimento mútuo é perfeito. Por conseguinte, como ninguém conhece o Pai senão o Filho, tenhamos do Pai somente pensamentos conformes ao que dele nos revelou o Filho, que é a única testemunha fiel (Ap 1,5). Vale mais pensar no que diz respeito ao Pai do que falar acerca disso. Porque as palavras são todas impotentes para traduzir as suas perfeições. Apenas poderemos reconhecer a sua glória, ter dela uma certa ideia e procurar precisá-la com a nossa imaginação. Mas a linguagem do homem é a expressão da sua impotência e as palavras não explicam a realidade tal como ela é. Assim, ainda que tenhamos reconhecido Deus, temos de renunciar a nomeá-lo: sejam quais forem as palavras empregues, não conseguem exprimir Deus tal como Ele é, nem traduzir a sua grandeza. Temos de acreditar nele, de procurar compreendê-lo e de adorá-lo; fazendo-o, estaremos a falar dele. Santo Hilário (c. 315-367), bispo de Poitiers, e doutor da Igreja em A Trindade 2, 6-7

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