Ano Ímpar › 20/04/2017

Quinta Feira da Oitava da Páscoa

17952003_1291423040942918_2798557423769533736_nAmados irmãos e irmãs
“Vós sois as testemunhas de tudo isso”.
Mas o que é ser testemunha? O papel de uma testemunha é convencer quem não presenciou um fato, de que o fato é verdade. Jesus diz aos discípulos e a nós que somos testemunhas da ressurreição. Mas como as pessoas vão saber que somos testemunhas, que somos discípulos? Ele nos ensina como ao dizer: “Nisso reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.
Jesus aparece no cenáculo onde estavam escondidos e com medo. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e tudo era novidade e além do que fatos extraordinários. Imaginem se fôssemos nós? Como agiríamos? Num primeiro momento pensam tratar-se de um fantasma, mas Jesus desfaz esta dúvida ao deixar ser tocado e ao comer com eles.
Porque o ressuscitado traz as marcas da paixão? Ele traz as marcas da paixão para nos mostrar que nunca devemos dissociar a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus; não se pode querer separar e viver um Cristo só crucificado ou então como quer a maioria ver um Cristo que é só glória e não tem cruz.
O papa Paulo VI na audiência Geral de 9 de Abril de 1975 dizia: “Fixemos agora a nossa atenção na saudação imprevista de Jesus ressuscitado aos Seus discípulos recolhidos à porta fechada no Cenáculo com medo dos judeus. Jesus Ressuscitado anuncia, assim, a paz e infunde-a ao desconcertado ânimo dos discípulos , a paz do Senhor, entendida no seu significado primordial, tanto pessoal quanto interior, tanto moral quanto psicológico, inseparável da felicidade, que São Paulo enumera na sua lista dos frutos do Espírito Santo logo após a caridade e a alegria, quase se confundindo com elas. Esta feliz fusão não é estranha à nossa experiência espiritual comum; é até a melhor resposta à interrogação sobre o estado da nossa consciência, quando somos capazes de dizer a minha consciência está em paz. O que haverá de mais precioso para o homem honesto na sua consciência? A paz da consciência é, assim, a melhor e a mais autêntica felicidade, que nos ajuda a sermos fortes nas adversidades, nos resguarda a nobreza e a liberdade nas piores condições, e é para todos a tábua de salvação, porque é esperança quando o desespero tende a levar a melhor. O incomparável dom da paz interior é, assim, o primeiro dom de Cristo Ressuscitado aos seus, dom de quem havia imediatamente instituído o sacramento que dá a paz, o sacramento do perdão, desse perdão que ressuscita
Na leitura dos Atos hoje somos levados a pensar das quantas vezes nós nos julgamos mais importantes do que aquele que anunciamos. Os mais tentados são justamente aqueles que possuem dons extraordinários. Pedro nos ensina: “… por que fitais os olhos em nós, como se por nossa própria virtude ou piedade tivéssemos feito este homem andar? Foi a fé em Jesus que lhe deu essa cura perfeita, à vista de todos vós”. Precisamos entender que o que cura e realiza prodígios é muito mais a fé de quem recebe a oração do que a fé de quem ora. Nós não somos a mensagem, mas apenas mensageiros!
Rezemos com o Salmista: Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo! Perguntamos: “Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?” Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-os de glória e esplendor; vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco.
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 3,11-26
Salmo: 8
Evangelho: Lucas 24,35-48

Imprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *