Ano Ímpar › 08/08/2019

Quinta Feira – 8ª. Semana comum – Ano Impar 08/08/2019


Amados irmãos e irmãs
“Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.
Quem é Jesus? Esta pergunta ainda hoje ecoa forte nos corações humanos!
Jesus foi direto ao assunto que mais lhe interessava: “E vocês, quem dizem que eu sou? ”. A resposta de Pedro foi corretíssima “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! ”.
A questão é saber, de que Cristo Pedro estava falando. Por isso, em seguida, Jesus revela o sentido do seu messianismo, que irá se consolidar no sofrimento, na rejeição, na morte e ressurreição.
Na visão de Pedro o messianismo é aquele onde tudo vai dar certo e as coisas vão se resolver, as contas irão fechar, pois Jesus irá por ordem na casa, com o seu poder divino. Ninguém irá resisti-lo… Não é essa a ilusão que toma conta do coração de muitos cristãos em nossas comunidades? O Jesus do “tudo certo”, do “mar de rosas”, da “doce paz, da saúde, da prosperidade”, o Jesus da reviravolta, que só me dá vitória em cima de vitória, o Jesus que sempre me tira das dificuldades da vida. Esse não é o Jesus do Evangelho, mas o Cristo dos desiludidos!
Encontrar sempre respostas prontas, caminhos largos, problemas resolvidos, portas abertas, nunca foi e nem será uma característica do cristianismo.
Quem irá, nos dias de hoje, fazer marketing de um projeto que implique renúncia, cruz e sofrimento? Um projeto cuja proposta de Salvação seja pautada pelo desprezo á própria vida, deixando de lado até interesses particulares. Proposta de Salvação que não fale em vitória, em sucesso, em prosperidade, que não lota Igreja, não dá audiência. Qualquer marqueteiro da atualidade teria a mesma reação de Pedro e repreenderia Jesus… Onde já se viu começar um projeto prenunciando o fracasso da cruz?
Como Pedro às vezes de uma hora para outra depois de termos proclamado o senhorio de Jesus com nossa boca; pela mesma boca blasfemamos ou com nossa vida contra testemunhamos o que acabamos de professar. Vejam por exemplo a incoerência dos que pregam a pobreza e vivem na opulência; pregam mansidão e agem como leões; pregam a verdade e vive na farsa.
Quem quer a religião só da glória e do gozo celestial já aqui nesta terra, quem se esconde nas comunidades para não enfrentar os desafios, quem procura viver um cristianismo light, quem vive se iludindo com o Cristo criado pelo consumismo. Todos esses ouvirão naquele dia o mesmo que Pedro ouviu ”Afasta-te de mim Satanás, pois não pensas as coisas de Deus”.
Na leitura do livro de Números vemos que por vezes somos como o povo no deserto a reclamar de tudo. Dá pena de Moisés; pois ele era o principal culpado na ótica daquele povo. Por vezes nós também culpamos nossos pastores, coordenadores pela situação em que nos encontramos. Somos velozes em cobrar mudanças na Igreja, mas sequer conseguimos mudar pequenos hábitos nossos. O Senhor determinou a Moisés que tocasse a rocha com a vara e dela jorrou água em abundância; temos sim aqui a prefiguração do lado aberto de Cristo na Cruz donde jorra sangue e água. Ele, Cristo, é nossa rocha de onde jorra vida em abundância para nós.

Rezemos com o Salmista: Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Números 20,1-13
Salmo: 94/95
Evangelho: Mateus 16,13-23

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