Ano Ímpar › 16/02/2017

Quinta Feira – 6ª. Semana Comum

16 QuemejesusAmados irmãos e irmãs

“Quem dizem os homens que eu sou? Responderam-lhe os discípulos: João Batista; outros Elias; outros um dos profetas. Então lhes perguntou Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou? Respondeu Pedro: Tu és o Cristo”. Quem é Jesus? Esta pergunta ainda hoje ecoa forte nos corações humanos! Jesus foi direto ao assunto que mais lhe interessava: “E vocês, quem dizem que eu sou? ”. A resposta de Pedro foi corretíssima “Tu és o Cristo! ”.

A questão é saber, de que Cristo Pedro estava falando. Por isso, em seguida, Jesus revela o sentido do seu messianismo, que irá se consolidar no sofrimento, na rejeição, na morte e ressurreição.

Na visão de Pedro o messianismo é aquele onde tudo vai dar certo e as coisas vão se resolver, as contas irão fechar, pois Jesus irá por ordem na casa, com o seu poder divino. Ninguém irá resisti-lo. Não é essa a ilusão que toma conta do coração de muitos cristãos em nossas comunidades? O Jesus do “tudo certo”, do “mar de rosas”, da “doce paz, da saúde, da prosperidade”, o Jesus da reviravolta, que só me dá vitória em cima de vitória, o Jesus que sempre me tira das dificuldades da vida. Esse não é o Jesus do Evangelho, mas o Cristo dos desiludidos!

Encontrar sempre respostas prontas, caminhos largos, problemas resolvidos, portas abertas, nunca foi e nem será uma característica do cristianismo. Quem irá, nos dias de hoje, fazer marketing de um projeto que implique renúncia, cruz e sofrimento? Um projeto cuja proposta de Salvação seja pautada pelo desprezo á própria vida, deixando de lado até interesses particulares. Proposta de Salvação que não fale em vitória, em sucesso, em prosperidade, que não lota Igreja, não dá audiência. Qualquer marqueteiro da atualidade teria a mesma reação de Pedro e repreenderia Jesus… onde já se viu começar um projeto prenunciando o fracasso da cruz?

Como Pedro às vezes de uma hora para outra depois de termos proclamado o senhorio de Jesus com nossa boca; pela mesma boca blasfemamos ou com nossa vida contra testemunhamos o que acabamos de professar. Vejam por exemplo a incoerência dos que pregam a pobreza e vivem na opulência; pregam mansidão e agem como leões; pregam a verdade e vive na farsa.

Quem quer a religião só da glória e do gozo celestial já aqui nesta terra, quem se esconde nas comunidades para não enfrentar os desafios, quem procura viver um cristianismo light, quem vive se iludindo com o Cristo criado pelo consumismo. Todos esses ouvirão naquele dia o mesmo que Pedro ouviu ”Afasta-te de mim Satanás, pois não pensas as coisas de Deus”.

O que significa perder a vida por causa de Jesus e do seu evangelho? O que significa “Perder para ganhar”. Nos primeiros séculos tivemos centenas de mártires que derramaram seu sangue na arena, por causa do testemunho. Será que é deles que o evangelho está falando? Será que não podemos aplicar hoje ás pessoas de nossas comunidades, de que elas também perdem a vida por causa de Cristo e do seu evangelho? Em certo sentido, é muito válido dizer que nossos agentes de pastorais, perdem a vida, quando se dedicam a tantos trabalhos estafantes, muitos até nem vivem mais para si mesmo, mas organizam suas vidas a partir da comunidade, e fazem isso com muita alegria e seriedade. Deixar de lado os interesses pessoais, para dedicar-se ao trabalho pastoral, sem dúvida é também perder a vida.

Na primeira leitura do livro do Gênesis vemos que Deus vem ao encontro de seu povo para fazer uma Aliança de paz e fazer nascer uma nova humanidade. O que aqui é narrado é posterior ao dilúvio, quando já tinha deixado de chover e Noé e sua família que já tinham desembarcado em terra seca construíram um altar e ofereceram holocaustos sobre o altar. Deus disse: farei aparecer o meu arco sobre as nuvens para recordar a minha aliança convosco (para muitos este é o arco íris); portanto quando as nuvens escurecerem o céu procure pelo arco íris; quando na tua vida tudo parecer escuridão e prenuncio de tempestade tente ver o arco íris que Deus coloca no céu como que para dizer que tia ama e que nada de mal te acontecera; pois Ele estará contigo até o final dos tempos.

Rezemos com o Salmista: As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco

Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

Leitura: Gn 9,1-13

Salmo: 101

Evangelho: Mc 8,27-33

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