Ano Ímpar › 04/05/2017

Quinta Feira – 3ª Semana da Páscoa

18198416_1306485676103321_3504075927555077515_nAmados irmãos e irmãs
Eis aí a água. Que impede que eu seja batizado?
Esta arguição do eunuco ecoa hoje na voz de milhares e milhares que desejam o batismo, mas se veem impedidos por diversos motivos. Alguns motivos são graves como, por exemplo, a falta da liberdade religiosa em alguns países, mas na maioria das vezes somos nós que impomos tantas condições humanas senão vejamos: os pais são casados, os padrinhos são crismados, mora no território da paróquia, estão engajados em pastorais, pagaram a taxa, fizeram o cursinho, pagaram a vela e a lembrança, etc. Claro que o mínimo tem que se exigir, mas este mínimo não pode ser mais importante do que a resposta de Filipe: “Se crês de todo o coração, podes ser batizado”. A pergunta e a resposta deste diálogo entre o eunuco e Filipe não pode se restringir a formalidade ritual dentro da cerimônia de batismo.
O Evangelho nos ensina que o acesso do homem a Deus tem um único e verdadeiro caminho: Jesus Cristo! É único e verdadeiro por uma razão muito simples: somente Jesus veio direto do Pai e por isto somente Ele sabe o caminho de volta. Se você tivesse que ir até uma aldeia indígena no meio da selva você iria perguntar a um doutor em selva ou seguiria um velho índio que conhece há anos o caminho que leva a aldeia? A resposta neste caso parece óbvia, mas no caso de Jesus embora também seja óbvia muitas vezes nós recusamos a seguir aquele que não só conhece o caminho, mas Ele é o caminho.
Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.
A beata Teresa de Calcutá nos diz: “Tive fome, estava nu, não tinha casa. Foi a Mim que o fizestes” (Mt 25, 40). O Pão de vida e o faminto, mas um único amor: Jesus somente. A sua humildade é tão maravilhosa. Compreendo a sua majestade, a sua grandeza, porque Ele é Deus – mas a sua humildade ultrapassa a minha compreensão, porque Ele se faz Pão da Vida a fim de que até uma criança pequena como eu possa comê-lo e viver.
Há uns dias, quando dava a sagrada comunhão às nossas irmãs na casa mãe, apercebi-me de repente de que tinha Deus entre os dedos. A grandeza da humildade de Deus. É bem verdade que não há maior amor, não há amor maior que o amor de Cristo (Jo 15, 13). Calculo que tenha muitas vezes esta impressão de que, à sua palavra, entre as suas mãos, o pão se transforma no corpo de Jesus e o vinho se transforma no sangue de Jesus. Que grande deve ser o seu amor a Cristo! Não há amor maior que o amor do sacerdote a Cristo, seu Senhor e seu Deus (Jo 20, 28).
Na passagem dos Atos dos apóstolos vemos o encontro de Felipe com o eunuco onde o apostolo pergunta: “Porventura entendes o que estás lendo?” O eunuco responde: “Como é que posso se não há alguém que mo explique”?
Se hoje saíssemos por aí a perguntar as pessoas que leem a bíblia se elas entendem o que leem com certeza a resposta não seria diferente; pois muitos até desistem de ler justamente por não entender.
Outro detalhe importantíssimo é que esta passagem dá legitimidade àquilo que na Igreja Católica Apostólica Romana chamamos de Magistério da Igreja (ensinamento do Papa e dos bispos). Não podemos ter interpretação livre da Palavra de Deus. Infelizmente os protestantes tentam passar a idéia de que não precisa ter quem explique, mas se isto fosse verdade neste caso o eunuco não precisaria falar desta forma.
Rezemos com o Salmista: Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! Quando a ele o meu grito se elevou, já havia gratidão em minha boca! Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor nem afastou longe de mim o seu amor. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 8,26-40
Salmo: 66
Evangelho: João 6,44-51

Imprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *