Ano Ímpar › 16/03/2017

Quinta Feira – 2ª. Semana da Quaresma

16 xe,mekjeeAmados irmãos e irmãs

“Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor”!

É a profecia de Jeremias que nos faz este alerta. Nada pode haver de mais ardiloso e mau do que um coração assim. Como está o seu coração?

O fato de não nos abrirmos à Salvação cria um abismo entre nós e Deus. A verdadeira religião é a que nos leva a Deus, porém antes passa pelo irmão; qualquer outra coisa que não nos impele na direção do próximo com certeza não nos levará a Deus.

A salvação é para todos ricos e pobres, mas os ricos por contarem com muitos bens materiais estão propensos a depositar sua confiança nestes bens e prescindir de Deus (autossuficiência) ao passo que os pobres justamente por nada terem depositam a confiança única e exclusivamente em Deus.

A riqueza honesta não é má e nem condenável, assim como a pobreza não é garantia de salvação; mas ambas suscitam atitudes que podem facilitar ou dificultar a procura de Deus. Alguém pode ser rico e ter um coração de pobre, cultivando o desapego, a humildade, a caridade, como alguém pode ser pobre, mas ter um coração de rico, sem caridade nem humildade. (… pior que um rico asqueroso é um pobre orgulhoso…).

O grande abismo que Abraão diz existir entre o Céu e o Inferno indica que é só na vida terrestre que podemos nos converter. A morte nos estabelece em nossa condição definitiva: Ou o Céu ou o Inferno para sempre; costumamos dizer que céu e inferno só tem porta de entrada. .

A parábola evidencia também que a tese da reencarnação não é compatível com a fé cristã. Existe para cada homem uma só passagem pela terra. Esta verdade é também reforçada em Hb 9,27: “Os homens devem morrer uma só vez. Depois segue o Julgamento”. Vemos ainda que Deus não permite que os espíritos dos mortos se comuniquem com os vivos; daí também ser incompatível as teorias sobre comunicação com os mortos seja de que forma for.

Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja nos Discursos sobre os salmos, Sl 85; CCL 39, 1178 nos ensina: Terá o pobre sido recebido pelos anjos unicamente devido ao mérito da sua pobreza? E terá o rico sido enviado para o lugar dos tormentos apenas por culpa da sua riqueza? Não: é preciso entender que foi a humildade que foi premiada no caso do pobre e o orgulho condenado no caso do rico.

Eis a prova de que não foi a riqueza, mas o orgulho que levou a que o rico fosse castigado. O pobre foi levado para o seio de Abraão; mas as Escrituras dizem de Abraão que ele tinha muito ouro e prata e que era rico na terra (Gn 13,2). Se todos os ricos são enviados para o lugar dos tormentos, como pôde Abraão receber o pobre no seu seio? Acontece que Abraão, com toda a sua riqueza, era pobre, humilde, respeitador e obedecia a todas as ordens de Deus. Ele tinha a sua riqueza em tão pouca conta que, quando Deus lhe pediu, aceitou oferecer em sacrifício o filho a quem destinava essa riqueza (Gn 22,4).

Aprendei, pois, a ser pobres e ter necessidades, quer possuais alguma coisa neste mundo quer não possuais nada. Porque encontramos mendigos cheios de orgulho e ricos que confessam os seus pecados. Deus resiste aos orgulhosos, estejam eles cobertos de seda ou de trapos, mas dá a sua graça aos humildes (Tg 4,6), quer eles possuam, ou não, bens deste mundo. Deus olha para o interior; é aí que avalia e examina.

Na leitura da profecia de Jeremias vemos que nos é apontado que para o homem a maldição tem como resultado a morte e a bênção tem como resultado a vida. O homem que apenas confia no que é humano e se afasta interiormente do Senhor e o resultado só pode ser a prática do mal. O homem piedoso também se caracteriza pela sua confiança diante de Deus. O profeta insiste na importância do coração, centro das decisões e da afetividade do homem. Só Deus conhece de verdade o coração do homem e o pode curar.

Rezemos com o Salmista: Eis que tudo o que ele faz vai prosperar. Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva á morte. Amém.

 

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco

Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

 

Leitura: Jeremias 17,5-10

Salmo: 1

Evangelho: Lucas 16,19-31

 

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