Ano Par › 25/10/2018

Quinta Feira – 29ª. Semana comum

Amados irmãos e irmãs
“Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso”?
A palavra “fogo” é muito usada na literatura antiga e moderna, com significados diversos: purificação, renovação, amor etc. Em toda a Bíblia, o fogo é símbolo de Deus: na sarça ardente encontrada por Moisés; no fogo ou raio da tempestade no Sinai; nos sacrifícios do Templo onde as vítimas passadas pelo fogo; como símbolo do juízo final que purifica todas as coisas. Na tradição bíblica profética, o “fogo” é um elemento purificador que consome as impurezas. Na linguagem bíblica e apocalíptica “fogo” significa também juízo que supõe o fim do mundo e o início do outro. Vir trazer fogo a terra significa que a presença de Jesus tem a força de purificar o mundo da impureza, do egoísmo, da desigualdade, da discriminação, da exclusão, da insensibilidade e assim por diante.
Pode parecer esquisito o próprio Jesus falar que não veio trazer a paz; mas se olharmos bem para o tipo de paz que existe no mundo concordaremos com Jesus; pois, Ele veio para desmascarar a farsa da (Pax romana) da sua época e da paz dos dias atuais que também é falsa pois é mantida sobre arsenais de guerra, ameaças e tudo mais. Os homens fingem que estão em paz e assim vão matando uns aos outros; enquanto muitos que se dizem cristãos apoiam este sistema e pregam um Jesus light, um Jesus de conveniência.
Jesus vem mostrar que seu projeto o amor desafia todo entendimento; não podemos saber qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor, pois ele é infinito. Um Jesus que não incomoda é o modelo de Jesus que agrada o mundo atual, mas o Jesus que Lucas apresenta é a pura realidade, suas palavras e ensinamentos geram conflitos de toda ordem, pois Ele denuncia as injustiças e com isto fere muitos interesses pessoais; além é claro de deixar claro que os seus seguidores não podem ser frouxos e mornos.
A lealdade a Jesus e a decisão de segui-lo está acima de qualquer lealdade e de qualquer outra decisão. Nenhum laço afetivo deve preceder o amor por Jesus ou ser obstáculo para o seguimento de Jesus Cristo.
Santo Ambrósio, bispo e doutor da Igreja no Comentário sobre o evangelho de Lucas, 7, 131s; SC 52 nos ensina que como os dias dessa vida ainda são noite, temos necessidade de uma lâmpada. Era o fogo que, segundo o testemunho dos discípulos de Emaús, o próprio Senhor tinha colocado neles: “ Não estava o nosso coração a arder cá dentro quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as escrituras? ” (Lc 24,32) Eles ensinam-nos qual é a ação desse fogo, que ilumina o fundo do coração do homem. É por isso que o Senhor virá no fogo (Is 66,15), para consumir o mal no momento da ressurreição, cumulando com a sua presença os desejos de todos e projetando a sua luz sobre os méritos e os mistérios.
O Catecismo da Igreja Católica §§ 696, 728-730 nos ensina que enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo. O profeta Elias, que apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente, pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Batista, que irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias, anuncia Cristo como Aquele que há de batizar no Espírito Santo e no fogo (Lc 3,16), aquele Espírito do qual Jesus dirá: Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado! (Lc 12,49) É sob a forma de línguas, uma espécie de línguas de fogo, que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de si (At 2,3-4). A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo: Não apagueis o Espírito! (1Ts 5,19). Jesus não revela plenamente o Espírito Santo enquanto Ele próprio não for glorificado pela sua morte e ressurreição. Só quando chega a hora em que vai ser glorificado, é que Jesus promete a vinda do Espírito Santo, pois a sua morte e ressurreição serão o cumprimento da promessa feita aos antepassados. O Espírito da verdade, o outro Paráclito, será dado pelo Pai a pedido de Jesus; será enviado pelo Pai em nome de Jesus; Jesus O enviará de junto do Pai, porque do Pai procede. Chega, por fim, a hora de Jesus: Jesus entrega o seu espírito nas mãos do Pai, no momento em que pela sua morte vence a morte, de tal modo que, ressuscitado dos mortos pela glória do Pai (Rm 6,4), logo dá o Espírito Santo soprando sobre os discípulos (Jo 20,22).
Na leitura da carta Paulo aos efésios Paulo pede para eles uma fé que seja forte a fim de que Cristo habite nos seus corações e cresça neles o sinal típico de pertença a Cristo: a caridade. Não podemos com nossa inteligência humana largura querer compreender o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Deus que ultrapassa todas as categorias humanas. Paulo louva a Deus porque é capaz de realizar maravilhas muito maiores do que possamos pensar e desejar e aqui acrescentaríamos que basta olhar para o que Ele realizou em nós para termos plena convicção de tudo o que Paulo está a dizer, em tudo Deus nos concede muito mais do que pedimos ou imaginamos.
Rezemos com o Salmista: Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o! Pois é reta a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Ef 3,14-21 
Salmo: 32
Evangelho: Lucas 12,49-53

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