Ano Ímpar › 27/07/2017

Quinta Feira – 16ª. Semana Comum

quintaAmados irmãos e irmãs
“Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram”.
Que quer dizer: ver sem ver, ouvir sem ouvir nem compreender? É a atitude dos fariseus, que, embora escutando as palavras de Jesus, e vendo os seus milagres não creem nele. Nós, por graça de Deus, vemos; mas corremos o risco de ver superficialmente, de escutar sem profundidade. Ver bem é ver em tudo o amor do Senhor
No Evangelho aparecem duas categorias de pessoas: a multidão e os discípulos. A multidão é formada por quem ouve Jesus por simples curiosidade, ou, pior ainda, com prevenção contra ele. Resultado: a multidão permanece na superficialidade das palavras, como se tivesse tapado os ouvidos, e fechado os olhos. Já os discípulos, por sua adesão sincera ao Mestre, estão aptos para conhecer os mistérios do Reino revelados nas parábolas. Ou seja, seus olhos veem, e seus ouvidos ouvem.
Os Discípulos foram escolhidos do meio da multidão, o Senhor viu neles, muito mais do que ouvidos atentos, mas corações abertos, sedentos de esperança e disponibilidade para segui-lo. Por isso Jesus os trata de modo especial e os introduz ao conhecimento sobre os mistérios do Reino dos Céus. Hoje esses discípulos estão nas nossas comunidades cristãs, são todos os batizados que se abriram á Graça de Deus, que foram capazes de se encantarem com Jesus e seu evangelho, e se colocam sempre disponíveis para construir esse Reino que é Eterno.
São Bernardo monge e doutor da Igreja nos Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, nº 2, 4ss nos ensina que mesmo antes da vinda do Salvador, os santos não ignoravam que Deus tinha desígnios de paz para o gênero humano. Pois o Senhor Deus nada faz sem revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas (Am 3,7) No entanto, esse desígnio continuava oculto a muitos ; mas aqueles que pressentiam a redenção de Israel (Is 14,1) anunciavam que Cristo viria na carne e, com Ele, a paz : Ele próprio será a paz (Mq 5,4).Contudo, enquanto eles prediziam a paz e o Autor da paz demorava a chegar, a fé do povo vacilava, pois não havia ninguém para o resgatar e salvar. Queixavam-se desse atraso; tantas vezes prometido pela boca dos seus santos, os profetas dos tempos antigos (Lc 1,70), o Príncipe da paz (Is 9,5) parecia nunca mais vir. Era como se alguém de entre a multidão respondesse aos profetas: Durante quanto mais tempo nos mantereis em suspenso? Há já tanto tempo que anunciais a paz e ela não chega. Prometeis maravilhas e só aparecem problemas. E essa promessa foi-nos de novo feita, “muitas vezes e de muitos modos” (Hb 1,1), os anjos anunciaram-na aos nossos pais e os nossos pais falaram-nos dela: Paz, paz: mas não há paz (Jr 6,14). Que Deus prove que os seus mensageiros são dignos de fé, se é que são seus mensageiros! Que venha Ele próprio! Daí vêm as suas promessas doces e cheias de consolo: Eis que vem o Senhor (Is 33,12), Ele não mentirá; se tardar, esperai ainda, porque com toda a certeza não falhará (cf Hab 2,3). Ou ainda: o seu tempo está próximo; os seus dias não tardarão. E enfim, na boca daquele que foi prometido vêm estas palavras: Vou fazer com que a paz corra para Jerusalém como um rio, e a riqueza das nações como uma torrente transbordante (Is 66,12).
Na leitura do livro do Êxodo vemos uma grande teofania onde se conclui a aliança entre Deus e Israel. O acontecimento revela majestade e soberania de Deus que pede atitude de temor por parte povo. Ainda vemos um Deus que causa medo e cujo rosto não se pode ver. É a transcendência de um Deus que permanece acima de nós, muito além da nossa imaginação. Em Jesus no Novo Testamento veremos a face revelada de um Deus que é bondade, graça, perdão, e misericórdia.
Rezemos com o Salmista: Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais. A vós louvor, honra e glória eternamente! Sede bendito, nome santo e glorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente!Amém.

Reflexão feita por Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Êx 19,1-2.9-11.16-20b
Salmo: Dn3,52-56
Evangelho: Evangelho: Mt 13,10-17

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