Ano Par › 12/07/2018

Quinta Feira – 14ª. Semana Comum

Amados Irmãos e Irmãs
Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento.
Em um mundo como o nosso, onde o capitalismo selvagem coloca o ter acima de tudo, onde não se encontra incentivo algum para as pessoas que se dedicam a ajudar o próximo com dedicação e altruísmo desinteressado.
Vemos a crise de médicos não porque faltem médicos, mas porque os que existem querem ganhar dinheiro e prestígio com a profissão, o que trabalhando em um SUS não é possível.
Já não encontramos professores de geografia e outras matérias não porque não tenha pessoas que gostem destas áreas da ciência, mas porque elas não dão dinheiro.
Infelizmente esta praga de pensamento entrou na Igreja e muitos dos que se colocam, a serviço do Evangelho estão mais é pensando em ganhar dinheiro com o anuncio do reino de Deus.
Chamamos a atenção de todos os cristãos católicos para que olhem bem para aqueles que se dizem missionários do reino, vejam seu modo de viver, vejam o que Jesus falou no evangelho de hoje e comparem; pois é fácil de identificar tais lobos.
Olhem para o testamento do beato João Paulo II que revelou ao mundo o seu notável espírito de pobreza; o de Madre Teresa de Calcutá que nas viagens trazia uma única muda de roupa e uma pequena bacia, dentro de uma caixa de biscoitos amarrada com um cordão de persiana. O desprendimento e a sobriedade dos seguidores de Jesus dão o feliz testemunho e se assim foram os santos canonizados assim também devemos ser todos nós.
Lembro-me aqui o que disse nosso papa Francisco a respeito de padres, freiras e irmãos com carro do último modelo: O carro é necessário, mas arrume um carro simples. Porque não incluir aí leigos que com seus “carrões de luxo” também e tornam um afronta para os pobres.
Ficamos a imaginar se Jesus estivesse a nos enviar com as palavras que fez o envio dos primeiros e parafraseando e atualizando creio que ficaria assim: “Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo. Acolhei os moradores de rua, visitai os presidiários, ajudai os dependentes químicos. Recebestes de graça, de graça dai!
Não queiram viajar na primeira classe dos aviões; não leveis tablets, Ipad e notebook muito caros; Não usem relógios patek philippe ou rolex que possam escandalizar, não cobrem caches em seus shows, nem missas e pregações; não exijam camarins com ar condicionado, água importada e frutas tropicais e por fim peço que não se hospedem em hotéis cinco estrelas, mas na casa dos irmãos onde comerá do que eles comem e acima de tudo nunca exijam quantidade mínima de fieis na assembléia para que possa cantar ou pregar..
Vamos sempre nos lembrar de que o Deus que servimos é aquele que na cruz estava nu e sem nada e que no altar se imola no sacrifício incruento sob as simples espécies de pão e vinho.
Isto tudo porque o discípulo não é mais que o Mestre que o enviou, lembrem sempre de que você é apenas um mensageiro, mas a mensagem é e sempre será Jesus que é Cristo e Senhor!
São Boaventura, franciscano e doutor da Igreja na Vida de S. Francisco, “Legenda Major”, cap. 3 nos ensina: A entrada na Ordem (de S. Francisco) de mais um homem de bem elevou para sete o número dos filhos do servo de Deus. Então, esse bom pai reuniu-os a todos e falou-lhes longamente do Reino de Deus, do desprezo do mundo, da renúncia à própria vontade e da mortificação dos sentidos, e anunciou-lhes o seu projeto de enviá-los aos quatro cantos do mundo. “Ide — disse com ternura aos seus filhos — e anunciai a paz aos homens; proclamai a conversão, para que obtenham o perdão dos pecados (Mc 1,4). Sede pacientes nas tribulações, assíduos na oração, corajosos no trabalho; pregai os vossos sermões com simplicidade, sede irrepreensíveis na vossa conduta e agradecidos pelos benefícios recebidos. Se cumprirdes tudo isto, será vosso o Reino do Céu (Mt 5,3; Lc 6,20)”! Então, humildemente de joelhos diante do servo de Deus, eles acolheram este envio na alegria espiritual que advém da santa obediência. Francisco disse a cada um: “Abandona ao Senhor todas as preocupações, e Ele te sustentará” (Sl 54,23). Esta era a sua frase habitual sempre que enviava um irmão em missão.
Na leitura do livro do profeta Oséias vemos que após usar da figura de um Deus esposo (Os 2), usa agora a figura de Deus como Pai que sabe esperar com paciência, porque deseja a vida e não a morte ,um Deus que cuida de nós. Se assim não for, caímos no desconforto, na angústia, e até no sentimento de traição, quando formos provados pelos sofrimentos. A certeza de que Deus é amor, nos ama e cuida de nós, leva-nos a tomar a atitude de que nos fala Jesus no evangelho: “Recebestes de graça, dai de graça” (Mt 10, 8);ou seja vamos amar e cuidar dos irmãos como Ele cuida de nós e aí estaremos fazendo o Reino de Deus estar entre nós.

Rezemos com o Salmista: Ó Pastor de Israel, prestai ouvidos. Vós, que sobre os querubins vos assentais, despertai vosso poder, ó nosso Deus, e vinde logo nos trazer a salvação! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Os 11,1-4.8c-9
Salmo: 79
Evangelho: Mateus 10,7-15

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