Artigos e reflexões › 04/07/2019

Quem perdoar pecados senão Deus? Mc 2,7


Apresentaram-lhe um paralítico. São Mateus diz simplesmente que esse paralítico foi levado a Jesus. Outros evangelistas narram que foi descido por uma abertura no teto e apresentado ao Salvador sem nada pedir, deixando que fosse Ele a decidir sobre a cura. O evangelho diz: Vendo Jesus a fé deles, isto é, dos que lhe levaram o paralítico. Reparai que, algumas vezes, Cristo não faz caso nenhum da fé do doente: talvez ele seja incapaz de tê-la, por estar inconsciente ou possuído por um espírito mau. Mas este paralítico tinha uma grande confiança em Jesus; de outra forma, como teria permitido que o descessem até Ele? Cristo responde a essa confiança com um prodígio extraordinário. Com o poder do próprio Deus, perdoa os pecados a esse homem. Mostra assim ser igual ao Pai, verdade que já tinha mostrado quando dissera ao leproso: Quero, fica purificado! (Mt 8,3), quando, com uma só palavra, tinha acalmado o mar em fúria (Mt 8,26), ou quando, como Deus, tinha expulsado os demônios, que reconheciam nele o seu soberano e o seu juiz (cf Mt 8,32). Ora, aqui Ele mostra aos seus adversários, para grande espanto destes, que é igual ao Pai.
E o Salvador mostra também, mais uma vez, que rejeita tudo o que é espetacular ou fonte de glória vã. A multidão pressiona-o de todos os lados, mas Ele não tem pressa em fazer um milagre visível, curando a paralisia exterior desse homem. Começa por fazer um milagre invisível, curando-lhe a alma. Essa cura é infinitamente mais vantajosa para o homem — e, na aparência, menos gloriosa para Cristo.
São João Crisóstomo (c. 345-407), bispo e doutor da Igreja nas Homilias sobre o Evangelho de Mateus, nº 29,1

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