Ano Ímpar › 18/04/2017

Quarta Feira – Oitava da Páscoa

18010387_1290548701030352_4396488629543226288_nAmados irmãos e irmãs
Se assim como Pedro você não tem ouro e nem prata, Jesus te pergunta hoje: “O que você tem para dar ao irmão que te suplica algo”?
Nos tempos atuais a correria tem impedido as pessoas de percorrer o seu “Emaus”. Ninguém mais tem tempo para nada, os vizinhos e parentes não conversam mais. É até estranho, mas às vezes as pessoas moram lado a lado por anos a fio e sequer sabem o nome uma das outras. Ficam sabendo que o vizinho morreu pelo jornal.
Precisamos urgentemente aprender a ouvir as pessoas, caminhar com elas, saber como está a vida, o que anda pensando ou sonhando.
Outra riqueza deste Evangelho que só encontramos em Lucas é que na verdade ele se trata de uma celebração Eucarística, senão vejamos: a chegada do Cristo, a saudação inicial, o percorrer a história (proclamação da Palavra) e por fim a ceia no repartir o pão e na despedida o belíssimo: Fica conosco.
Os discípulos de Emaús nos dias atuais são os cristãos desanimados que vivem a dizer que este mundo está perdido e não tem mais jeito. São aqueles que não acreditam ser possível começar agora e já a instauração do reino de Deus.
A figura dos discípulos de Emaús foi apresentada como o ícone para nortear a vivência sacramental do Ano Eucarístico proclamado pelo beato João Paulo II. Na conclusão da Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, o mesmo papa nos confidenciava: cada dia pôde a minha fé reconhecer no pão e no vinho consagrados aquele Viandante divino que um dia se pôs a caminho com os dois discípulos de Emaús para abrir-lhes os olhos à luz e o coração à esperança… Como Cléofas e seu companheiro, devemos perceber que o Cristo caminha ao nosso lado e nos questiona sobre as razões da nossa tristeza. No decorrer dessa caminhada, saibamos escutar a sua catequese e com um ardor no coração, vamos solicitar humildemente que Ele parta o pão para nós.
É preciso muita fé para dizer o que Pedro disse ao coxo. Imaginem se fossemos nós? Quantas dúvidas não poderiam pairar tal como: que vergonha vou passar se ele não ficar curado ou ainda se alguém ver poderá me acusar de curandeirismo, etc. Talvez muitas coisas deixem de acontecer em nossas vidas justamente pelo nosso medo de errar ou de passar vergonha e isto significa falta de humildade pois o coração humilde não se importa com o que os outros vão dizer.
Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja no Sermão 235; PL 38, 1117 nos ensina: Irmãos, quando é que o Senhor se deu a conhecer? Quando partiu o pão. Fiquemos, portanto tranquilos: quando partirmos o pão, reconheceremos o Senhor. Se Ele só quis ser reconhecido nesse instante, foi por nossa causa, foi para que não o víssemos na carne, comendo, no entanto da sua carne. Portanto tu que crês nele, quem quer que sejas, tu que não tomas em vão o nome de cristão, tu que não entras numa igreja por acaso, tu que escutas a palavra de Deus no temor e na esperança, para ti o pão partido será uma consolação. A ausência do Senhor não é uma ausência verdadeira. Tem confiança, guarda a fé e Ele estará contigo, ainda que não o vejas.
Quando o Senhor os abordou, os discípulos não tinham fé. Não acreditavam na sua ressurreição; nem sequer esperavam que Ele pudesse ressuscitar. Tinham perdido a fé; tinham perdido a esperança. Eram mortos que caminhavam ao lado de um vivo; caminhavam mortos juntamente com a vida. A vida caminhava com eles, mas, no coração destes homens, a vida ainda não se tinha renovado.
E tu? Desejas a vida? Imita os discípulos e reconhecerás o Senhor. Eles ofereceram a sua hospitalidade; o Senhor parecia estar decidido a seguir o seu caminho, mas eles detiveram-no. Retém, também tu, o estrangeiro se quer reconhecer o teu Salvador. Aprende onde podes procurar o Senhor, onde podes possuí-lo, onde podes reconhecê-lo: partilhando o pão com ele.
Quero terminar esta reflexão com as palavras do papa emérito Bento XVI que consta no documento de Aparecida: “Fica conosco”
Os trabalhos desta V Conferência nos levam a fazer nossa a súplica dos discípulos de Emaús: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando” (Lc 24, 29). Ficai conosco, Senhor, acompanhai-nos, ainda que nem sempre tenhamos sabido reconhecer-vos. Ficai conosco, porque as sombras vão se tornando densas ao nosso redor, e vós sois a Luz; em nossos corações se insinua a desesperança, e vós nos fazeis arder com a certeza da Páscoa. Estamos cansados do caminho, mas vós nos confortais na fração do pão para anunciar aos nossos irmãos que na verdade vós ressuscitastes e nos destes a missão de serem testemunhas da vossa ressurreição. Ficai conosco, Senhor, quando ao redor da nossa fé católica surgem as névoas da dúvida, do cansaço ou da dificuldade; vós, que sois a própria Verdade como revelador do Pai, iluminai nossas mentes com a vossa Palavra; ajudai-nos a sentir a beleza de crer em vós. Ficai em nossas famílias, iluminai-as em suas dúvidas, sustentai- as em suas dificuldades, consolai-as em seus sofrimentos e na fadiga de cada dia, quando ao redor delas se acumulam sombras que ameaçam sua unidade e sua natureza. Vós que sois a Vida, permanecei em nossos lares, para que continuem sendo ninhos onde nasça a vida humana abundante e generosamente, onde se acolha, se ame, se respeite a vida desde a sua concepção até o seu término natural. Ficai, Senhor, com aqueles que em nossas sociedade são mais vulneráveis; ficai com os pobres, com os indígenas e com os afro-americanos, que nem sempre encontraram espaços e apoio para expressar a riqueza de sua cultura e a sabedoria de sua identidade. Ficai, Senhor, com nossas crianças e com nossos jovens, que são a esperança e a riqueza de nosso Continente; protegei-os de tantas insídias que atentam contra a sua inocência e contra suas legítimas esperanças. Ó bom Pastor, ficai com nossos anciãos e com nossos doentes. Fortalecei todos em sua fé, para que sejam vossos discípulos e missionários!
Rezemos com o Salmista: Dai graças ao Senhor, gritai seu nome, anunciai entre as nações seus grandes feitos! Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas! Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus! Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco.
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 3,1-10
Salmo: 105
Evangelho: Lucas 24,13-35

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