Ano Ímpar › 22/05/2019

Quarta Feira – 5ª. Semana da Páscoa

Amados irmãos e irmãs

A leitura do livro dos Atos dos apóstolos nos mostra a Igreja primitiva a caminho do primeiro concílio. Faz-nos lembrar de certas ocasiões em que pessoas de fora chegam à comunidade e expõe suas idéias sem levar em consideração o que aquela comunidade está vivendo. No caso da Igreja primitiva a questão era circuncidar ou não os neoconvertidos. Até que ponto a circuncisão era indispensável para a salvação das almas?
Neste processo doloroso Paulo toma frente para que não haja retrocesso; pois o que salva é a redenção trazida por Cristo e não obras. Hoje devemos olhar o essencial na Igreja, ou seja, o encontro pessoal com Jesus, sua Palavra e seu Corpo e Sangue que nos leva a conversão e a luta pelo seu Reino de amor e Justiça. Não nos apeguemos a questões menores como, por exemplo, se o vaso sagrado é de ouro ou de bronze (isto não é mais importante do que o seu conteúdo que é a Eucaristia). Se o paramento tem renda ou não; pois o mais importante é o poder pelo qual o ministro está revestido e não suas vestes.
O galho (ramo) somos nós e se não produzirmos frutos seremos cortados e jogados fora (perda total – sofrimento eterno); ao passo que se produzirmos fruto também seremos cortados (podados), mas não seremos jogados fora (perda parcial – sofrimento passageiro), para podermos dar mais frutos. Se Jesus é a videira e o Pai é o agricultor. A dizer que a Igreja é o instrumento de poda, a tesoura, que nos molda conforme a vontade do agricultor.
Quando um galho é cortado, toda árvore sofre, pois a cicatriz fica em seu tronco e sofre também porque vê o galho secar e morrer, pois se desligou da fonte da vida. Nós também quando esquecemos Jesus e tentamos fazer carreira solo devemos lembrar que Ele disse: ”Sem mim nada podeis fazer”!
Isaac da Estrela, monge cisterciense nos ensina que: ” Professo todo o respeito pela fiel explicação da vinha da Igreja universal: a vinha como representação de Cristo; os ramos como os cristãos; o agricultor e proprietário como o Pai celeste; o dia como representação do tempo na sua totalidade ou da vida do homem; as horas representando as idades do mundo ou do indivíduo; a praça representando a atividade agitada do mundo, ávido de dinheiro.
Pessoalmente, porém, gosto de considerar a minha alma e o meu corpo, a totalidade da minha pessoa, como a vinha.
Não negligenciá-la, mas trabalhar para que ela não seja abafada por outros ramos, nem incomodada pela profusão de rebentos no seu crescimento natural. Devo moldá-la para que não desenvolva demasiado sarmento, podá-la para que lhe nasçam mais frutos. Devo circundá-la com uma vedação para que não fique à mercê da pilhagem por quem passa na estrada, e, sobretudo para que o javali da selva não a devaste.
Devo cultivá-la com o maior dos cuidados para que a cepa original da vinha não degenere, para que não se torne uma vinha incapaz de alegrar Deus e os homens ou talvez suscetível de entristecê-los. Devo protegê-la com vigilância para que o fruto que tanto trabalho custou e que por tanto tempo foi esperado não seja roubado por aqueles que, às escondidas, devoram o infeliz, para que não desapareça de repente. Eis porque o primeiro homem recebeu a ordem de cultivar e guardar o Éden como se fosse uma vinha.
Jean Tauler, dominicano nos diz que os santos são como homens como a madeira da vinha: exteriormente é negra, seca e de pouco valor; para aquele que não a conhece, só é boa para ser lançada ao fogo e queimada; mas por dentro, no coração dessa cepa, escondem-se veios cheios de vida, e a grande força que produz o mais precioso e doce fruto.

Assim são as pessoas que vivem em Deus, e que são as mais amáveis de todas. No exterior, na aparência, são como seres definhados: assemelham-se à madeira negra e seca, pois são humildes e pequenos por fora; não são pessoas de grandes frases, de grandes obras e grandes ações; não têm uma aparência notável e, em sua própria opinião, em nada brilham. Mas aquele que conhecer a veia plena de vida que tais pessoas têm no seu fundo, onde pela própria natureza renunciam ao que são, onde Deus é a sua herança e o seu suporte, que felicidade tamanha lhe trará tal conhecimento!
Quando Jesus diz: Eu sou a videira verdadeira é sempre bom fazermos uma comparação, qual seja a mangueira dá manga, a laranjeira dá laranja, a jabuticabeira dá jabuticaba, isto é cada árvore dá fruto segundo sua espécie, ora se Jesus é a videira o seu fruto é a vida, vida eterna e em abundância; sem brincadeira podemos dizer sem medo de errar que Jesus é o pé da vida! Uma boa pergunta nesta hora é que fruto você está dando meu irmão.

Rezemos com o Salmista: Que alegria, quando ouvi que me disseram: ‘Vamos à casa do Senhor!’ E agora nossos pés já se detêm*Jerusalém, em tuas portas. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 15,1-6
Salmo: 122
Evangelho: João 15,1-8

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