Ano Ímpar › 22/03/2017

Quarta Feira – 3ª. Semana da Quaresma

Amados irmãos e irmãsquarta
“Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para aboli-los, mas sim para levá-los à perfeição. Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei”.
O grande ensinamento que Jesus nos dá hoje é que a lei não muda, mas ela pode ser aperfeiçoada para acompanhar a evolução dos tempos. Ficar parado diante da Lei é como que recusar a ver algo mais importante que está logo á frente. Os fariseus apegados a Lei não conseguiam ver Jesus a quem a Lei se referia.
Tudo no Antigo Testamento aponta para Jesus; mas os judeus não conseguiam enxergar esta verdade.
A função da Lei é regular as relações com Deus e com os outros irmãos ao passo que a profecia é indispensável para interpretar a Lei. Com isso devemos entender que a Lei de Moisés continua válida, mas precisa ser interpretada à luz da revelação de Jesus Cristo.
Seria como se nós nos dias de hoje ficássemos apegados às regras litúrgicas e outras normas e parássemos nelas como que agindo automaticamente em gestos puramente exteriores, não chegando a ter um encontro pessoal com o ressuscitado.
Jesus quer interpretar e dar entendimento da lei em função da pessoa humana e não da pessoa humana em função da Lei; a razão de ser da Lei é a pessoa e não ao contrário.
Por estes motivos vemos em inúmeras passagens do Evangelho onde Jesus se deparava com a Lei e o homem, Ele fazendo a opção pelo homem como é o caso da cura no sábado, da mulher adúltera, etc.
São Cipriano, bispo e mártir em “A cobiça e a inveja, 12-15; CSEL 3, 427-430” nos ensina que revelar o nome de Cristo, dizer-se cristão sem seguir a via de Cristo, não será trair este nome divino e abandonar o caminho da salvação? Porque o próprio Senhor ensina e declara que quem segue os seus mandamentos entrará na vida eterna (Mt 19,17), que aquele que escuta as suas palavras e as põe em prática é um sábio (Mt 7,24), e que aquele que as ensina e a elas é conforme nos atos será chamado grande no Reino dos céus. Toda a pregação boa e sã, afirma Ele, só aproveita ao pregador se a palavra que lhe sair da boca depois se traduzir em atos.
Ora, haverá mandamento que o Senhor mais tenha ensinado aos seus discípulos que o de nos amarmos uns aos outros com o mesmo amor com que Ele próprio os amou? (Jo 13,34; 15,12) Conseguiremos encontrar, de entre os seus conselhos conducentes à salvação e de entre os seus preceitos divinos, mandamento mais importante a ser seguido e observado? Mas como pode conservar a paz ou o amor do Senhor, aquele a quem a inveja tornou incapaz de agir como homem de paz e de coração?
Foi por esta razão que também o apóstolo Paulo proclamou os méritos da paz e da caridade, afirmando com determinação que nem a fé nem as esmolas, nem mesmo o sofrimento do confessor da fé e do mártir lhe servirão de coisa alguma, se não respeitar os laços da caridade (1Cor 13,1-3).
No livro do Deuteronômio encontramos os seguintes dizeres: “Qual é a grande nação que tem mandamentos e preceitos tão justos? Cuida de nunca esquecer o que viste com os teus olhos, e toma cuidado para que isso não saia jamais de teu coração, enquanto viveres; e ensina-o aos teus filhos, e aos filhos de teus filhos”. Quando ouvimos isto somos testemunhas de uma verdade incontestável, somos testemunhas de que muitas desgraças acontecem justamente porque o homem se recusa a observar o que foi prescrito e o pior é que não retransmite aos filhos.
Rezemos com o Salmista: Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz. Ele faz cair a neve como lã e espalha a geada como cinza. Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos e suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

Leitura: Deuteronômio 4,1. 5-9
Salmo: 147
Evangelho: Mateus 5,17-19

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