Ano Par › 17/10/2018

Quarta Feira – 28ª. Semana Comum 

Amados irmãos e irmãs 

“Ai de vós, que sois como os sepulcros que não aparecem, e sobre os quais os homens caminham sem o saber”.
Suponhamos que nos dias de hoje você seja fiel ao extremo no dízimo, mas rouba na empresa, tem uma amante traindo os filhos e esposa, etc. Isto significa que Jesus não se agrada do seu proceder; pois ele é farisaico.
Poderíamos aqui também citar que não estaremos agradando a Deus se formos cumpridores do preceito da missa dominical, mas não perdoamos um filho, ou um pai; se rezarmos o rosário todo o dia, mas não visitarmos ou estendermos a mão ao vizinho que está necessitado; ou se de repente temos um empregado doméstico sem registro em carteira, etc.; ou se ainda usarmos notas fiscais frias na hora de declarar o imposto de renda.
Hipócrita é a palavra para dizer do ator de teatro que representa uma peça. A hipocrisia dos escribas e fariseus consiste no que se refere à Lei de Moisés, na dissociação entre dizer e fazer. São verdadeiros atores.
Jesus hoje nos mostra que os fariseus estavam trocando o principal pelo acessório e ainda hoje muitos de nós fazemos o mesmo em nossas comunidades. O que significa isto? Usaremos um exemplo bem simples. Imagine um carro que você vai comprar: o principal é o motor, o tanque, as rodas, pneus, bateria, etc., pois sem estes ele não tem serventia alguma e o resto não funcionará. No entanto o vendedor te oferece acessórios que não são tão importantes, pois o carro funciona sem eles e quais são estes acessórios? É o ar condicionado, o vidro elétrico, a direção hidráulica, o aparelho de cd Player, etc.
Outra chamada de atenção de Jesus é em relação a exigirmos dos outro aquilo que nós não fazemos. Imagine que você exija do outro o dízimo, mas você não paga, pois tem cargo na Igreja e acha que isto o isenta. Você ensina o outro a jejuar e abster se de carne, mas rega sua mesa com carne de todo tipo e outras iguarias. É a isto que Jesus se referia quando dizia aos doutores da lei: “carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos”.
Lembro aqui de um santo homem Dom Oscar Romero que morreu com um tiro no peito quando erguia a Eucaristia e ele dizia: “Irmãos, como eu queria gravar no coração de cada um esta grande ideia: o cristianismo não é um conjunto de verdades que temos que crer ou de leis a serem cumpridas, de proibições! Isso é muito nojento. O cristianismo é uma pessoa que me amou tanto e que reclama o meu amor. O cristianismo é Jesus Cristo. Uma religião de missa dominical, porém de semanas injustas não agrada o Senhor. Uma religião de muita oração, mas com hipocrisia no coração não é cristã. Uma igreja que se instala só para estar bem, ter muito dinheiro, muito conforto e comodidade; porém esquece as reivindicações da injustiça não é a verdadeira Igreja de nosso Divino Redentor”.
Na carta aos Gálatas, S. Paulo vai no mesmo sentido quando contrapõe a carne e o Espírito. A carne é o homem natural, corrompido pelo pecado original, que realiza atos que impedem a liberdade e levam à escravidão. Contra estes atos, a Lei apenas dispõe de proibições: Não farás… Não dirás…, indicando o indispensável para não desagradar a Deus.
Quem se conduz pelo Espírito não se deixa escravizar pela lei. O Espírito nos faz atuar no amor, que não se contenta com a observância cega, mas vai à plenitude da liberdade de nos entregarmos totalmente. Precisamos ter olhar crítico sobre nossas atitudes para vermos se estamos produzindo mais obras da carne; ou se estamos produzindo frutos do Espírito.
Lembro-me do personagem “desmancha rodinha” que é aquela pessoa que quando chega a uma roda de bate papo todo mundo dá um jeito de sair, pois não a suportam mais.
Enquanto isto os que produzem frutos do espírito são pessoas que aonde chegam levam paz e harmonia e todos sentem prazer em estar com ela. Estas pessoas se deixam consumir pelo amor aos irmãos.
Rezemos com o Salmista: Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na ei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Gálatas 5,18-25
Salmo: Salmo 1
Evangelho: Lucas 11,42-46

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