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Artigos e reflexões › 14/06/2019

Ele faz com que o Sol se levante sobre os maus e os bons


Anuncia a bondade de Deus. Pois, sendo tu indigno, Ele te guiará, e como lhe deves tudo, Ele nada te exige. Em troca das pequenas coisas que fizeres, Ele te dará grandes coisas. Não digas de Deus apenas que Ele é justo. Porque não é relativamente ao que fazes que Ele revele a sua justiça. Se David lhe chama justo e reto (Sl 32,5), o seu Filho revelou-nos que, mais do que isso, Ele é bom e amável: Ele é bom até para os ingratos e os maus (Lc 6,35). Como podes limitar-te a falar na justiça de Deus, quando lês o capítulo sobre o salário dos trabalhadores? Em nada te prejudico, meu amigo. Não foi um denário que nós ajustámos? Leva, então, o que te é devido e segue o teu caminho, pois eu quero dar a este último tanto como a ti. Ou não me será permitido dispor dos meus bens como entender? Será que tens inveja por eu ser bom? (Mt 20,13-15). Como se pode simplesmente dizer que Deus é justo se, ao lermos o capítulo do filho pródigo que dissipou as riquezas de seu pai na devassidão, nos é relatado que, tendo percebido a dor do filho, logo para este seu pai correu, se lhe atirou ao pescoço e lhe deu plenos poderes sobre toda a riqueza paterna? (Lc 15,11ss). Quem nos contou estas coisas acerca de Deus não foi alguém de quem possamos duvidar. Foi o seu próprio Filho: Ele próprio deu esse testemunho de Deus. Onde está, portanto a justiça de Deus? Não é aqui: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós? (Rm 5,8). Se Deus se mostra compassivo aqui na Terra, acreditemos que o é desde a eternidade. Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul nos Discursos ascéticos, 1.ª série, n.º 60

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