Artigos e reflexões › 28/06/2019

Eis o Coração que tanto amou os homens


Contempla, ó homem que foste salvo, Aquele que por ti foi pregado na cruz. Levanta-te, tu que amas a Cristo, sê como a pomba que faz o seu ninho no fundo da fresta (Jer 48,28); aí, como o passarinho que encontrou a sua morada (Sl 83.4), vigiarás permanentemente, e como a toutinegra abrigarás os teus filhinhos e estenderás a boca para beber água das fontes da salvação (Is 12,3). Com efeito, essa é a fonte que, brotando no meio do Éden, se divide em quatro braços (Gn 2,10) e, derramada nos corações dos fiéis, irriga e fecunda a terra inteira. Corre, pois, até essa fonte de vida e de luz com um vivo desejo, sejas tu quem fores, e, no teu amor a Deus, grita-lhe com toda a força do teu coração: Ó beleza inefável do Altíssimo, esplendor puríssimo da luz eterna, vida que vivificas toda a vida, claridade que iluminas toda a luz e conservas em eterno fulgor os diversos astros que brilham diante do trono da tua divindade desde o início dos tempos! Ó torrente eterna e inacessível, límpida e suave, cuja fonte está escondida aos olhos de todos os mortais! A tua profundeza é sem fundo, a tua altura sem limites, a tua largura sem margens, a tua pureza sem qualquer mancha. É de ti que emana “o rio que alegra a cidade de Deus” (Sl 45,5), para que te cantemos hinos de louvor, “em explosão de alegria e de ação de graças” (Sl 41,5), pois sabemos por experiência que “junto a ti está a fonte da vida e na tua luz veremos a luz” (Sl 35,10). São Boaventura, doutor da Igreja em
A Árvore da Vida, 29-30. Opera omnia 8, 79

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