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Artigos e reflexões › 18/08/2016

Ajude uma pessoa com transtorno de imagem

transtorno de imagemTranstorno de imagem é uma doença, portanto, compreenda as pessoas que sofrem desse mal e aprenda a ajudá-las

A pessoa que sofre desse transtorno não está muito bem em alguns aspectos psíquicos, pois sente angústia, baixa autoestima, vergonha, desejo de ser melhor em um ou muitos aspectos; quer ser aceita pelos outros, mas tem dificuldade de aceitar a si mesma. Assim, a tentativa de aproximação deve ser por uma postura branda, bastante compreensiva e amorosa, pois, do outro lado, você encontrará alguém que está passando por um momento extremamente sensível, que pode ter baixa tolerância a qualquer tipo de rejeição.

Faça tentativas de proximidade que não sejam referentes ao transtorno propriamente. Caso esteja lidando com um filho, por exemplo, lembre que os laços da amizade e da confiança precisam ser estabelecidos para que ele baixe a guarda e aceite a sua presença, pois pode ficar na defensiva muitas vezes.

Como se aproximar de pessoas com transtorno de imagem

Veja formas de fazer com que a pessoa se sinta amada, crie o hábito de emitir palavras encorajadoras, de reconhecimento e incentivo, palavras que sejam, acima de tudo, verdadeiras, sinceras. Tentar forçar elogios pode transmitir artificialidade, o que afastará a pessoa de você.

Nesse momento, é bom perguntar-se se a sua postura é de acolhimento, aceitação e amor em relação a essa pessoa. É importante lembrar que nem todos sentimos amor da mesma forma.

Assim, seria interessante que você realmente mergulhasse no universo dessa pessoa e descobrisse de que forma ela se sente mais amada, mais compreendida. Não desanime nas primeiras tentativas, pois pode ser que o outro apresente um pouco de resistência às suas investidas de aproximação.

Quem sofre de transtorno de imagem pode desenvolver o hábito do isolamento e consequente afastamento das pessoas em geral. Quando o indivíduo toma essa postura, é na tentativa de proteção e autopreservação, ou seja, ele está tendo ganhos com esse comportamento. Diante disso, tente descobrir que ganhos são esses e ofereça coisas semelhantes para que a pessoa veja vantagem em permitir sua proximidade.

Ofereça segurança e acolhimento, proteção, ajude-o a sentir-se amado e acolhido do jeito que é. Somente a partir de uma profunda aceitação é que as mudanças poderão acontecer mais fluidamente.

Estabelecendo laço de confiança e amizade

Conforme a relação de confiança for se estabelecendo e se fortificando, pergunte sobre os sentimentos dessa pessoa, que é tão especial para você, tente praticar a empatia e sentir as coisas que ela sente.

Procure saber o que ela acha bonito, qual é o seu padrão de perfeição, quais são as pessoas que admira. Com o tempo, faça desafios com imagens diversas e ajude-a a encontrar belezas e defeitos nessas figuras – podem ser quadros de pintores famosos, fotografias diversas, frutas, legumes etc. O intuito é ajudá-la a enxergar que as falhas não precisam ser rejeitadas e que o belo é composto por defeitos também. Não é necessário jogar a banana fora, porque possui manchas, ou desprezar uma obra de arte, porque alguns traços são disformes, como acontece nas obras abstratas.

Mesmo se tratando das modelos mais reconhecidas no universo da moda ou de grandes astros da televisão, podemos encontrar fotos de famosos que fazem campanhas publicitárias sem maquiagem e que continuam belos. Ajude a pessoa a enxergar essa beleza por trás de uma cara lavada, de um cabelo desarrumado.

Enfim, convide a pessoa para passeios simples, sem glamour ou requinte. Pode ser que o olhar dela precise passar por uma higiene, para que o simples e o imperfeito sejam vistos com o mesmo brilho e encanto do perfeito.

Ofereça e esteja disposto a ajudar

A ajuda profissional pode ser necessária em alguns casos, e isso é corriqueiro, natural, não deve ser encarado como um estigma ou fracasso. Afinal, todos temos os nossos dramas pessoais e precisamos, vez ou outra, de ajuda especializada para andarmos com mais firmeza no terreno do nosso ser.

Não tema enfrentar os seus próprios medos e limitações quando decidir ajudar alguém que sofre de transtorno de imagem. É bom que você procure situações onde possa também relaxar, distrair-se e divertir-se, afinal, você deve buscar recursos e pontos de apoio para se fortificar e alimentar-se de coisas que o sustentem nesse desafio.

No fim das contas, o transtorno de imagem acaba se manifestando em uma pessoa dentro da família, do ciclo de amizades ou de uma comunidade, mas a questão pode estar difundida em outros membros do grupo. Ou seja, mesmo que se apresente em um indivíduo, o transtorno pode querer apontar a necessidade de mudança na postura de uma ou mais pessoas.

Por isso é importante que o maior número de indivíduos se envolva na tentativa de ajudar alguém que sofre, e que estejam dispostos a se reverem, modificarem comportamentos inadequados, crescerem na direção da maturidade. A postura de abertura, humildade, compaixão e amor são fundamentais.

É possível que algo indesejado e desconfortável, com o nome de transtorno de imagem, seja um grande parceiro na construção de uma família mais unida, de um grupo com mais compreensão ou uma comunidade mais livre e autêntica.

Por Milena Carbonari (via Canção Nova)

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