Ano C › 03/06/2019

Segunda Feira – 7a. semana da pascoa

Amados irmãos e irmãs

“No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”.
Jesus percebendo a euforia dos apóstolos diz: “Credes agora! Eis que vem a hora, e ela já veio; em que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis sozinho”? É como se Jesus dissesse: vocês vão dar no pé, abandonando-me no momento em que chegar a minha hora. Nossa vida em comunidade também é assim, em especial naqueles momentos fortes de espiritualidade e aí dizemos e gritamos que amamos Jesus, que nunca vamos abandonar a caminhada na comunidade, etc. e tal. Mas basta vir um fracasso, uma desilusão e tudo vai por água abaixo e abandonamos o barco. O que parecia ser uma fé inabalável era puro fogo de palha.
Jesus vem e nos encoraja ao dizer que Ele venceu e que nós teremos aflições, mas devemos ter coragem. A incredulidade é origem do medo; ela impede o nosso caminhar.
Costumamos dizer que muita gente confunde o real significado da palavra coragem. Para muitos, coragem é ausência de medo quando na verdade só precisamos de coragem quando estamos morrendo de medo. Se você não tem medo de dirigir um veículo então não precisa de coragem para dirigi-lo. Os cristãos da Igreja primitiva tinham medo, mas a fé que os acompanhava os enchia de coragem para enfrentar os perigos mesmo morrendo de medo. Num trocadilho diríamos que: Corajoso é o homem que mesmo morrendo de medo não deixa de enfrentar o perigo.
Como anda nosso medo e nossa coragem no mundo de hoje e quais são os perigos que os cristãos enfrentam? Ele venceu o mundo para nós! Que jamais nos esqueçamos disso!
São Rafael Arnaiz Baron, monge trapista em seus Escritos espirituais, no ensina: Senhor meu Deus, vejo como me é preciso ter paciência; porque esta vida é cheia de contradições. Jamais estará isenta de dores e de lutas, faça eu o que fizer para ter paz. – E é assim, meu filho; mas Eu não quero que procures uma paz sem tentações para vencer, sem contrariedades para sofrer. Acredita, ao contrário, que terás encontrado a paz quando tiveres sido trabalhado por muitas tribulações, e tentado por muitas contrariedades (Imitação de Cristo, 3,12). Como nos enganamos, por vezes, os que procuramos a verdadeira paz de Deus! É que, com frequência, o que procuramos não é a paz de Deus, mas a paz do mundo. Quando o mundo procura a paz, concebe-a assim: silêncio, quietude, amor sem lágrimas, muito egoísmo camuflado. O homem procura essa paz para descansar, para não sofrer; procura a paz dos homens, a paz sensível, àquela paz que o mundo representa num claustro sob o sol, com ciprestes e pássaros; aquela paz sem tentações e sem cruz. Hoje bendigo do mais fundo da minha alma este Deus que me ama tanto. Ele ama-me com as minhas misérias, os meus pecados, as minhas lágrimas e as minhas alegrias; Ele quer-me nessa paz de que nos fala Thomas de Kempis (em A Imitação). Como Deus é grande! A paz da minha alma é a paz daquele que nada espera de ninguém. O que a alma espera neste mundo é apenas o desejo de viver unida à sua vontade; e essa espera é serena, na paz, apesar do triste cansaço de não ver ainda a Deus. Acompanhá-lo na cruz custa por vezes lágrimas abundantes. Considerar que ainda temos uma vontade própria, tantas misérias, defeitos, pecados, não pode deixar de nos causar desgosto. Tudo é combate, dor, mas Jesus está no centro, pregado numa cruz, e encoraja a alma a prosseguir. No meio da batalha que deixamos no mundo, está Jesus, de rosto sereno, dizendo-nos: Quem me segue não andará nas trevas (Jo 8,12).
No livro dos Atos dos apóstolos lemos: “Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé? ” “Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo”!
Quantos de nós daríamos hoje a mesma resposta? Sabemos que por séculos afora a terceira pessoa da Trindade foi esquecida e o século XX é que foi decisivo no sentido de dar ênfase a ação do espírito Santo. As três pessoas sempre coexistiram. No presente caso Paulo fala que o batismo de João era de penitência e que agora era necessário batizar em nome do Senhor Jesus. Este batismo além de perdoar pecado derrama o Espírito Santo sobre o batizado.

Rezemos com o Salmista: os justos se alegram na presença do Senhor, rejubilam satisfeitos e exultam de alegria! Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a seu nome! O seu nome é Senhor: exultai diante dele! Dos órfãos ele é pai e das viúvas protetor; é assim o nosso Deus em sua santa habitação. É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados, quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Atos 19,1-8
Salmo: 67/68
Evangelho: João 16,29-33

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