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Ano C › 17/02/2019

6º. Domingo do Tempo comum

Amados irmãos e irmãs 
Interessante notar que esta passagem do Evangelho é encontrada em Mateus e em Lucas, mas Mateus a coloca no contexto do monte (sermão da montanha) e a montanha e o lugar do contato mais próximo com Deus. Lucas coloca no contexto da planície que é o ligar do contato com o homem.
A primeira bem-aventurança é o fundamento de todas as outras e ela diz: “Bem aventurados os pobres, porque deles é o Reino dos Céus” A pobreza de espírito é uma pobreza em relação a Deus: diante de Deus, o ser humano se encontra sem nada. É o nosso nada diante do tudo que é Deus, é colocar-se totalmente nas mãos do Pai. É renunciar a si mesmo para que Deus seja tudo em nós.
Em Mateus se enumera nove bem aventuranças ao passo que Lucas elenca quatro e são elas:
1ª. – Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus.
2ª. – Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados.
3ª. – Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.
4ª. – Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e prescreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa.
Em contraponto às bem-aventuranças Lucas elenca as maldiçoes e são elas:
1ª. – Mas ai de vós, os ricos, porque já recebestes a vossa consolação.
2ª. – Ai de vós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome.
3ª. – Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar.
4ª. – Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem.
Refletindo este Evangelho o Papa Francisco nos diz: “Somente quando se abre o coração a Deus é possível entender a nova lei que Ele traz: as bem-aventuranças. São os novos mandamentos, mas se não temos o coração aberto ao Espírito Santo, parecerão bobagens. Pois ser pobre, doce, misericordioso parece não levar ao sucesso
A proposta de Jesus apresenta uma nova compreensão da existência, bem distinta da que predomina no nosso mundo. A lógica do mundo proclama “felizes” os que têm dinheiro (mesmo quando esse dinheiro resulta da exploração dos pobres), os que têm poder (mesmo que esse poder seja arbitrário e prepotente), os que têm influência (mesmo que essa influência seja à custa da corrupção).
No número 63 e 64 do Capítulo III da Exortação Apostólica Gaudete Et Exsultate o papa Francisco nos diz: “ Sobre a essência da santidade, podem haver muitas teorias, abundantes explicações e distinções. Uma reflexão do gênero poderia ser útil, mas não há nada de mais esclarecedor do que voltar às palavras de Jesus e recolher o seu modo de transmitir a verdade. Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; fê-lo quando nos deixou as bem-aventuranças (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23). Estas são como que o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre como fazer para chegar a ser um bom cristão, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças. Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida. A palavra feliz ou bem-aventurado torna-se sinónimo de santo, porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcança, na doação de si mesma, a verdadeira felicidade.
Na primeira leitura o profeta Jeremias avisa que prescindir de Deus é percorrer um caminho de morte e renunciar à felicidade e à vida plena. Nossa confiança e esperança deve sempre estar centrada no Senhor, pois aquilo que o humano é passageiro e limitado ao passo que só em Deus encontramos segurança pois ele não falha e não nos decepciona.
Na segunda leitura o apóstolo Paulo nos diz: se Cristo não ressuscitou é vã a vossa fé. Não crer na ressurreição equivale a não acreditar na ressurreição de Cristo. A nossa vida presente não deve ser sem sentido e objetivo; ela deve ser caminhada mesmo com sofrimento e na dor na direção da vida plena que só Jesus pode nos dar.
Rezemos com o Salmista: Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, mas antes se compraz na lei do Senhor, e nela medita dia e noite. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Jr 17,5-8
Salmo: 1
2ª. Leitura: 1 Cor 15, 12.16-20
Evangelho: Lc 6, 17.20-26

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