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Ano A › 18/12/2016

4º. Domingo do Advento

15590421_1166530513432172_3912159995234588913_nAmados irmãos e irmãs
“José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados”. No evangelho de Lucas lemos a anunciação do Anjo do Senhor a Maria (Lc 1,26-38) ao passo que em Mateus a anunciação do Anjo é feita a José.
Esta Palavra de Deus nos mostra o maravilhoso encontro do divino e do humano em Jesus de Nazaré. Quando fazemos o sinal da Cruz lembramos este nobre momento: a divindade desce do céu e se junta a nossa humanidade, no ombro esquerdo a natureza humana no direito a natureza divina, eis o sinal de nossa salvação a Cruz que é trono do Senhor.
O acendimento das quatro velas que confirma a chegada plena da luz no seio de Maria que junto com José são modelos do Advento, vivem a ardente espera do Salvador em meio à obscuridade da fé e às ambiguidades e provas da frágil condição humana; assim como nós hoje que em meio a tantas adversidades devemos também esperar no Senhor.
O que foi colocado no Ventre de Maria é fruto do Espírito Santo, e quando José em crise decide abandonar a noiva, Deus se manifesta em sonho e o faz mudar seus planos.
Vemos que Deus age, mas não de forma mágica; pois o homem de fé participa diretamente da sua ação. José que era um homem justo fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado, recebeu em sua casa sua esposa e assumiu o filho como seu. Deus age verdadeiramente, mas se não nos colocarmos disponíveis pela força da nossa Fé, perderemos a oportunidade de participarmos da grandiosa obra da Salvação.
Em uma sociedade machista como a daquela época a função de José no plano da salvação seria a de garantir a identidade social do menino Jesus. Em seu papel de pai adotivo, competia-lhe dar, ao menino, o nome – Jesus – e, com isso, evidenciar sua missão de salvador da humanidade.
Precisamos entender que o matrimônio judeu é celebrado em duas etapas: o contrato e a coabitação. Entre o contrato e a coabitação transcorre um intervalo que pode durar um ano. O contrato já pode ser feito quando a moça tem doze anos de idade. Maria está unida a José por contrato, mas ainda não há coabitação. Mas, mesmo não havendo a coabitação a esposa em contrato deve ser fiel ao seu marido como se fosse uma casada.
E nós? Como agimos diante dos planos de Deus por mais absurdos que possam parecer? Quando cada um de nós descobre a própria impotência e pequenez diante da própria existência, então, deve voltar à memória deste relato para descobrir dentro de si a presença de Deus. Deus sempre cumpre sua promessa e a faz, muitas vezes, em forma desconcertante.
Como na vida de José, também às vezes nos são apresentadas situações difíceis e obscuras. Mas elas servem para purificar nossa visão desta vida, para ampliar nosso horizonte e para nos aproximar de Deus e dos seus mistérios.
Santo Afonso Maria de Ligório bispo e doutor da Igreja nas Meditações para a oitava de Natal, nº 8 nos ensina: O nome de Jesus é um nome divino que o Senhor deu a conhecer a Maria pela voz do arcanjo Gabriel: Ao qual darás o nome de Jesus (Lc 1,31). Nome que está acima de todo o nome, o único nome pelo qual seremos salvos (Fl 2,9; At 4,12). Esse nome grande é comparado pelo Espírito Santo ao óleo: A tua fama é odor que se difunde (Ct 1,3). Por quê? Porque, explica São Bernardo, tal como o óleo pode ser luz, alimento e remédio, assim o nome de Jesus é luz para o nosso espírito, alimento para o nosso coração, remédio para a nossa alma.
Luz para o nosso espírito: foi o brilho desse nome que fez o mundo passar das trevas da idolatria para a claridade da fé. Nascemos numa terra cujos habitantes, antes da vinda do Salvador, eram todos pagãos; nós também o seríamos, se Ele não tivesse vindo iluminar-nos. Por isso, temos muito a agradecer a Jesus Cristo pelo dom da fé! Alimento para o nosso coração: tal é, mais uma vez, o nome de Jesus. Ele lembra-nos, com efeito, toda a obra dolorosa que Jesus realizou para nos salvar; é assim que Ele nos consola nas tribulações, nos dá força para caminhar na via da salvação, reanima a nossa esperança e nos inflama no amor de Deus.
Por fim, é remédio para a nossa alma: o nome de Jesus torna-a forte contra as tentações e os ataques dos nossos inimigos. Que acontece quando as potências infernais ouvem a invocação desse santo nome? Tremem e põe-se em fuga; assim fala o apóstolo Paulo: Para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra (Fl 2,10). O que é tentado não cairá se invocar Jesus: quem o invocar, perseverará e será salvo (cf Sl 17,4).
Na primeira leitura do livro do profeta Isaías vemos que a profecia nos fala o Senhor nos dará um sinal: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”. A profecia se cumpriu, Ele veio para o meio de nós como um de nós e nos ensinou através de seu Evangelho que Ele é um Deus conosco, que jamais nos abandona e que nos prometeu que estaria conosco até o fim dos tempos. Acaz não quis ou não soube “ler” os “sinais” que Deus colocou diante dos seus olhos e nós hoje estamos sabendo ler estes sinais? Estamos sabendo interpretar nossos sonhos como José?
Na segunda leitura da Carta de Paulo aos romanos o apóstolo deixa claro que ele é servo, apostolo e escolhido para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo que veio ao mundo para apresentar aos homens um plano de salvação. Este plano prevê que como cristão somos chamados a testemunhar no mundo a vida nova em Cristo. É isso que acontece? Testemunhamos nossa minha fé com a vida? O nosso testemunho arrasta ou espanta? É preciso lembrar que o anúncio do Evangelho antes de ser glória é dever e missão de todo batizado.
Rezemos com o Salmista: Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador. É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face. Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Is 7,10-14
Salmo: 23
2ª. Leitura: Rm 1,1-7
Evangelho: Mateus 1,18-24

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