Ano Ímpar › 13/02/2019

4ª feira – 5ª. Semana comum

Amados irmãos e irmãs 
“Ouvi-me todos, e entendei. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
Na relação com Deus, o moralismo exacerbado é algo abominável, nascido no rigorismo de normas e preceitos, sendo um fardo insuportável que as pessoas vão arrastando vida afora, achando que isso as faz merecedoras da Salvação que Deus oferece.
Os inventores dessas mil “regrinhas” para conseguir a salvação, se deleitam em ensinar as pessoas a andarem, naquilo que eles têm a coragem de chamar de “caminhos do Senhor”. A Santa Igreja tem o seu Código de Direito Canônico, que tem como objetivo ajudar o cristão membro da Igreja, a viver santamente desfrutando ao máximo da graça e santidade que Jesus oferece, entretanto, não é a pura observância dos cânones, que irá levar alguém a fazer a experiência de Deus em sua vida.
O problema está em que, com tantas regras e normas, muitas vezes inventadas por lideranças religiosas, pastorais, movimentos e associações, abafa-se na vida do cristão aquilo que é essencial, uma relação com Deus a partir do seu íntimo, isso é, a partir do coração, centro de decisão e da Vida.
A hierarquia (Bispo, padre, diácono); os cargos de ministro, coordenador de pastoral ou CAP te dá poder, mas não te dá santidade.
A pregação de que devemos fugir das coisas do mundo e só buscar as coisas de Deus, é perigosamente alienadora, pois agindo nessa linha, tudo aquilo que é humano torna-se profano e portanto, motivo de condenação ao pecador.
Os Fariseus eram pessoas muito piedosas, mas havia os “fanáticos” que adoravam impor o cumprimento das normas. É a religião do pode ou não pode.
De que adianta fazer a genuflexão correta, ajoelhar-se para o Santíssimo se não olha para o irmão caído na rua?
De que adianta contribuir com o dízimo integral se faz dez anos que não conversa com seu pai?
De que adianta não faltar à missa em nenhum domingo se tua vizinha está há dois anos na cama e você nunca a visitou?
De que adianta rezar o rosário todo dia se você vive a falar mal de outros agentes de pastoral?
Como é triste quando na comunidade as pessoas são cobradas por alguns, que se julgam justos e santos, cobra-se conversão, exige-se coerência de vida, retidão de caráter, testemunho de vida, conduta moral irrepreensível, principalmente desprezar e fugir de tudo o que não é sagrado.
Jesus dá um basta a toda essa hipocrisia e coloca uma relação nova com o Pai, não mais a partir da conduta e das aparências, mas sim do coração, fonte do bem e do mal, sendo que o que dele provém é que determina as nossas ações, podendo contaminar com o mal, ou contagiar com o Bem. A partir dessa verdade, ninguém mais poderá ser julgado, uma vez que só Deus tem acesso ao coração humano.
De que adianta não frequentar certos ambientes ou casas, evitar a companhia de certas pessoas, não ler certas revistas, não assistir certos filmes, mas ter o coração cheio de mágoa, rancor, amargura, destilando o veneno da intriga, da desconfiança e da inveja?
No nosso exterior estão os sentidos: Ouvir – Ver – Sentir (tato) – Paladar – Olfato e muitos mais gestos ou atos exteriores como andar, falar, etc. Tudo isto está relacionado com o corpo.
No nosso interior estão os sentimentos: Amor – ira – felicidade – saudade – ódio – alegria – tristeza – paz interior – etc. Os sentimentos brotam do coração…
Na leitura do livro de Gênesis vemos que o homem foi criado em vista do serviço, foi tirado do pó da terra vermelha daí o seu nome de Adão. Nascido da terra, para à terra voltar, o homem é destinado ao trabalho agrícola, indispensável para a vida do mundo. Para cultivar a terra, o homem é colocado num jardim ou paraíso. O homem podia dispor de todos os frutos das árvores, exceto do da árvore do conhecimento do bem e do mal. Conhecer o bem e o mal é conhecer tudo, mas conhecer tudo é uma prerrogativa divina e não humana. O homem que aspira à omnisciência pretende ocupar o lugar que só a Deus pertence.
Rezemos com o Salmista: Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto. Amém

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco 
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

Leitura: Gn 2,4b-9. 15-17
Salmo: 103
Evangelho: Mc 7,14-23

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