Ano A › 15/01/2017

2º. Domingo do Tempo Comum

ziziAmados irmãos e irmãs
“Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus”.
Jesus é apresentado por João como o Cordeiro de Deus. A expressão “Cordeiro de Deus” lembra aos hebreus duas imagens distintas: a imagem do Servo sofredor levado ao matadouro como ovelha muda diante dos tosquiadores e a imagem do cordeiro do sacrifício pascal. Jesus é assim o Cordeiro da nova e eterna aliança.
Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. Nesta frase João Batista resume toda a missão salvífica de Jesus. Como Cordeiro da Nova Páscoa o seu sacrifício é definitivo e único e por isto supera o cordeiro pascal cujo sangue marcou os batentes das portas dos Hebreus no Egito. A libertação agora é plena e é dirigida a toda humanidade, ganhando a salvação um caráter universal.
Estas palavras que se repetem seis vezes na Celebração Eucarística (2x na Glória, 3x depois da saudação da paz e a sexta vez, antes da comunhão). João fala do “pecado do mundo” (singular) e não dos “pecados do mundo” (plural); mas o que é este “pecado”?
O pecado fundamental para João é não aceitar o Filho de Deus entre nós com todas as consequências que isso comporta (cf. Jo 16,8-9). Aceitar Jesus e seus ensinamentos leva a pessoa a viver no amor e na fraternidade.
Neste Evangelho de hoje há quatro afirmações cristológicas de suma importância: a preexistência do Verbo (v. 30; cf. vv. 1-3); Jesus é o Cordeiro de Deus, cujo sacrifício resgatou o ser humano para Deus (v. 29); ele é, ainda, aquele em quem o Espírito Santo permanece (vv. 32-33); e, finalmente, ele é o Filho de Deus (v. 34; cf. v. 18).
João foi a testemunha de Jesus; mas que é ser testemunha? Testemunha é a pessoa que teve a experiência direta de algum fato e que narra o que viu ou ouviu, ou alguém que observou um acontecimento e pode informar a respeito dele para provar, para acusar, ou para inocentar (Lv 5,1; Nm 5,13;Dt 17,6s etc.). Assim sendo nós como batizados somos convidados a ser testemunha de Cristo, mas para isto precisamos fazer este mesmo encontro que João fez e aí sim proclamar com palavras e com a vida que Ele é o nosso Cordeiro de Deus!
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) carmelita e mártir em seu escrito “As Bodas do Cordeiro de 14/09/1940 nos diz que no Apocalipse, o apóstolo João escreveu: Eis o que eu vi: em frente do trono havia um Cordeiro, que se mantinha de pé e que estava como que imolado (Ap 5,6). Enquanto contemplava esta visão, uma lembrança se mantinha bem viva nele: a do dia inesquecível em que, na margem do Jordão, João Batista tinha designado Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Mas porque tinha o Senhor escolhido o cordeiro como seu símbolo por excelência? Porque se mostrava ainda sob esse aspecto no trono eterno da glória? Porque era inocente como um cordeiro e humilde como um cordeiro e porque tinha vindo para ser levado ao matadouro como um cordeiro (Is 53,7). Também isto tinha João contemplado quando o Senhor deixara que lhe atassem as mãos no Jardim das Oliveiras e se deixara pregar na cruz no Gólgota. No Gólgota, fora consumado o verdadeiro sacrifício da reconciliação. Os sacrifícios antigos tinham perdido a sua força e, tal como o antigo sacerdócio, acabaram logo que o Templo foi destruído. Tudo isto tinha sido vivenciado por João. Esta foi a razão pela qual ele não estranhou ver o Cordeiro no trono.
Como o Cordeiro devia ser morto para ser elevado ao trono da glória, também para todos os que são escolhidos para o banquete das bodas do Cordeiro (Ap 19,9) o caminho para a glória passa pelo sofrimento e pela cruz. Os que querem unir-se ao Cordeiro devem deixar-se pregar com Ele na cruz. Todos os que são marcados com o sangue do Cordeiro (cf Ex 12,7) – todos os batizados – são chamados a isso; mas nem todos entendem a chamada e nem todos o seguem.
Na primeira leitura do livro do profeta Isaías Deus como que dá um aval em favor de seu Servo como “luz das nações” e portador de sua salvação universal e não somente para Israel. A salvação em Jesus passa a ser universal.
Se acharmos o cordeiro muito frágil, olhemos para a Eucaristia, ponto convergente da Igreja e cume da Liturgia, o Sacerdote ergue uma hóstia frágil, que cabe na palma da nossa mão, e que até um ventilador ligado pode fazê-la sair voando. Entretanto, ali está escondido e oculto aos olhos dos que não crêem o maior e mais valioso de todos os tesouros da terra, o pão que alimenta e restaura as nossas forças, ajudando-nos a atravessar o deserto da Vida terrena, como aquele Maná descido do céu ajudou o povo na travessia do deserto, milhares de vezes ao dia esse gesto se repete, a hóstia é apresentada repetindo-se as palavras de João: Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo.
Na segunda leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios vemos na verdade a confissão de Paulo que se proclama “apóstolo de Jesus Cristo”. Mas ele declara que o chamado e a vontade é de Deus.
Paulo ainda destaca a universalidade da salvação ao dizer que os membros da Igreja que esta em Corinto são chamados à santidade, juntamente com todos os que, em qualquer lugar que estejam, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso;
Rezemos com o Salmista: Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas ou holocaustos por nossos pecados. E então eu vos disse: Eis que venho! Sobre mim está escrito no livro: Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei! Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembléia; vós sabeis: não fechei os meus lábios! Amém.

REFLEXÃO FEITA POR IRMÃO FRANCISCO
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Isaías 49,3. 5-6
Salmo: 34/40
2ª. Leitura: 1 Coríntios 1,1-3
Evangelho: João 1,29-34

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