Ano A › 22/06/2020

12º. DOMINGO COMUM – ANO A


Amados irmãos
“Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber”.
Queremos destacar três pontos nesta liturgia: o medo, instabilidade e sofrimento. Estes três pontos atingiam os apóstolos e a nós hoje. Jesus pede que não deixemos o medo impedir a proclamação da Boa Nova não sejamos covardes a ponto de não querer correr riscos. Isto só poderá acontecer se depositarmos nossa confiança absoluta em Deus; o exemplo desta confiança vem dos pássaros que Deus cuida e a dos cabelos que Deus até conta. Deus é aqui apresentado como um “Pai”, cheio de amor e de ternura, sempre preocupado em cuidar dos seus “filhos”, em entendê-los e em protegê-los.
Diante da perseguição aqueles que se mantiveram fiéis a Deus e aos seus projetos e que testemunharam com desassombro a Palavra encontrarão vida definitiva; mas aqueles que procurarem se proteger na vida cômoda e sem riscos jamais terão a vida em plenitude.
Assim como na Igreja Primitiva ainda nos dias de hoje o cristão também passa por esta mesma dúvida cruel que gera insegurança e dificuldade em seu dia a dia. Deve se falar em Jesus e seu evangelho em todos os ambientes que frequentamos, incluindo trabalho e estudo, ou seria melhor reservar o anúncio para quando se está em comunidade ou na segurança do nosso grupo?
O anúncio do Reino e dos valores do evangelho não é para ficar fechado dentro de um grupo ou religião, não somos seita secreta que precisa ocultar o conteúdo da sua pregação. Quem vive com coerência não deve ter nenhum medo.
Hoje não temos o império romano de outrora a nos perseguir mas o império é outro, é o do poder econômico e que não se limita mais só ao mundo romano; mas se globalizou, não para nos entregar na arena aos leões; mas para nos reduzir ao silêncio, nos ridicularizar, caluniar e corromper com publicidade enganosa. Infelizmente esta agressividade tem feito com que muitos cristãos fiquem assustados, confusos, desorientados e até se perguntando se vale a pena continuar. A todos nós, Jesus diz: “não temais”.
A Palavra libertadora de Jesus não pode ser calada, escondida, escamoteada; mas tem de ser vivamente afirmada com palavras, com gestos e atitudes provocatórias. Viver uma fé morna que aceita passivamente os valores, esquemas e estruturas desumanizantes, não chega para nos integrar plenamente na comunidade de Jesus.
Não podemos esquecer as pessoas e comunidades que sofrem persecuções em várias partes do Oriente, na China onde a informação é censurada ou na África. Desanimar agora soa como que não honrar o sacrifício destes irmãos e irmãs que vieram antes de nós e entenderam o que Jesus quis dizer com a expressão: “Não tenhais medo!” Encorajados pelo amor que Deus tem por nós, e pelo testemunho de tantos homens e mulheres que souberam ser fiéis ao projeto de Deus, sofrendo a perseguição e até a morte, continuemos nossa “carreira” na construção de um mundo de acordo com o sonho de Deus.
Na primeira leitura do profeta Jeremias vemos que ele foi o que mais experimentou a rejeição e a perseguição; sua mensagem demolidora contra as instituições do tempo provoca-lhe uma série de ameaças, calúnias, processos e perseguição. Até seus amigos foram subornados. Mas pela confiança que ele deposita em Deus é protegido, “como valente guerreiro”. Javé desmascara as falsas acusações contra Jeremias como um advogado de defesa do profeta. Isso não quer dizer que o conflito teria sido eliminado; pelo contrário, existe com toda a violência de que é capaz. Porém, o profeta perseguido já vive na certeza da libertação: Deus já salvou!
Na leitura da carta de são Paulo aos romanos Paulo nos mostra Adão como o homem velho, por meio do qual o pecado e a morte entrou no mundo e Jesus Cristo, o homem novo que tira o pecado do mundo e dá vida nova a todo homem.

Rezemos com o Salmista: Neste tempo favorável, Senhor Deus! Respondei-me pelo vosso imenso amor, pela vossa salvação que nunca falha! Senhor, ouvi-me, pois suave sobre mim com grande amor! Amém.

Reflexão feita pelo Diácono Irmão Francisco
Fundador da Comunidade Missionária Divina Misericórdia

1ª. Leitura: Jeremias 20,10-13
Salmo: 68/69
2ª. Leitura: Romanos 5,12-15

Evangelho: Mateus 10,26-33

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